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Aprendizagem sobre uma empresa pelo mercado e efeito sobre a sua avaliação

Em fins de julho de 2011, por ocasião do XI Encontro da Sociedade Brasileira de Finanças, o trabalho intitulado Learning Theory and Equity Valuation: An Empirical Analysis, foi premiado como melhor artigo publicado na Revista Brasileira de Finanças em 2010.

O trabalho, publicado por Renato Teles Delgado (Mestre em Economia pelo Insper) e por Antonio Zoratto Sanvicente (Professor Titular do Insper), testa e confirma a hipótese de que a “idade” da empresa no mercado de ações reduz o seu valor, medido pelo múltiplo preço/valor patrimonial. Esse efeito, conhecido na literatura como “aprendizagem”, é ainda amplificado pela maior disponibilidade de dados, que ocorre, por exemplo, quando a empresa se dispõe a fornecer mais informações ingressando em programa de negociação de American Depositary Receipts (ADRs).

O efeito de aprendizagem ajuda a reduzir a incerteza sobre a rentabilidade futura da empresa. Como essa incerteza está positivamente relacionada ao múltiplo preço/valor patrimonial, a redução da incerteza, que ocorre com o passar do tempo, também acaba reduzindo o múltiplo do valor da ação. Portanto, comparações feitas na prática entre empresas do mesmo setor, em termos desse múltiplo, tenderiam a ser distorcidas ao se ignorar a “idade” da empresa no mercado de ações.

O trabalho utilizou dados anuais de 82 das 168 empresas com ações negociadas na BM&FBovespa, dependendo da disponibilidade de informações e da presença no mercado em cada ano do período de 1995 a 2006. Como foi empregada a metodologia de estimação de dados em painel, o número total de observações chegou a 1.333, no modelo mais completo adotado.

Destaque-se ainda o levantamento feito para a variável que mede a idade da empresa no mercado de ações. Os bancos de dados mais facilmente acessíveis partem do início do ano de 1986. Para não limitar o estudo a empresas que tivessem ingressado no mercado após essa época, e/ou não distorcer suas idades ao se supor que empresas mais antigas tivessem ingressado no mercado em 1986, foi efetuado levantamento nos registros impressos da bolsa de valores, disponíveis em seu Centro de Memória. Isso permitiu constatar que as ações de algumas empresas já eram negociadas na bolsa de valores em 1913 (Alpargatas) e 1915 (Brahma, hoje Ambev). Muito antes, portanto, do início do cálculo do Índice Bovespa (que ocorreu em janeiro de 1968).

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