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Devo sacar aplicação para comprar imóvel?

O indivíduo que tem um apartamento de 70 m² e aplicação financeira com valor similar ao do imóvel deve usar o dinheiro para comprar imóvel maior ou outro do mesmo tamanho? A resposta mais adequada é “nenhuma das alternativas”.

Atualmente, investir em imóveis diretamente só se mostra adequado se ele for para moradia. E, mesmo se for para moradia, gastar a reserva não é recomendável. Se você procura um imóvel maior para melhorar o bem-estar, a melhor alternativa é vender o anterior e comprar um novo financiado em seis meses. Assim, é possível ter duas vantagens: isenção de IR e manutenção de liquidez. Caso o imóvel seja o único possuído, comprando outro maior no intervalo de 180 dias o investidor tem o benefício da isenção de IR sobre o ganho de capital na venda do imóvel anterior. Além disso, comprando de forma financiada, o investidor não abre mão da reserva de liquidez.

A manutenção de reserva de liquidez é de extrema importância para fazer frente a emergências como perda de emprego ou problemas de saúde. Uma analogia atual sobre o reflexo da não manutenção de uma reserva – mas com outro recurso escasso – é com a água. O consumo da reserva de qualquer bem escasso sempre cobra seu preço no futuro.

Se o imóvel for adquirido para investimento, o investidor deverá repensar seu portfólio. Assim como ter um portfólio de ações formado por uma só empresa carrega um risco específico significativo, o mesmo acontece com imóveis. Possuindo apenas um imóvel, os riscos de vacância e de ter de arcar com despesas de condomínio e impostos não são diluídos. Os benefícios da diversificação são amplamente reconhecidos e também devem ser aplicados no mercado imobiliário. Para pessoa física, o melhor instrumento para adquirir um portfólio diversificado de imóveis e ainda ter o benefício de isenção de IR sobre aluguéis é o fundo de investimento imobiliário, que ainda proporciona liquidez ao portfólio.

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Debênture é melhor que tesouro direto?

A plataforma do Tesouro Direto tornou-se sinônimo de investimento em título público. Apesar de sua popularização, deve-se atentar para seus custos.

Para montar uma carteira de títulos de renda fixa, o investidor deve prestar atenção a fatores como: risco de crédito, indexador, prazo de investimento, IR e custos de negociação.

Com relação ao primeiro fator, é relevante caracterizar os títulos segundo o emissor, público ou privado.

Ao comprar uma debênture, título de crédito emitido por empresas para captar recursos, o investidor se torna credor dessa companhia. Por terem maior risco de crédito, os investidores em títulos privados são compensados com mais retorno. Contudo, deve-se tomar cuidado ao comprar crédito privado, pois uma empresa pode não cumprir seus pagamentos. Assim, não se recomenda comprar muitos títulos de um mesmo emissor para o portfólio.

Debêntures não possuem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). O investidor deve ler o prospecto da emissão para entender as garantias atreladas à emissão. Elas são a sua proteção caso a empresa não tenha recursos para honrar os pagamentos. Assim, quanto maiores a garantia e a qualidade de crédito do emissor, menor será o retorno que a debênture vai proporcionar acima do título público equivalente.

Com relação ao prazo, o investidor menos experiente deve evitar correr o risco de liquidez e de mercado. Ou seja, deve evitar a compra de títulos com vencimento superior ao momento que deseja utilizar os recursos.

Caso o investimento seja para aposentadoria, o investidor pode comprar títulos de longo prazo. Entretanto, se pretende investir para realizar uma viagem, a compra de títulos com vencimento longo pode gerar prejuízos no momento da venda devido a problemas de liquidez ou por variações de preço.

Outra vantagem de algumas debêntures é a ausência de IR para pessoas físicas.

Portanto, a melhor alternativa para uma carteira de renda fixa é diversificar com títulos públicos e privados como as debêntures

Publicado no Folha Online  em 29/09/2014.

Como superar poupança e inflação com baixo risco?

Há diversas alternativas com rentabilidade maior que a da poupança e superior à inflação, com nível de risco controlado.

Com o juro básico (taxa Selic) acima de 8,5% ao ano, a poupança com aplicação a partir de 4 maio de 2012 rende o mesmo que a com aplicação anterior a essa data. Esse rendimento é de 0,5% ao mês mais TR (Taxa Referencial), o que equivale hoje a cerca de 7,6% ao ano.

A estimativa média dos analistas para a taxa de inflação (pelo IPCA, índice oficial) para os próximos anos, coletada pelo Banco Central, está próxima a 6% ao ano. A poupança ganha da inflação, ainda que por uma pequena margem.

Para que uma aplicação apresente retorno efetivo superior ao da poupança, deve-se levar em consideração o rendimento após desconto do Imposto de Renda, pois a caderneta é isenta. Além da isenção de IR, a poupança tem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira, outro benefício que atrai aplicadores.

Essas vantagens também são oferecidas aos que aplicam em LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio). Para que essas opções sejam mais vantajosas que a poupança, basta que apresentem uma rentabilidade superior a 72% do CDI (taxa média de juros do empréstimo entre bancos), que hoje está em 10,55% ao ano. Não é difícil encontrar LCI e LCA com taxas superiores a 90% do CDI, ou seja, acima de 9,5% ao ano.

Também podem ser uma alternativa os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), emitidos pelos bancos, pois possuem a mesma garantia do FGC, mas não são isentos de IR.

Assim, o investidor que aplica por mais de dois anos deve descontar a alíquota de IR, de 15% para esse prazo, a fim de comparar com a poupança. Portanto, só deve optar por um CDB se ele render mais que 85% do CDI. Também devem ser considerados no universo de investimento os títulos públicos, no Tesouro Direto.

Publicado na Folha de S. Paulo em 17/03/2014.