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Carga tributária e taxa de analfabetismo influenciam investimento estrangeiro direto no Brasil

Carga tributária estável e baixo analfabetismo ajudam a atrair investimento estrangeiro direto (IED) para os Estados brasileiros, aponta pesquisa da professora Adriana Bruscato Bortoluzzo, em coautoria com Maurício Bortoluzzo, professor do Insper, e Sergio Sakurai, da USP.

De acordo com os cálculos dos pesquisadores, uma redução de um ponto percentual na carga tributária de um Estado leva a um aumento de cerca de 25% no IED per capita. Já a redução de um ponto percentual na taxa de analfabetismo resulta em acréscimo de aproximadamente 7%. “Estados que reduziram a taxa de analfabetismo e mantiveram a carga tributária relativamente estável se saíram melhor”, afirma Adriana.

Percentual no PIB do Estado, custo da mão de obra, extensão da malha rodoviária pavimentada e tamanho do mercado consumidor foram outros fatores analisados pelo estudo. O aumento no PIB do Estado eleva em 9% o IED per capta, enquanto a redução no custo da mão de obra, aumenta 8%, em média, o IED per capta.

“Os resultados mostram que os investidores são sensíveis a variações da carga tributária e que incentivos fiscais funcionam”, explica Adriana.

Na comparação do custo da mão de obra, os Estados que apresentaram queda se beneficiaram com mais investimentos. Quanto à malha rodoviária, Estados com menor extensão de estradas pavimentadas normalmente apresentam nível mais baixo de IDE per capita.

Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso eram os três Estados com os maiores níveis de IDE per capita em 2005. Com os patamares mais baixos apareciam Paraíba, Alagoas e Piauí.

Os dados analisados são os do censo de capitais estrangeiros, levantados pelo Banco Central para os anos de 1995, 2000 e 2005.

IED é quando o investidor detém pelo menos 10% de ações ordinárias ou com direito a voto numa empresa ou sob carteira, quando for inferior a 10%.