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Agricultura brasileira é exemplo mundial em produtividade e inovação

A agricultura é exemplo de inovação no país, além de ser um dos maiores players quando se fala de produtividade. Terceiro maior exportador do mundo, o setor agrícola nacional sempre aposta em novas tecnologias – 25% dos drones em operação no Brasil são usados pela área, de acordo com dados da MundoGeo, promotora da principal feira de drones do país, a DroneShow. O problema é que tal desempenho não é reconhecido internamente e é desconhecido no exterior.

Para discutir o tema, o Insper organizou o evento As lições da agricultura para a produtividade da economia brasileira, no último 17 de agosto. Aberto por um painel com o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, o encontro lançou a versão em português do livro Economia e Organização da Agricultura Brasileira, do professor Fábio Chaddad. A edição em inglês foi lançada também no Insper, em 2016. Veja aqui como foi.

Publicado pela editora Elservier, a obra de Fábio Chaddad traz uma boa reflexão sobre o que foi abordado no evento. Além de contar a história da agricultura brasileira, desenvolveu formas organizacionais inovadoras para obter ganhos de produtividade e competitividade na região tropical do planeta, que deveriam servir de exemplo para os formuladores de políticas globais.

O evento de lançamento ainda contou com um debate sobre a obra com Elizabeth Farina, diretora-presidente da UNICA, Marcos Jank, líder do grupo Asia-Brazil Agro Alliance, e Rodrigo Santos, presidente da Monsanto do Brasil. A conversa foi moderada pelo professor Carlos Melo.

Produtividade

Adam Smith já apontava em A Riqueza das Nações (1776) que a produtividade tinha um papel importante. A passagem mais famosa do livro é a da fábrica de alfinetes, quando ele percebe que é possível produzir bem mais com os mesmos recursos. Esse princípio, entretanto, não mereceu a atenção que merece nos últimos anos.

Em 2016, a produtividade brasileira registrou crescimento de apenas 24% desde a década de 1980, um aumento de 0,6% ao ano. No período entre 1950 e 1980, o ritmo de crescimento havia sido sete vezes maior, de 4,2% ao ano. Muito desse desempenho se deveu à migração das pessoas do campo para cidade e às reformas do governo Castello Branco.

“Castello Branco protagonizou o maior período de reformas na história do Brasil”, afirmou Nóbrega em sua exposição no evento. “Em apenas três anos, criou o Banco Central, um sistema tributário moderno, fez uma reforma tarifária, criou as famosas cadernetas de poupança, aprovou a lei do mercado de capitais, enfim, apresentou um conjunto bem expressivo”, completou.

Com a crise dos anos 1980 e reformas estagnadas, o Brasil transitou para uma economia de baixa produtividade e, assim, de baixo potencial de crescimento. A razão para a queda tem algumas causas: sistema tributário caótico, legislação trabalhista obsoleta, baixo incentivo à inovação. “Hoje, o ICMS é algo que não pode ser salvo. Ele muda 70 vezes por semana e é a principal causa de queda de produtividade”, afirmou Nóbrega.

Um dos setores que estão salvando a produtividade brasileira é o agronegócio. Só no setor, a produtividade representa 92% do crescimento.

Papel da agricultura

Os ganhos nos últimos anos marcaram o crescimento do agronegócio no Brasil, colocando o setor na posição de protagonista da economia do país. Enquanto a produção de outros segmentos aumentou no máximo 1% ao ano, a produtividade agrícola apresentou crescimento anual de cerca de 3% desde 1975.

Para Marcos Jank, alguns fatores levaram o Brasil aos ganhos de produtividade na agricultura, como a queda no preço dos alimentos de 80% desde os anos 1980. “Fabio mostra que recursos naturais, tecnologia e subsídios foram condições relevantes, mas não suficientes, para o sucesso observado no agronegócio. Na verdade, esse sucesso nasce de milhares de empreendedores anônimos que desbravaram o país, se organizando por meio de sistemas agroindustriais inovadores que geraram aumentos de produtividade sem paralelo”, acrescentou.

Segundo Elizabeth Farina, para o Brasil se projetar como player internacional são necessárias mudanças institucionais. Opinião compartilhada por Rodrigo Santos. “Vivemos em um país fechado que não tem acordo de comércio. A agricultura brasileira ganharia muita competitividade com o mercado aberto, seja com a União Europeia, NAFTA ou outro bloco econômico. Precisamos mudar as regras do jogo”, afirmou o presidente da Monsanto.

O cenário futuro, porém, é bastante positivo. Para Nóbrega, o Brasil é o país que apresenta mais condições de continuar a crescer entre os maiores produtores mundiais (EUA, China, União Europeia e Índia). E mais: os brasileiros são os únicos no mundo que conseguem colher até três safras ao ano. No Centro-Oeste, é possível trabalhar com soja, milho e pecuária (integração lavoura-pecuária).

Mais sobre o livro

Leia artigo de Marcos Jank sobre o livro: Fabio Chaddad explicou como ninguém o agronegócio brasileiro.

O livro também inspirou Maílson da Nóbrega a escrever um artigo, publicado na Veja no início deste ano: Uma revolução no campo

Assista a íntegra do evento, transmitido online: