BMSP- Bolsa de Mercadorias de São Paulo

Insper Instituto de Ensino e Pesquisa

Autores/Pesquisadores: Pedro Carvalho de Mello

Área: Finanças (FF)

 

Código de Identificação do Caso: FF-P0002

Código de Identificação da Nota de Ensino: FF-P0002-TN

 

A Bolsa de Mercadorias de São Paulo (BMSP) foi uma importante instituição no Brasil. Criada em 1917, encerrou suas atividades em 1991, numa fusão com a BM&F (atual Bolsa de Mercadorias e Futuros). A BMSP caracterizou-se, nas suas três primeiras décadas de existência, por um vigoroso esforço para desenvolver a cadeia de agronegócios de algumas commodities agrícolas, especialmente o algodão. Nesse período, a BMSP implementou um importante mercado de futuros agrícolas. Nas décadas de 1950, 60 e 70, os negócios com contratos futuros praticamente desapareceram. A BMSP manteve, no entanto, sua arquitetura organizacional de pregão e clearing, com o objetivo de reiniciar suas negociações com contratos futuros. Essa oportunidade pareceu surgir na década de 1980, e este estudo de caso procura discutir o processo de escolha estratégica da BMSP.

Nos anos 1980, ocorreram fortes mudanças macroeconômicas no país. Foram também anos de grandes mudanças nas bolsas de mercadorias internacionais, com a introdução de diversos tipos de contratos financeiros. No Brasil, nessa época, começa a ameaça de disputa dos novos mercados por parte das bolsas de valores. Nesse contexto, a BMSP enxergou na negociação de contratos futuros de ativos financeiros uma maneira de se proteger da concorrência e, ao mesmo tempo, de expandir seus negócios em novos mercados.

O caso inicia com uma discussão sobre estratégia de lançamento de contratos de derivativos. Apresentam-se as etapas de lançamento e obtenção de liquidez de um novo contrato futuro. Em seguida, são expostos os principais elementos do cenário macroeconômico e do cenário competitivo do país. Analisa-se aí o cenário macroeconômico dos anos 1980, o cenário competitivo na indústria de mercados futuros, a competição entre bolsas de valores e de derivativos, o papel das inovações financeiras e as diferenças de cultura financeira das corretoras das duas bolsas. As seções seguintes apresentam uma discussão dos protagonistas e do “problema de agência” das bolsas.

A questão da opção estratégica está ligada, numa certa medida, ao tema das inovações financeiras. Pode ser resumida como: qual o melhor rumo a tomar pela BMSP, manter-se “agrícola” ou tornar-se “financeira”? Focar a estratégia de atuação em contratos agrícolas ou expandi-la para derivativos de ativos financeiros? Lutar pela hegemonia do mercado ou acomodar a entrada da BM&F? Como reagiriam os dirigentes em face da rivalidade entre as duas bolsas?

 

Objetivos de aprendizagem

O interesse deste caso, para fins de discussão estratégica, é tratar as bolsas como empresas, que vendem um “produto” (ou seja, prestam um rol de serviços para negociação dos contratos futuros) e necessitam disputar vendas (conseguir liquidez nos contratos) e enfrentar concorrentes (no caso, a recém-criada BM&F). Dessa forma, os objetivos educacionais deste caso são:

  • discutir o papel e as funções dos mercados futuros na economia, a evolução desse instrumento financeiro como ferramenta de hedge e a sua colaboração para o fomento dos mercados financeiros e de commodities;
  • discutir os principais elementos que tornam bem-sucedido o lançamento de um contrato futuro. Assim, deve-se buscar entender a complexa interação de elementos de mercado e de gestão estratégica necessários para alcançar êxito no lançamento do contrato e na obtenção, ao longo dos anos subseqüentes, de crescente liquidez;
  • analisar a atuação empresarial das bolsas de futuros, suas estratégias de negócios e os desafios competitivos colocados por inovações, mudanças tecnológicas e evolução de novos mercados;
  • discutir a competição entre as bolsas, as ameaças de tomada hostil, aquisição ou fusão e de entrada ou saída de mercados de ativos financeiros e/ou commodities;
  • analisar a arquitetura organizacional das bolsas no que diz respeito ao processo de tomada de decisão por bolsas de propriedade de corretoras (colegiados do tipo “clubes”) vis-à-vis aos modelos de gestão quando as bolsas são organizadas como empresas (sociedades anônimas de capital aberto);
  • analisar esse processo de opção estratégica quando se enfrentam personagens oriundos de uma cultura industrial/comercial (a BMSP) com personagens oriundos de uma cultura de mercados de ações/financeira (BM&F). Uma questão interessante é perguntar por que a BMSP não tentou lançar produtos como os da BM&F, como índices, por exemplo.

 

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