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Inteligência Artificial: novas tecnologias reestruturam o mercado e a forma de se pensar o trabalho

De celulares, drones, carros autoguiados a robôs, as novas tecnologias de Inteligência Artificial ganham cada vez mais espaço e se difundem no dia a dia rapidamente. Para se ter uma ideia da sua importância, o mercado de IA deve movimentar cerca de US$ 25 bilhões até 2025, com uma taxa de crescimento de 45% ao ano. Com essa rápida incorporação, a discussão sobre onde estamos e o que queremos com os supercomputadores e a computação em nuvem torna-se urgente.

Inteligência Artificial é a capacidade de um computador para executar operações análogas à aprendizagem humana e à tomada de decisões, como ter percepções visuais, fazer o reconhecimento de fala, aprender jogos como o xadrez e executar qualquer outra coisa em todo o lugar. Com uma atuação ampla e complexa desta forma, a IA gera muitas perguntas: os robôs vão dominar tudo? Pessoas serão substituídas por robôs? Quais as vantagens e desvantagens dos supercomputadores?

Especialistas como o professor Richard Freeman, da Universidade de Harvard, acreditam que estes questionamentos não serão respondidos tão cedo, porque dependem da forma com que essas novas tecnologias serão recebidas pelas pessoas, independentemente da finalidade do seu uso.

Freeman estuda o impacto dessa nova realidade na economia, a robo-economia. “Quem possui robôs é quem governa o mundo”, declara. “Os efeitos sobre os rendimentos dependem de quem é o dono dos robôs. Ou seja, se você possui o robô, ele é uma ferramenta que melhora o seu trabalho e renda. Se não for, está fadado à sorte”.

Novos recursos, novos mercados

A inteligência artificial hoje é aplicada em três frentes:
– o deep learning consiste em redes neurais artificiais que assimilam comportamentos e padrões, apresentando resultados parecidos com o de uma pessoa, no processamento de imagem;
– o natural language processing converte informação da linguagem humana em representações, ou seja, computadores analisam, compreendem e concluem os dados disponíveis;
– e o machine learning é um método de análise de dados que automatiza o desenvolvimento de modelos analíticos.

Sistemas aprendem e têm insights a partir de algoritmos sem terem sido programados para aquela função, ou seja, a máquina já assimila informações e as desenvolvem à medida em que vão se acumulando.

Essa nova realidade conta ainda com o Big Data, que é uma fonte quase infinita para a Inteligência Artificial. Composto por dados estruturados e desestruturados, como vídeos e áudios, permite a criação de modelos que analisam e antecipam comportamentos através de algoritmos, fortalecendo os recursos disponíveis.

O efeito direto é a redução de tarefas repetitivas e de custos, com aumento de produtividade. Está nascendo um novo mercado com profissões que não existiam e uma nova forma de se pensar o trabalho.

“As inteligências biológica e computacional são complementares. Acredito que as novas tecnologias vão recuperar o trabalho humano, porque as máquinas executarão uma parte da tarefa, permitindo que as pessoas sejam mais criativas e deixem o formato tradicional de trabalho, podendo explorar mais a capacidade cognitiva, social e emocional”, defende Gustavo Iochpe, especialista da Big Data Brasil.

O Brasil já é reconhecido mundialmente como um país apaixonado por tecnologia, com uma população rapidamente aderente a novidades e inovações, mas os investimentos ainda não acompanham na mesma medida. É um consenso entre os especialistas a necessidade de o país analisar com mais profundidade essas transformações, criando os próprios centros de desenvolvimento de inovação.

Em foco

Para discutir Inteligência Artificial e seu impacto na sociedade, o 7º Fórum Insper de Políticas Públicas “Os Robôs e a Distribuição de Renda e do Emprego no Futuro” reuniu especialistas no último dia 31 de outubro.

O encontro teve abertura do coordenador geral de Gestão e Políticas Públicas do Insper, Milton Seligman, e a intermediação do professor Naercio Menezes Filho . Contou ainda com a participação de Richard Freeman, André Carlos de Carvalho, Gustavo Iochpe, além dos Fábio Ayres, Fabio Cozman, José Claudio Terra, Mário Sérgio Salerno e Sergio Firpo nos painéis “Aprendizado de Máquina e Inovação” e “Emprego no Brasil”.