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Transparência gera notas melhores no Enem, aponta estudo

A divulgação das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) leva ao aumento do desempenho escolar

De acordo com pesquisa de Sergio Firpo, vencedor do prêmio George Stigler, concedido pelo Insper, escolas que tiveram resultados divulgados superaram aquelas que não tiveram sua performance publicada pelo Ministério da Educação (MEC) entre 0,10 a 0,17 desvios-padrão das notas individuais nas edições subsequentes da prova.

A qualidade escolar não é medida de fácil determinação. A função de produção escolar tende a ser desconhecida e o esforço de estudantes, professores e administradores não é facilmente mensurável. Assim, a pontuação em testes pode ser um dos melhores indicadores de qualidade.

O ENEM foi criado em 1998 para verificar a proficiência dos alunos do ensino médio. Em 2006, o MEC estabeleceu que, a partir daquele ano, as escolas teriam sua média do ano anterior divulgada, contanto que dez ou mais alunos da escola participassem do teste, que é voluntário. As notas não influenciavam o comportamento dos alunos antes da instauração da regra. Ao comparar resultados, a pesquisa observou melhora significativa após a divulgação.

Para chegar aos resultados, o estudo usou como base escolas das regiões metropolitanas do Brasil que participaram do Enem de 2005. O desempenho, então, foi comparado ao do Enem de 2007 – o exame é usado na admissão de diversas universidades públicas e privadas e na seleção dos beneficiários do ProUni.

Ocorreu melhora nas notas apenas nas escolas privadas, sem ligação com mudanças de infraestrutura ou outros aperfeiçoamentos, o que sugere ser resultado das pressões que o mercado impõe sobre a performance.

A medida de tornar as notas transparentes serve a mais uma função: uma escola pode mudar sua grade de aulas se a performance dos alunos for insatisfatória ou os pais podem optar por trocar seus filhos de colégio. Um sistema que liga recompensas e punições à performance escolar pode afetar diretamente o comportamento de professores e diretores por conta dos incentivos. Nesse caso, divulgar informação é suficiente para influenciar o comportamento.

Para saber mais, acesse o resumo ou o estudo completo: “Information, Market Incentives, and Student Performance: Evidence from a Regression Discontinuity Design in Brazil” de Braz Camargo (Escola de Economia de São Paulo), Rafael Camelo (Instituto Plano CDE), Sergio Firpo (Insper) e Vladimir Ponczek (Escola de Economia de São Paulo).

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A Qualidade do Ensino Médio no Brasil: o papel do gestor

O Insper realizou no dia 26 de julho, em parceria com o Instituto Unibanco, o seminário “A Qualidade do Ensino Médio no Brasil: o papel do gestor”, um evento que marcou o pré-lançamento da Cátedra Instituto Unibanco, liderada pelo Prof. Sergio Firpo e voltada para pesquisa em educação focada no ensino médio.

Marcos Lisboa, presidente do Insper, apresentou Firpo dividindo com o público uma satisfação pessoal por trazer o pesquisador ao corpo docente da instituição. “Sergio faz parte de um grupo especial de pesquisadores que têm como propósito trazer ao país o debate de políticas públicas”, disse. Lisboa reforçou a importância da produção de pesquisa com base em evidências e lembrou que a instituição tem ampliado seu modelo de atuação por meio de cátedras que fomentam a produção de conhecimento aplicado.

Saiba mais sobre as cátedras do Insper

A Qualidade do Ensino Médio no Brasil: o papel do gestor

Atendimento do Ensino Médio no Brasil e Fluxo no Ensino Médio

O professor Sergio Firpo iniciou o seminário apresentando duas metas do Plano Nacional de Educação para o Ensino Médio: a evolução da taxa líquida de atendimento (porcentagem de jovens na escola) e da taxa líquida de matrículas entre jovens de 15 a 17 anos entre 2000 e 2014.

Os resultados mostram uma evolução nos números ao longo dos anos: 82,6 e 61,4%, respectivamente, porém não atingindo a meta estabelecida de 100% e 85%. O acesso à escola foi ampliado, mas essa evolução não se traduziu em qualidade da educação, mesmo com a economia em crescimento. Diferentemente do ensino fundamental, o ensino médio apresentou uma queda de performance dos alunos, sobretudo na rede pública. Além disso, foi detectada uma taxa de 20% de abandono e reprovação. “Talvez pela baixa qualidade do ensino”, disse o professor.

Distribuição do Ensino Médio entre Redes

O estudo realizado contou com amostra de mais de 27 mil escolas entre as redes federais, estaduais, municipais e particulares, sendo mais de 18 mil (67%) dentro do segmento de escolas estaduais. Foram coletados dados também relativos às matriculas distribuídas dentro desta classificação e, num total de mais de 8 milhões, 7 milhões são relativas à rede estadual.

Qualidade do Ensino Médio: desempenho no Pisa e evolução de qualidade

O estudo detectou que o desempenho do Brasil no Pisa – avaliação internacional de desempenho educacional – está aquém do desejado quando comparado com a média dos demais países membros da OCDE. Na distribuição dos estudantes por níveis de proficiência em matemática, 67% dos brasileiros estão abaixo da linha básica de proficiência, ou seja, 2/3 estão dentro ou abaixo do desejado (Nível 1).

Quando verificada a evolução da qualidade da educação por etapa e rede, entre 1997 e 2013,   percebe-se que houve progresso tanto em português quanto em matemática na análise dos dados percentuais dos alunos com nível de proficiência esperado ou acima nestas disciplinas até o 5º ano do fundamental. Entre 6º e 9º ano, há leve queda em português e resultado estável em matemática, mas o mesmo já não acontece nos dados do ensino médio. Neste caso, os dados se invertem aos do fundamental e o desempenho nestas disciplinas cai ao longo dos anos.

Quando observado o resultado do IDEB em 2005, 2011 e 2013, pouco progresso é encontrado. A metas de 3,9 para a rede pública é quase atingida apresentando nota 3,7 em 2013. No mesmo ano, obtém-se resultado alcançado em 5,4, frente a 5,2 da meta para a rede privada.

A conclusão é que aprimoramos a inclusão e alcançamos alguns bons resultados mas é necessário melhorar a qualidade do ensino. “É um desafio que não temos conseguido resolver”, disse Firpo.

O evento foi transmitido ao vivo. Assista na íntegra:

Qualidade do Ensino Médio particular: índice de preços e gestão

Para melhorar a qualidade da educação no Ensino Médio na rede pública é necessário estudar dados que sejam de interesse para a formação de políticas públicas. O estudo recomenda então voltar seu olhar para o comportamento dos resultados no ensino particular para então propor políticas públicas que possam ser adequadas à realidade do ensino médio estadual.

Evidências empíricas mostram que as famílias estão dispostas a pagar por mensalidades mais altas no ensino médio quando busca-se qualidade no ensino. Outro ponto trazido pelo estudo é a de que há uma correlação positiva entre rankings locais do ENEM e mensalidade das instituições que influenciam um Índice de preços neste mercado. Algumas escolas puderam cobrar até 17,5% a mais em suas mensalidades após apresentarem alto desempenho no ENEM.

O estudo mostra que há relação na alteração da cobrança das mensalidades quando o resultado do ENEM começou a ser divulgado. Esta prática afetou o mercado no ensino particular, no entanto, observa-se que não houve alteração na composição sócio demográfica das escolas, tampouco em seus insumos e também na qualidade dos professores, o que leva a hipótese de que o aumento de 15% no desempenho no ENEM pode ser resultado de incentivos de mercado que influenciam a qualidade da gestão, já que o efeito maior foi observado em regiões metropolitanas, onde o Ensino Médio é mais competitivo.

“Como mudar os incentivos para que gestores se preocupem com a qualidade na redes pública como acontece na rede particular?”, questionou o professor. “A rede pública não conta com os mesmos incentivos de mercado da rede privada.”

Qualidade do Ensino Médio público

Existem evidências que comprovam um aumento de 40% no aprendizado de alunos em escolas públicas estaduais que passaram por programas pilotos de gestão escolas, mas existe um desafio neste ambiente já que a rede pública não atua de maneira semelhante à particular por não receber os mesmos incentivos de mercado. Os gestores da rede pública não recebem os mesmos estímulos da rede privada, ou seja, é necessário debater quais seriam os estímulos adequados ao ensino público para que as melhorias de gestão afetem diretamente na qualidade do ensino.

Programa Jovem do Futuro – Instituto Unibanco

É um programa cujo foco está na gestão escolar da rede pública em que o instituto atua de forma a instruir e treinar gestores a cumprir metas e melhorar o desempenho de seus estudantes, reforçando a importância de se planejar ações, sugerir metas de desempenho a serem perseguidas, checar o cumprimento das mesmas.

Implementado de 2008 a 2010 em escolas públicas de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, o efeito do programa foi de 5 pontos na escala SAEB, porém ainda investiga-se consequências desse projeto e em que medida os resultados das escolas que foram capazes de planejar e implementar seus planos de ação foram melhores do que as que não o fizeram. Saiba mais sobre o Programa Jovem do Futuro.

Acesse o conteúdo da apresentação do professor Sergio Firpo.

Saiba mais sobre a agenda de pesquisa da Cátedra Instituto Unibanco.

2016