Fóruns Estadão Brasil 2018 – Agricultura

Insper Instituto de Ensino e Pesquisa

Realizamos em 18/09 o último evento da série Fóruns Estadão Brasil 2018, que debateu os desafios e melhorias para a agricultura no Brasil.

O primeiro painel abordou o tema O panorama da agricultura no Brasil – um dos principais setores econômicos do país passa por transformações relevantes para a economia brasileira e mundial com moderação feita por Cley Scholz, jornalista do Estadão.

Cley abriu o painel falando da importância dos resultados do setor de agricultura no Brasil, que são atualmente fatores que ajudaram o país a atrasar seu período de recessão. Além disso, a dificuldade enfrentada atualmente pelos nossos produtores de soja com a queda dos preços, aliada à expressiva produção americana desta commodity que ultrapassou o Brasil em termos de produção. Este cenário traz alertas importantes para a nossa economia.

“O agronegócio vem salvando o Brasil da recessão. Os últimos números do IBGE mostram que se não fosse o crescimento da agricultura, o Brasil já estaria em recessão.”, disse Cley Scholz.

Em seguida, o especialista José Vicente Caixeta Filho, diretor da Esalq (USP),iniciou sua fala trazendo a importância do investimento em infraestrutura já que o setor não conta com uma logística à altura da complexidade da cadeia de produção do agribusiness. Dentre os principais problemas está o custo de frete e a defasagem de armazéns que possam apoiar os esforços de exportação e sugeriu que parcerias público-privadas podem ser uma alternativa para melhorar a questão de logística agroindustrial, ressaltando a importância do papel do estado para assumir esta responsabilidade.

“Temos uma produção de sólidos muito grande, de aproximadamente 200 milhões de toneladas por ano. Considerando o preço do frete rodoviário, o custo desse transporte fica na casa dos R$ 12 bilhões. Cerca de 6% é comprometido com transporte. É muito”, afirmou José Vicente Caixeta Filho.

O CEO da BrasilAgro, Julio Cesar de Toledo Piza, trouxe para o debate o acréscimo no custo de produção nos últimos anos, como perdemos a oportunidade de assumir um papel de liderança como principal fornecedor de alimentos do mundo, já que os EUA avançaram neste quesito. O Brasil tem papel extremamente importante no fornecimento mundial de alimentos e precisa ocupar um papel de liderança no fornecimento de bens agrícolas e industrializados derivados.

“A equação de demanda e oferta ainda são positivas. Mas ainda temos de melhorar. Os EUA, que pareciam já estar no topo da produção, cresceu demais no ano passado. Isso é um alerta para nós”, afirmou Julio Cesar de Toledo Piza.

Roberto Rodrigues ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócio da FGV/EESP dividiu com os convidados e plateia o cenário mundial do setor em que o Brasil possui papel de destaque, já que conta com clima favorável, mão de obra e terra disponível e tecnologia avançada, mas ressaltou que falta ao país estratégias claras que reduzam entraves como deficiência de governança e insegurança jurídica criando políticas públicas que protejam o setor. O setor está carente de um plano de longo prazo que possa integrar todos envolvidos na cadeia do agribusiness e atender aos padrões de sustentabilidade da nossa sociedade

“Temos a melhor defesa, que é a tecnologia, e o melhor ataque, que é o agricultor. Falta meio de campo, ou seja, estratégia” comparou o ex-ministro Roberto Rodrigues

 

Assista ao 1º painel na íntegra

 

Em seguida, o 2º painel discutiu o tema “A fronteira tecnológica da agricultura: pesquisa, inovação e avanços de produtividade” contando com moderação de Danny Claro, professor associado do Insper e Ph.D. em Administração.

O professor apresentou dados favoráveis ao nosso país sobre o agronegócio como o desenvolvimento de tecnologias para culturas tropicais e diversidade de produtos, mas ressaltou que índice de produtividade no Brasil é alto não só comparado com outros países, mas também com anos anteriores.

“Em ao menos 11 culturas o Brasil está entre os maiores exportadores do mundo. Logo, não concordo com a visão de que somos um país de monocultura”, disse Danny Claro.

Decio Zylbersztajn professor titular da USP e integrante da CEA Insper apresentou três desafios para o setor. O primeiro refere-se ao sistema de pesquisa agrícola nas universidades, que precisa ter foco em interesses coletivos, conectando instituições de ensino e produtores para qualificarmos nossa produção acadêmica. No ensino superior os esforços estão muito isolados. Ao criar uma rede com forte colaboração teremos sistemas de inteligência e estratégia que apontem não só riscos, mas que também apresentem oportunidades de geração de negócio no setor. O sistema de pesquisas na área agrícola na universidade é desestruturado com incentivos que focalizam interesses particulares; o agricultor precisa de mais conhecimento sobre cada produto cultivado, não só da tecnologia avançada; falta ao nosso país o avanço e estabelecimento de conexões com empresas internacionais.

“Temos de levar não apenas um pacote tecnológico, mas também conhecimento ao agricultor. Temos de estabelecer conexões com empresas do exterior e com universidades”, afirmou Decio Zylbersztajn

Maurício Lopes, presidente da EMBRAPA, apresentou todos os avanços conquistados pelo Brasil nos últimos 40 anos, em destaque para o papel desempenhado pela EMBRAPA desde os anos 70, colocando o Brasil na fronteira do conhecimento na produção agrícola no ambiente tropical. Falou também sobre a  importância da inovação para avanço do setor como a bioeconomia e conexão com a indústria bioverde, apresentando o que chamou de “Agricultura 2.0”, um modelo em que o país precisa enquadrar-se e que envolve inteligência estratégica para que o país atue com foco no desenvolvimento de ciências e políticas públicas para o fortalecimento do setor. Ainda destacou a necessidade de maior capacitação de profissionais e apoio à inovação que resultem em um ciclo virtuoso para alcançarmos o patamar de maior fornecedor de alimentos do mundo.

“Nosso desafio é desenvolver plataformas de inteligência a fim de antecipar riscos e oportunidades para o setor. O crescimento populacional na Ásia e na África, por exemplo, e as mudanças climáticas”, analisou Maurício Lopes

Para finalizar, Valter Brunner, diretor de Relações Institucionais da Syngenta, falou sobre a importância da sociedade brasileira e a mídia discutirem o valor do setor agrícola brasileiro e que os veículos tem papel fundamental para mostrar à sociedade que somos uma potência. Além disso, em termos de produtividade, Brunner ressaltou a relevância da qualidade dos produtos e que este aspecto é crucial para geração de produtos competitivos. A produtividade vertical na agricultura reforçando a importância da agricultura estar conectada à demanda por uma melhor qualidade dos produtos e aos padrões de sustentabilidade da nossa sociedade. O Brasil já avançou muito com a ocupação de novas terras, atualmente o cenário indicado é de eficiência, produzindo mais com menos insumos e menor agressão ao meio ambiente.

“Temos de falar em qualidade, não só em quantidade de produção. Hoje não se fala mais de toneladas de cana, mas sim de toneladas de açúcar e álcool que resultam dessa cana”, declarou Valter Brunner.

 

Assista ao 2º  painel na íntegra

 

Assim como nos outros dois eventos realizados em parceria com o jornal, o Estadão lançou um caderno especial com toda a cobertura do evento. As matérias podem ser lidas na íntegra nos links abaixo:

 

É hora de dar mais atenção ao campo

Agricultura espera plano e logística

Pesquisa tem foco no retorno econômico

Com pré-sal, governo deixa etanol de lado

Agronegócio consome 83% da água doce

País precisa de políticas claras para a agricultura

Bioeconomia é o desafio para o futuro do agronegócio

Pecuária ainda tem potencial de crescimento

Cresce demanda para defensivos naturais do país

Agro aproxima mundo rural do urbano

 

O jornal também disponibilizou conteúdo adicional à versão impressa em uma página dedicada à cobertura deste evento e pode ser acessado neste link.

Desde o início do projeto, nosso objetivo com esta parceria foi participar e promover a discussão de temas que são extremamente importantes para o desenvolvimento de nosso país.

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Fóruns Estadão Brasil 2018

O Insper foi parceiro educacional do projeto que discutiu os principais temas para desenvolvimento do país. Saiba mais.

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