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Bom humor colabora para o sucesso no ambiente corporativo

Profissionais bem-humorados têm mais chances de promoção e são mais bem remunerados. Isso é o que aponta estudo da Harvard Business Review. Por isso, entre as resoluções de ano novo, sorrir mais pode ser o caminho para uma promoção ou aumento salarial em 2018.

Apesar de existirem ainda poucas pesquisas nessa área do comportamento humano, a professora do Insper em Liderança e Gestão de Pessoas, Marilda Andrade, afirma que a postura de um colaborador, principalmente em cargo de liderança, reflete em toda a equipe.

“O senso de humor é uma competência que pode ser desenvolvida e um ambiente bem-humorado, leve e lúdico deve funcionar como um indicador de boa liderança e até eficácia na função. É fato que as empresas que contam com colaboradores bem-humorados têm suas culturas mais fortalecidas e tendem a ter mais sucesso que as demais”, defende Marilda.

Seriedade X bom humor

Ainda segundo uma pesquisa da consultoria empresarial Gallup, as pessoas riem menos nos dias de semana, ou seja, de segunda a sexta-feira, se comparado com o final de semana.

“Isso acontece porque há uma confusão entre os conceitos seriedade e bom humor no ambiente de trabalho, sendo comumente utilizados como opostos um do outro, quando na realidade não o são”, explica Marilda.

Segundo ela, a seriedade é o comprometimento em realizar as atividades atribuídas com excelência. Um profissional que se sente bem onde trabalha, está ao lado de quem admira e faz o que gosta, logo, é engajado com os resultados de toda a empresa.

“Infelizmente, ainda há quem confunda leveza e bom humor com futilidade ou falta de seriedade. E que, para mostrar que é sério, o profissional tem que ter a ‘cara fechada’ e agir com dureza”, afirma.

“As pessoas bem-humoradas são aquelas capazes de rir com os outros e, principalmente, rir de si mesmas. Essa capacidade demonstra facilidade em ser mais tolerante consigo próprio e com o próximo”, completa a professora.

Ela faz outro alerta para que os profissionais não confundam o bom humor com fazer piadas inconvenientes – rir dos colegas, gargalhar na hora errada ou agir com leviandade -, porque não são atitudes positivas.

Para colocar em prática

As dicas listadas pela especialista podem auxiliar os profissionais no ambiente corporativo:
• Reagir melhor aos erros e aprender com eles, conduzindo esse processo de aprendizado de maneira leve e percebendo os pontos positivos da situação;
• Ser mais flexível e conviver com as diferenças, entendendo que mudanças de percurso podem acontecer no meio corporativo;
• Desenvolver a criatividade, trazendo soluções inovadoras e elevando o padrão de desempenho;
• Contribuir com um ambiente de trabalho mais leve e bem-humorado, estimulando o engajamento das pessoas e para que não vejam o trabalho como algo negativo.

“O bom humor é contagioso e o mau humor também. Se desenvolvermos o nosso próprio senso de humor, podemos iniciar uma ‘contaminação do bem’ em nosso ambiente de trabalho”, finaliza.

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Perfil do líder em um time de vendas: um desafio

Por Marilda Peres Andrade

Sempre que um profissional é promovido para um cargo de liderança, é sabido que novas habilidades são exigidas dele. Estas novas habilidades são, na esmagadora maioria das vezes, muito mais relativas a comportamentos do que a conhecimentos técnicos. Nas áreas comerciais, esta mudança de expectativa com relação ao comportamento do novo líder acaba por tornar-se um grande desafio para todos os envolvidos, principalmente para ele mesmo, por diversas razões.

A primeira delas, e talvez a mais importante, é que estas novas aptidões são, comumente, diametralmente opostas àquelas que consagram um campeão de vendas. Mais do que em algumas outras áreas, vale aqui a máxima de que, ao promover-se o melhor técnico (diga-se o melhor vendedor), corre-se o duplo risco de se “perder” um ótimo técnico e se “ganhar” um gestor medíocre.

Claro que isto acontece em todas as áreas, e não só no ambiente empresarial. Como exemplo, pode-se citar o futebol, em que o melhor treinador não é necessariamente aquele que foi um jogador brilhante. Mas, nas áreas comerciais, pode-se afirmar que, dependendo do tipo de negócios e do mercado da empresa, aquelas habilidades que transformam o profissional em um campeão de vendas podem ser as mesmas que determinam o fracasso como gestor.

Vendedor X Gestor

O trabalho do vendedor é uma atividade, na maioria das vezes, individualista, que requer certa dose de agressividade, competitividade e que não exige muito da capacidade administrativa do profissional. Não há, ainda, comumente, a necessidade de uma visão estratégica e de mais longo prazo, já que seu sucesso é medido por resultados de curto prazo – geralmente mensais.

Já o líder de um time de vendas, dada a própria natureza de seus liderados, tem que desenvolver, principalmente, um trabalho de “coaching”. Como é própria do trabalho do vendedor a execução de suas atividades se dar, em grande parte, longe da supervisão direta do líder, o principal objetivo deste tem que ser o desenvolvimento pleno do potencial de todos os integrantes do grupo.

Mudanças Necessárias

Isso requer uma postura muito mais altruísta e um espírito de equipe bastante desenvolvido. Requer, ainda, grande aprimoramento das habilidades de desenvolver empatia, de provocar a motivação das pessoas e de compartilhar suas experiências. A competitividade deve ser substituída pela construção de um ambiente em que se compartilhem os interesses e as ações sejam voltadas para a edificação da visão e da missão empresarial. Uma concepção estratégica se faz necessária para o correto entendimento dos objetivos de longo prazo da organização, de forma a delinear e conduzir a equipe com vistas à concretização das etapas que levem à realização desses objetivos.

As mudanças aqui citadas são somente exemplos que demonstram que a transição para um cargo de gestão é complexa. Mas, certamente, vale muito a pena. Ter a oportunidade de ser responsável por uma equipe que deve ajudar a garantir as receitas e, portanto, a sobrevivência da empresa, é uma experiência que traz muita satisfação. Se você acha que tem perfil para desenvolver as habilidades necessárias, batalhe pela posição. Você não vai se arrepender.

Sobre a autora

Marilda Peres Andrade é professora de cursos de MBA e programas corporativos das cadeiras de Gestão de Vendas, Negociação, Desenvolvimento de Vendedores, e Liderança e Gestão de Pessoas. Psicóloga, com MBA pelo Insper e especializações em Gestão Estratégica de Negócios, Negociação e Gestão de Pessoas pela Fundação Getúlio Vargas.