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Homenagem a Fabio Chaddad

(1969 – 2016)

Fabio foi professor do Insper entre 2004 e 2007, nos cursos de Estratégia Competitiva, Teoria das Organizações e Agronegócio (Graduação), Estratégia Empresarial (MBA) e Estratégia Organizacional (Mestrado), além de ter ocupado o cargo de Coordenador Acadêmico do curso de Administração (2007) e participado do Centro de Pesquisas e Estratégia, atuando em projetos desenvolvidos com empresas de diversos setores.

Atualmente, era professor joint appointment do Insper e da Universidade de Missouri.

Em setembro de 2016, aqui no Insper, lançou o livro “The Economics and Organization of Brazilian Agriculture”, publicação que combina a evidência sobre o desenvolvimento do agronegócio no Brasil com a história dos seus empreendedores, de forma simplesmente admirável.

Durante sua carreira, precocemente interrompida, produziu alguns dos mais importantes trabalhos sobre o agronegócio no Brasil.

Nosso querido professor Fabio Chaddad faleceu em 25 de novembro de 2016, nos Estados Unidos.

Sobre Fabio Chaddad: Chaddad era casado com Mariel e pai de Rodrigo, 17 anos

Publicações sobre Fabio Chaddad:

Insper Conhecimento: Artigo sobre o evento de lançamento de seu livro “A produtividade do setor agrícola e o futuro do agronegócio”.

Vídeo: Debate “A produtividade do setor agrícola e o futuro do agronegócio”

Mensagens

Marcos Lisboa

Fabio Chaddad me surpreendeu pela austeridade do corpo e das ideias. Nada havia em demasia. A doçura da fala contrastava com a seriedade e a precisão dos argumentos. Fabio ensinou-me um Brasil que desconhecia; a história da nossa agricultura, seus inesperados empreendedores, e as diferenças relevantes das nossas diversas regiões.

Não conheci sua família. Fabio morava no Missouri há vários anos quando vim para o Insper, não mais professor em tempo integral da escola. Deixara o Brasil, mas o nosso país não o deixava. Era a nossa terra o tema das suas pesquisas.

Tenho já uma vida mais longa do que foi permitida a Fabio. Nos últimos dois anos, tive o privilégio de assistir seus seminários a cada par de meses sobre os novos capítulos do seu último trabalho; um livro admirável que sistematiza a sua pesquisa sobre a agricultura no Brasil, e combina a boa erudição e a pesquisa cuidadosa com a clareza e simplicidade de exposição permitida a poucos acadêmicos.

Há poucos meses, já bastante debilitado pela doença, Fabio veio ao Brasil para um seminário sobre o seu livro. A fragilidade física contrastava com a sua serenidade usual. Não havia lamentações. Estava feliz por ter terminado o livro e apresentar os principais resultados do seu trabalho aos seus pares. Apenas esperava poder levar seu filho para começar um curso em Nova York no fim do ano. Dizia que, assim, teria cumprido as suas obrigações.

Nos últimos meses, trocamos e-mails sobre a sua vinda para o Brasil e sobre uma coluna que escrevi para a Folha de São Paulo que resumia as principais conclusões do seu trabalho.

Aprendi muito com Fabio sobre temas acadêmicos. Aprendi mais ainda com a sua vida e a sua serenidade frente ao fim.

Fabio morreu no Missouri. Voltando de Nova York.

Claudio Haddad

Tive o privilégio de conhecer o Fabio há doze anos, quando o convidei a fazer parte do corpo de professores tempo integral no Insper o que, para minha grande satisfação, ele aceitou.

Desde então Fabio mostrou ser um excelente professor, um pesquisador inovador e rigoroso, cujo livro, recém-publicado, The Economic Organization of Brazilian Agriculture, será por muitos anos referência básica no estudo do agronegócio brasileiro. Além de sua extraordinária contribuição profissional, Fabio sempre se destacou por sua postura colaborativa, construtiva e por sua firmeza de caráter.

Perdemos um mestre exemplar, um pesquisador ímpar, um grande brasileiro e, acima de tudo, um ser humano maravilhoso. Fabio fará muita falta.

Claudio Haddad

Carlos Melo e Sérgio Lazzarini

Após longa e resignada luta, o Professor Fabio Chaddad descansou na noite de 25 de novembro.  Desnecessário falar do professor e pesquisador Chaddad: tão sério e dedicado quanto brilhante, em vida, ele recebeu as merecidas homenagens e o reconhecimento dessa natureza.  Professor de clareza invejável, costumeiramente agraciado com prêmios de ensino.  Pesquisador da mais elevada qualidade, estendendo a fronteira com temas e análises inovadores.  Deixou o que consideramos ser o melhor texto já escrito sobre a evolução do agronegócio brasileiro, o livro The Economics and Organization of Brazilian Agriculture.  Sua obra fala por si, fica como testemunha.A dor do momento punge, mas é necessário recordar, agora, o amigo com a dignidade que ele sempre expressou. Como Fábio justificava esse tratamento, amigo! Inteligente, sagaz, companheiro, sofisticado.  Um de nós (Sergio) teve a honra de conviver com ele desde os tempos de faculdade, compartilhando inúmeras passagens felizes e produtivas durante a graduação e pós-graduação.  Ambos passamos extraordinários momentos na construção do antigo Ibmec, atual Insper; foi peça importantíssima e ali se constituiu como referência de companheirismo, lealdade e franqueza.

Tivemos também a honra de desfrutar de seu convívio pessoal. Fábio era a imagem, ao mesmo tempo, da firmeza e da ponderação: mão estendida, ouvidos à disposição, ao mesmo tempo oferencendo palavra certeira, direta e confiável. Referência de caráter, enxergava aspectos que nos escapavam. Daí, o toque respeitoso e preciso; a busca pela superação dos problemas.

Mesmo nos momentos mais difíceis, quando o corpo brigava pela entrega, Fabio seguiu firme com seus projetos e sua atenção à família e amigos.  De forma impressionante, reuniu energias para pessoalmente vir ao Brasil para lançar seu livro em setembro desse ano.  Apresentou suas ideias, atraiu líderes do agronegócio e liderou uma das melhores discussões que já tivemos na escola.  Ainda falava no seu interesse em retornar para lançar a versão traduzida do livro no início de 2017.

Que sua família encontre consolo pela falta que presença física fará. Teremos todos que aprender a sentir e a buscar por Fábio de outro modo: apenas dentro do coração. Poucos, como ele, merecem tanto a paz, o respeito, a admiração.  Continuaremos honrando seu legado e levaremos conosco a inspiração da sua luta, integridade e força.

Carlos Melo e Sérgio Lazzarini

Marcos Jank

Fabio foi um professor e pesquisador genial e inovador. As conversas que tivemos ao longo dos anos foram extraordinárias. Para mim, uma reflexão e um aprendizado constante sobre temas que ambos gostávamos – agronegócio global, comércio, políticas agrícolas, cooperativas, associativismo, bioenergia, entre outros.

Publicar com o Fabio sempre foi um imenso prazer e um convite à reflexão profunda e bem estruturada. Ele conseguiu sintetizar a revolução recente do agronegócio brasileiro como ninguém, com textos e palestras que combinavam grande densidade analítica e rigor acadêmico com explanações didáticas e facilidade da leitura.

No último seminário de lançamento do seu livro, já muito debilitado, foi maravilhoso vê-lo expondo e debatendo suas ideias com lucidez, ao mesmo tempo em que reconhecia cada uma das pessoas que o acompanharam ao longo da vida. Lutou até o fim contra uma doença terrível, sem nunca entregar os pontos, com gestos de carinho e generosidade que marcaram o seu caráter extraordinário para sempre.

Vai nos fazer muita falta!

Marcos Jank

Marcos Fava Neves

O dia amanheceu triste. Nos deixou em 25/11 o Fabio Ribas Chaddad, um dos grandes cientistas do agronegócio brasileiro, aos 47 anos, vítima de câncer.

Engenheiro Agrônomo formado pela ESALQ em 1992, fez mestrado na FEA e Doutorado na Universidade de Missouri nos EUA onde era professor nos últimos 15 anos. Seus artigos e livros inspiraram nosso cooperativismo, associativismo e nosso agronegócio. O Brasil perde um de seus filhos que conseguiram grande reconhecimento internacional e eu perco uma pessoa com quem tive o privilégio de conviver por 30 anos, debatendo, aprendendo, escrevendo juntos dezenas de artigos e alguns livros. Descanse em paz querido Fabio, sua obra e suas lembranças permanecem eternas.

Marcos Fava Neves

Rodrigo Rodrigues

O Fábio e eu nos conhecemos quando ele já estava formado na ESALQ e eu ainda nos bancos escolares. Nossa amizade e minha admiração por ele cresceram com o projeto do livro dele, que ele tanto se dedicou e que foi e é um projeto maravilhoso.

Pudemos nos reunir diversas vezes e depois passamos uma semana juntos na Bahia.

Acompanhei a luta dele após a recidiva da doença e nos falamos e encontramos várias vezes.

Estive presente no lançamento e discussão do livro dele em Setembro no Insper, um momento emocionante. Ele foi brilhante na exposição e muito generoso com todos os amigos.

Perco um amigo, um grande expert do Agribusiness, um exemplo de Homem Bom, sobretudo.

Que ele descanse em paz e que a família encontre conforto.

Rodrigo Rodrigues
ESALQ F97 e Aqua Capital

Murilo Bussab

Recebi consternado a notícia do falecimento do Fabio (ou para nós, o querido Sfiha). Embora já há muitos anos não o encontrasse, era daqueles caras que carregamos com afeto na lembrança. Aos laços fortes criados na época da Gloriosa se somavam em nós dois, e mais alguns outros como você, o gosto pelo estudo da agricultura como um negócio. Numa época em que o termo agribusiness ainda estava sendo moldado no país, uma turma de esalqueanos resolveu se aventurar e explorar a natureza e os conceitos desta atividade. Foi uma escolha das mais interessante e o Sfiha permaneceu nesta jornada com talento e afinco, deixando sua marca para uma agricultura e um pais melhores.

Fiquei sabendo que você está organizando uma página do Insper em homenagem ao nosso amigo e, apesar da tristeza, fiquei contente pela iniciativa. Se for possível acrescentar o parágrafo acima dentre as notas, agradeço.

Lamento retomar o contato num momento de pesar, mas são nestas horas que paramos para refletir e nos emocionamos com aqueles que fizeram parte da nossa história de vida. Também aproveito para lhe falar que quando vejo a evolução da sua carreira e leio sobre o renomado economista Sergio Lazzarini, sinto orgulho de poder dizer que estudamos juntos. Como não pude dizer isto ao Sfiha, não queria deixar passar a oportunidade para dizer o mesmo a você.

Murilo Bussab

Cláudio Antonio Pinheiro Machado Filho

Conheci Fábio em 1993. Fomos contemporâneos no programa de mestrado da FEA/USP e atuamos em inúmeras atividades do PENSA. Compartilhamos viagens, artigos acadêmicos, projetos aplicados, acaloradas discussões futebolísticas e até um livro. Foi um singular e riquíssimo ambiente de aprendizagem e camaradagem. Fábio teve trajetória brilhante e deixa uma obra riquíssima como legado profissional. Este privilégio estará acessível a todos. Mas eu tive ainda o privilégio daqueles que gozaram de seu convívio e amizade pessoal, em um período que marcou para sempre nossas trajetórias de vida.

Cláudio Antonio Pinheiro Machado Filho

Sylvio Lazzarini

Conheci Fabio Chaddad no inicio dos anos noventas. Ele concluía o curso de agronomia pela ESALQ/USP e eu era pecuarista e líder ruralista. Procurou-me para tratar de produtividade agrícola e pecuária. Desde cedo ele manifestava muito interesse em avançar no tema. A primeira impressão que colhi daquele
jovem, recém-formado, foi de admiração. Inteligente e tenaz nas discussões, já nas primeiras conversas mostrava alguns posicionamentos que eram típicos mais de um estudante de economia do que de agronomia. Era mesmo diferenciado.

Tempos depois, na fase final de conclusão do seu mestrado em Administração, pela FEA/USP, em 1996, pude entender que aquele jovem buscava limites de conhecimentos muito mais amplos do que, à primeira vista, poder-se-ia imaginar.

Nossa amizade foi se fortalecendo na medida em que os anos passavam e, principalmente, quando meu filho, Sergio Lazzarini, foi concluir seu Ph.D na Washington University. Fábio, aquela época, também já havia concluído seu Ph.D e era professor na University of Missouri.

Em uma das minhas viagens aos EUA, fui visita-lo junto com o Sergio e minha nora, Edite, na cidade que vivia. A conversa, regada a bons borgonhas, que Fabio tanto amava, tanto quanto eu, era junto a uma grelha, que tive de comandar, em razão de uma quase “intimação” que dele recebi, para churrasquear bons cortes de carnes.

Pedido atendido, continuamos a epopeia dos vinhos no jantar oferecido horas depois pela esposa, a Mariel. Para mim, é inesquecível aquele frango assado em “cama de sal grosso”, o que me levou sugerir à anfitriã mudar o nome do prato para “frango assado no berço esplendido”. Inesquecíveis foram todas as conversas, que vararam noite adentro, sempre na companhia dos ótimos californianos, em especial da uva pinot noir, comprados quase ao lado da casa do amigo. Tinha bom gosto pelos vinhos.

Anos depois, já no Insper, Fabio tornou-se meu sócio no Varanda e na Intermezzo. Participe do nosso Conselho de Administração, sempre se posicionou como um bom mestre, da boa conversa, do dialogo esclarecedor. Fabio sempre foi aberto para troca de ideias. Era o meu canal de consultas e inspiração para o trabalho.

Na trajetória da sua doença pude constatar que Fabio não era um ser humano comum. Era um homem de qualidades diferenciadas; um ser humano de infinitas virtudes. Guerreiro forte, travou uma luta admirável contra a doença que o acometeu. Foi assim até o fim.

Fabio deixou um grande legado de vida. Acima de tudo, um homem extraordinariamente diferenciado que, por certo, o mundo haverá de sentir falta.

Que Deus o acolha bem e que lhe dê a luz eterna, de forma que, na passagem para a nova existência, ele reencontre o seu destino, como outrora aqui viveu, sempre ensinando as boas virtudes da vida, e como na eternidade viverá, sempre preconizando o bem.

Sylvio Lazzarini

Sérgio Sylvia Saes

Conheci o Fabio quando cursava o mestrado na FEAUSP em meados dos anos 90. Na época, um jovem, recém-formado pela Esalq passou a integrar com grande entusiasmo o grupo de pesquisa Pensa. A metodologia de análise de sistemas agroindustriais do programa estava sendo gerada e ele não media esforços em discutir temas inovadores, como certificação, ação coletiva, novo cooperativismo. Trabalhamos juntos em projetos sobre a temática da ação coletiva no sistema agroindustrial do café, em que se colocavam em prática os conceitos teóricos apreendidos. Minha admiração pelo seu determinismo e perseverança foi crescendo. Mesmo longe mantivemos contato. Chegamos a publicar juntos recentemente: Fabio foi um dos autores do livro de Economia das Organizações e Formas Plurais. Fabio aproveitou de forma intensa a vida. Deixa saudade, mas principalmente um grande exemplo de vida.

Sérgio Sylvia Saes

Sérgio Andre Nassar

O falecimento do Fábio me fez refletir sobre como nossa vida passa com tanta rapidez. Fábio veio ao Brasil em 2016 para lançar seu livro e nesse encontro percebi como fazia tempo que não o via. Nesse dia não tive coragem de perguntar como estava sua saúde, pois era evidente que ele estava no meio de uma grande batalha.

Talvez um ano antes o encontrei, ocasionalmente, em Brasília, mas não dediquei a ele o tempo que merecia. Hoje vejo que deveria ter assistido sua palestra e debatido suas ideias. Ou, no mínimo, ter lhe dado um abraço de verdade e perguntado sobre sua saúde. Fábio estava num encontro falando sobre cooperativas de nova geração. Isso foi em 2015.

Também em 2015 Fábio entrou em contato para falar sobre o livro e me entrevistar. Estava no início da minha vida de Brasília e não consegui falar com ele. Me arrependo de não ter reservado esse tempo para ele estarmos juntos. O tempo passou e ele se foi.

Não consigo me lembrar mais quando ele, Mariel e Rodrigo se mudaram para os EUA. Também não me lembro quando ele fez a cirurgia para extrair o primeiro tumor, já morando lá, mas tendo feito no Brasil. Mas me lembro de várias conversas que tive com ele e Mariel, depois da cirurgia e durante sua convalescência, sobre qualidade de vida e alimentação. Fábio havia mudado completamente sua dieta alimentar e ele me deu várias informações sobre os benefícios de comer melhor e comer para melhorar a qualidade de vida. Se não me engano, foi Mariel quem estimulou esse contato porque ela sabia da doença reumatológica que minha esposa possui.

Tivemos outro contato quando ele me estimulou a participar de um encontro nos EUA que acabou dando errado. Acho que isso ocorreu entre a mudança para os EUA e a descoberta do primeiro tumor.

Tive o prazer de conviver com Mariel por alguns anos trabalhando juntos. Mariel deixou marcas inapagáveis em minha vida pois me estimulou e apresentou pessoas que, anos depois, foram chave para que pudéssemos fazer o etanol brasileiro ser reconhecido como combustível avançado nos EUA. Nessa fase encontrei Fábio em várias ocasiões.

Agora já estamos voltando para antes de 2005 e a memória vai rareando. Convivemos juntos no Pensa no final dos anos 90 e início dos 2000. Não escrevi nenhum estudo de caso com ele mas o vi apresentar vários.

Dos anos de ESALQ, talvez 89/90/91, vida intensa de república (dele Boi Veio, minha Fazendinha), de aluno e muitas partidas de futebol de campo e salão. Ali nos conhecemos.

Fábio deixou marcas em nossas vidas, com suas opiniões, seus papers e sua transformação: quanto mais debilitado ficava, mais lutador ele era.

Fabio estará para sempre em meu coração. Mariel e Rodrigo contem comigo.

Sérgio Andre Nassar