Fóruns Estadão Brasil 2018 – Meio ambiente

Insper Instituto de Ensino e Pesquisa

Realizamos em 28/08 o 5º encontro do projeto “Fóruns Estadão Brasil 2018”, fruto de nossa parceria educacional com o jornal O Estado de S. Paulo. Nesta oportunidade, o seminário debateu o tema meio ambiente.

O primeiro painel abordou o tema “Evidências de danos ao meio ambiente, aquecimento global e riscos para a sociedade?” e com moderação foi feita por Cley Scholz, jornalista do Estadão, contamos com a presença de Patrícia Pinho, pesquisadora do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE e Ricardo Abramovay, professor titular do Departamento de Economia da FEA – USP e do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Scholz iniciou o debate trazendo duas importantes questões sobre o meio-ambiente: a atual falta d’água no sistema de abastecimento na região metropolitana de São Paulo e o esgotamento das reservas naturais. Em seguida, Patrícia Pinho trouxe ao debate as três principais esferas de discussão dos desafios do aquecimento global: as evidências científicas nas mudanças climáticas causadas por ações antropogênicas; a interconectividade entre os que causam os impactos e quem os sofre; e o desafio para acordos coletivos entre sociedade e governo numa escala global.

“90% dos trabalhos científicos mostram evidências robustas das mudanças no clima. Chuvas extremas e estiagens mais prolongadas são cada vez mais rotineiras”, disse a Patrícia Pinho

Em seguida, ao iniciar sua fala, Ricardo Abramovay ressaltou que nosso país está bastante atrasado quanto à integração do crescimento econômico ao uso e preservação de recursos naturais. O professor também trouxe evidências de como o clima têm sido afetado pela emissão de gases oriundos da queima de combustíveis fósseis e da destruição de florestas e outros ecossistemas. Ao falar especificamente da carência de água no Sudeste, afirmou que a mesma é o resultado da exploração ilegal e desenfreada da Amazônia que tem papel fundamental no equilíbrio climático do país e de outras regiões distantes. Abramovay finalizou sua participação trazendo para o centro do debate que o impacto das ações econômicas no meio-ambiente não é transferido aos preços dos bens produzidos. Precisamos criar condições para inovarmos, refletindo os custos ambientais nos insumos industriais e serviços e assim poderemos aproveitar as oportunidades de preservação ambiental de maneira mais promissora.

“Essa destruição da Terra teria de ser passada para os preços dos produtos, mas isso ainda não acontece. Deve ocorrer, mas não há tempo para esperar”, analisou Ricardo Abramovay

Assista ao vídeo completo do 1º painel.

Após um breve intervalo, iniciou-se o 2º painel, que abordou o tema “Brasil, uma potência ambiental. Como conciliar desenvolvimento econômico, aspectos sociais e preservação ambiental?” e teve moderação de Priscila Claro, professora do Insper e especialista em sustentabilidade empresarial. Este debate contou com a presença do Diretor de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho da  Fiat Chrysler para a América Latina, Cristiano Felix; de José Goldemberg, professor da USP e integrante do Instituto de Energia e Ambiente; de Francisco Graziano, diretor de Relações Institucionais da Camargo Corrêa e também de Sérgio Besserman Vianna, professor da PUC/RJ e da membro da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro.

O grupo FIAT, a partir dos anos 90, incorporou a questão ambiental a sua estratégia empresarial. Como principal exemplo, Cristiano Felix ressaltou que a montadora promove a gestão integral de resíduos fabris, ao reciclar parte desses subprodutos e compartilhar os resíduos de valor econômico com comunidades vizinhas à fábrica. Cristiano ponderou que a montadora investe em pesquisa e conta com protótipos que incorporam inovações, por exemplo, os carros elétricos, mas que essas tecnologias ainda não têm um preço competitivo para serem lançadas no mercado.

“Este fórum traz a tona um grande desafio para o nosso país que é o desenvolvimento econômico ampliado ao desenvolvimento ambiental”, disse Cristiano Felix.

Em seguida, José Goldemberg, sinalizou que o Brasil tem um grande potencial ambiental, frutos de um quadro geográfico que herdamos. Cabe ao país fazer escolhas que em alguns casos trarão impacto ambiental, mas que beneficiarão à qualidade de vida de milhares de habitantes, por exemplo, trazendo a energia elétrica. Goldemberg falou mais precisamente sobre o projeto de Belo Monte e criticou a estratégia de contarmos com um reservatório de pequena capacidade, o que traz mais riscos e custos ao sistema energético e ainda pontuou que as fontes alternativas como a energia solar e eólica têm um papel importante, mas ainda não são alternativas de escala. O físico ainda ressaltou que no processo de escolhas o país pode usar erros e acertos cometidos como parâmetros para escolhas realistas, evitando danos desnecessários ao meio ambiente e as comunidades impactadas.

“”Não temos (Brasil) nenhuma necessidade de repetir os erros do passado.  A China sabe bem disso. Está investindo em reflorestamento e em uso de tecnologia moderna”, afirma o professor Goldemberg. “O Brasil tem de seguir essa caminho.”, disse José Goldemberg ”

Francisco Graziano, diretor de Relações Institucionais da Camargo Corrêa, abre seu discurso falando sobre a transferência de investimentos de recursos energéticos para a Amazônia, já que no Sudeste estão praticamente esgotados e reforçou a importância para que a sociedade discuta as necessidades das comunidades com a coordenação dos diversos ministérios.

“Os benefícios à comunidade – hospitais, postos de saúde, conselho tutelar – precisam chegar antes dos empreendimentos no Brasil”, afirmou Francisco Graziano

Finalmente, o economista Sérgio Besserman, destacou que ainda trabalhamos com uma perspectiva antagônica entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico. Para Sérgio, o Brasil tem uma grande oportunidade ao integrar o desenvolvimento do país à questão ambiental à partir de uma visão econômica da preservação e da exploração de bens e recursos naturais. Sérgio defendeu que os custos advindos do impacto ambiental sejam incorporados a serviços e produtos, não só em nosso país, mas em escala mundial.

“Não temos governança para focada em buscar de soluções adequadas (para a preservação ambiental). Há preocupação enorme de fiscalizar o cumprimento de várias leis, porém não se avalia os resultados das medidas”, analisou Sergio Besserman.

O  último painel debateu o tema “A complexidade regulatória no Brasil e a necessidade de uma agenda de longo prazo” e nele participaram a Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, Marina Grossi, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e Shelley Carneiro, da Confederação Nacional Das Indústrias (CNI).

Marina Grossi  destacou em sua fala o comprometimento do meio empresarial com a questão dando ênfase ao projeto Ação 2020, uma plataforma que apresenta um grupo de ações indicadas para orientar grupos empresariais, esferas públicas e a sociedade quanto a esforços  de desenvolvimento sustentável nos próximos anos. A representante do CEBDS também falou sobre a dificuldade de coordenação de negociações feitas em fóruns de representantes de estado a negociações setoriais e locais.

“Acordos ambientais são feitos entre nações, mas não entre empresas”, analisou Marina Grossi

Em seguida, foi a vez de Shelley Carneiro trazer seus pontos de discussão e defendeu uma maior integração do debate ambiental ao desafio do desenvolvimento econômico ressaltando que o empresariado reconhece a importância estratégica da questão. Shelley dividiu uma percepção bastante compartilhada pelos empresários, os prazos relacionados ao licenciamento ambiental ainda são muito extensos e que esse quadro traz custos e inibe investimentos. A aprovação ambiental definitiva pode tomar até 28 meses, prejudicando projetos de expansão de pequenas, médias e grandes empresas. O representante do CNI reconhece avanços na legislação, mas ressaltou a importância das partes relacionadas adotarem uma postura mais propositiva.

“Nem os advgados especialistas conhecem todos instrumentos legais na área de licenciamento ambiental, tamanha a confusão. São necessárias regras claras, que não estejam sujeitas a variadas interpretações”, disse Shelley Carneiro.

Encerrando o painel e o seminário, a Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, criticou a polarização das discussões, defendendo que ambientalistas e agentes econômicos já investiram muitos esforços na discussão das divergências e que todos poderiam adotar uma atitude pragmática. A ministra defendeu a incorporação da questão econômica no debate de questões ambientais e que essas discussões merecem uma abordagem mais eficiente tanto na escala global como no Brasil. As negociações são transnacionais e nos últimos anos, os representantes de países, corporações e ambientalistas não conseguiram responder aos impactos já conhecidos e às crises a contento.

“O paradigama de sustentabilidade discutido em 92 não é o mesmo do debatido em 2012. Clima não é mais um problema exclusivamente da área ambiental, mas sim da econômica”, disse a ministra Izabella Teixeira.

 

Assista ao vídeo completo do 2º e 3º painel.

 

Como parte do projeto, o ‘Estadão’ lançou um caderno especial com toda a cobertura do evento acrescido de matérias e artigos exclusivos da edição impressa. As matérias podem ser lidas na íntegra nos links abaixo:

Mudança na gestão ambiental é urgente

País melhora o ar, mas descaso com as águas continua

Satélites não detectam “mato denso”

A Estrada da sustentabilidade

Preservação vira peça chave para crescimento econômico

Mudar hábitos é a única saída

Falta preparo em equipe ambiental

 

Assim como nos outros quatro eventos da série que debateram respectivamente Educação, Segurança, Saúde e Infraestrutura, o jornal também disponibilizou conteúdo adicional à versão impressa em uma página dedicada à cobertura deste evento e pode ser acessado neste link.

 

Promover o debate sobre temas relevantes para o desenvolvimento do país é nosso objetivo com esta parceria. Confira a agenda com o último evento:

Programação dos eventos Brasil 2018 (09h – 13h):

Data Evento
18/09/2014 (quinta-feira) Insper – Fóruns Estadão Brasil 2018 – Agricultura

 

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O Insper foi parceiro educacional do projeto que discutiu os principais temas para desenvolvimento do país. Saiba mais.

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