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O desempenho na educação básica como fator de influência na escolha da carreira

Muito se tem discutido na imprensa nacional sobre a escassez de engenheiros no Brasil e isto fica ainda mais crítico com a alta na demanda gerada pelo crescimento do país. Mas além da Engenharia, a demanda por outros cursos (como Matemática, Física e Química) também é objeto de estudos, tanto pelo baixo número de professores formados como pelo baixo desempenho destes estudantes. Além disso, antes do ensino superior, os exames de avaliação da educação básica também evidenciam a baixa performance do estudante, por exemplo, para o PISA – Programa de Avaliação Internacional de Estudantes – de 2009, ainda ocupamos o 53º lugar em um ranking de 65 países.

Existem diversos estudos a fim de melhor examinar o cenário da educação do país, mas em geral, ou têm como alvo a educação básica, ou têm como propósito analisar especificamente o ensino superior. Pouco se encontra na literatura acerca da relação entre o desempenho do aluno na educação básica com a escolha da profissão no ensino superior.

Neste sentido, este estudo propôs analisar se uma boa performance especificamente em Matemática, ao longo da educação básica, tem influência na busca por carreiras como engenharia, administração, economia, arquitetura, medicina, direito, matemática e física, observe que a pesquisa utilizou cursos de diversas áreas, como Exatas, Humanas e Biológicas. O estudo foi realizado em duas fases, onde na primeira foi gerado um ranking de performance educacional em matemática englobando as 27 unidades federativas do Brasil. Nesta fase identificamos quais estados possuem os melhores alunos em matemática. Na 2ª fase, relacionamos os resultados obtidos na 1ª fase, com os dados de procura no vestibular (alunos que se inscrevem) e de ingressantes (alunos que ingressam nos cursos) para todos os cursos superiores citados anteriormente.

Como resultados principais pode-se destacar primeiro, como suposto, que os cursos de engenharia têm maior procura em estados com melhor desempenho em matemática (por exemplo: RS, SC e MG). Entretanto, outro resultado importante encontrado nessa pesquisa refere-se aos cursos de matemática e física (que incluem, em sua maioria, cursos para formação de professores). Estes cursos têm maior procura em estados com menor desempenho em matemática. Exemplo disso, o estado do Piauí é o que possui a maior procura pelo vestibular de matemática, mas está com baixo desempenho. Comparando o PI com um estado com o melhor desempenho, RS, por exemplo, se este estado (RS) tem 100% de desempenho, o estado do PI está com 57% de desempenho em matemática. E esse é o fator mais preocupante da pesquisa, pois sabemos que a qualidade do professor tem influencia direta no desempenho do aluno. Ou seja, se grande parte dos professores da educação básica (nesse caso da área de exatas) são aqueles que tiveram uma má formação nessa área, então fica óbvio que a qualidade da educação básica está realmente comprometida.

Por fim, a pesquisa deixa claro que essa situação só irá se reverter quando for dada a devida importância à formação básica do indivíduo. Primeiro precisamos melhorar a base, ou seja, os anos iniciais do ensino fundamental para então gerarmos melhores alunos para a sociedade que serão então os novos professores com uma formação acadêmica bem mais adequada.

Leia pesquisa na íntegra.

Ouça a entrevista da Profª. Maria Cristina Gramani falando na CBN sobre o assunto.

O impacto da eficiência das companhias aéreas regionais nos demais segmentos

Estudo premiado como “Best Paper Award”, na área de “Logistics & Transportation Management” no “Global Academy of Business and Economics Research International Conference”, em outubro de 2011.

Estudos acerca do transporte aéreo buscam, em geral, relações entre dois segmentos de companhias aéreas, full service e low cost. Ambas realizam rotas nacionais e internacionais que ligam os principais centros econômicos e populacionais (cidades com mais de 1 milhão de habitantes), mas a característica principal da empresa aérea low cost consiste na estratégia de eliminar custos relacionados a serviços clássicos a fim de oferecer tarifas mais baixas. Costuma-se então analisar o impacto das empresas de baixo custo (low cost) na estratégia de preços/serviços de companhias full service. No entanto, existe um significativo crescimento de outro segmento de companhias aéreas no Brasil, o de regionais, as quais fazem a ligação entre as cidades de pequeno e médio porte com aquelas servidas pelas companhias aéreas nacionais.

As companhias aéreas regionais começaram a operar no Brasil em 1975 com o intuito de expandir a cobertura de rotas aéreas no país, e seu desenvolvimento é notável, desde 2004 o crescimento da receita foi de 84,5%. Portanto, assim como as companhias aéreas low cost tiveram um impacto significativo na estratégia do segmento full service, existe um grande potencial para que o crescimento das companhias aéreas regionais também tenha uma forte influência sobre os dois outros segmentos.

Desta forma, se torna importante pesquisar os seguintes dois pontos: (1) verificar a comparação entre as eficiências operacional e financeira nos três segmentos das companhias aéreas no Brasil: low cost (LC), full service (FS) e regional (RG), e (2) investigar se o segmento RG tem influência significativa nos outros dois segmentos, no sentido da eficiência operacional e financeira.

A primeira parte desse estudo mediu a eficiência operacional e financeira de 26 empresas aéreas brasileiras, durante um período de cinco anos (2004-2008), divididas em três segmentos: full service (FS), low cost (LC) e regional (RG). Em termos de desempenho, o segmento FS está no topo do ranking da eficiência operacional, o que vai de acordo com outros estudos que relatam os esforços de reestruturação deste segmento, levando a reduzir custos e melhorar a produtividade.

Com relação à eficiência financeira, o segmento RG está no topo do ranking, entretanto também ocupa a mais baixa posição em desempenho operacional. Isso mostra que um desempenho financeiro superior não implica necessariamente em uma eficiência operacional satisfatória.

A segunda parte dos resultados refere-se ao impacto do segmento RG nos dois outros segmentos. Os resultados revelam uma significativa influência deste segmento na categoria FS. Os resultados mostram que a entrada da categoria RG alavanca tanto a eficiência financeira como a operacional das empresas aéreas full service, supostamente por meio de filiações e parcerias entre estas duas categorias. Outros resultados também mostram que, caso as companhias regionais não fossem consideradas na análise, os segmentos FS e LC apresentariam performances bastante semelhantes.

Leia o estudo na íntegra.