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Mulheres ainda são minoria nos cargos de liderança

Apesar da presença consolidada no mercado de trabalho, as mulheres ainda enfrentam dificuldades para alcançar os cargos de liderança. Apenas 8% das empresas brasileiras têm mulheres como presidente e somente 21% em cargos de diretoria.

Os dados são da pesquisa “Panorama Mulher 2017: a presença das mulheres na liderança das empresas”, realizado pelo Insper em parceria com a Talenses no primeiro semestre deste ano. A equidade de gênero nas corporações é um problema mundial e há poucos dados sobre o assunto no Brasil, por isso a importância do estudo recém-divulgado.

Mais de 330 empresas participaram do levantamento. Nem todas as companhias possuem cargos de vice-presidências, diretorias ou conselhos de administração. Entre as que têm essas posições, a presença das mulheres é menor quando comparada a dos homens.

A pesquisa revelou ainda que em 52,5% das empresas que possuem cargos de vice-presidência e em 62% das companhias que possuem conselhos de administração não há nenhuma mulher ocupando essas posições.

Quando analisados os dados referente aos cargos de diretoria, a posição hierárquica mais baixa considerada pela pesquisa, 33% das empresas que têm este cargo não possuem uma mulher como diretora.

Luz no fim do túnel

A equidade de gênero vem ocupando cada vez mais espaço nas agendas das empresas e quando a liderança está engajada no tema, o número de mulheres em cargos de liderança tendem a aumentar.

Uma análise dos dados coletados demonstra que nas empresas que há mulheres ocupando cargos de presidência, a presença feminina em cargos de liderança é maior. Quando a presidente é mulher há 26% mulheres em cargos de vice-presidência, quando o presidente é homem, este percentual cai para 17%. O mesmo ocorre nas posições dentro dos conselhos e diretoria, que trazem percentuais iguais, 15% contra 10%.

Sobre a pesquisa

O estudo foi conduzido por Regina Madalozzo e Rinaldo Artes, pelo Núcleo de Estudos de Gênero, no Centro de Estudos em Negócios do Insper, em parceria com a empresa de recrutamento Talenses. Das 339 empresas que responderam à pesquisa, 75% são do setor de serviços. A maioria delas está localizada em São Paulo (70%) e Rio de Janeiro (22%).

As empresas respondentes têm 500 funcionários ou mais (57%) e 53% possuem sede no Brasil, 23% na Europa e 19% na América do Norte. Com relação à estrutura de capital, 64% das participantes possuem capital fechado e 13% têm capital aberto e negociado em bolsa de valores.

 

Como a localização contribui para refinar a classificação de crédito

Modelos de credit scoring são ferramentas importantes para análise e concessão de crédito. Tais modelos medem, por meio de cálculo estatístico baseado em variáveis idiossincráticas e fatores macroeconômicos, a probabilidade de inadimplência de um possível cliente. O uso de modelos de regressão logística para mensurar o risco de inadimplência já é prática comum e a maioria dos bancos brasileiros utiliza um sistema de credit scoring, cuja complexidade varia de acordo com cada instituição. Acrescentar uma variável espacial ao modelo leva a sistemas mais precisos. Foi esse o trabalho desenvolvido por Guilherme Barreto Fernandes como dissertação de mestrado, orientado por Rinaldo Artes, professor do Insper. O texto original foi publicado no European Journal of Operacional Research. Fernandes concedeu a entrevista abaixo ao Insper Conhecimento.

Insper Conhecimento: Qual a contribuição do trabalho publicado no European Journal of Operacional Research para identificar a relação entre localização da empresa, logística e inadimplência?
Fernandes: Em nosso trabalho, criamos um método para captar o efeito da atividade econômica local no risco de crédito da empresa sob análise. Por questão de inexistência dos dados, a técnica chamada krigagem foi utilizada para estimar o efeito da mudança da atividade econômica local. Essa técnica, muito utilizada em geologia e epidemiologia, se baseia na correlação espacial dependente da distância entre a empresa analisada e todas as demais na sua vizinhança.

Como isso pode ajudar a criar ou sofisticar modelos de credit scoring?
A técnica resulta numa nova informação sempre presente nos bancos de dados tradicionais, mas nunca utilizada anteriormente. O desempenho de um modelo de credit scoring depende fortemente das variáveis preditoras disponíveis e o resultado da técnica é uma nova variável chamada de risco espacial.

O que a pesquisa revela no caso brasileiro?
Observamos que em muitos lugares a correlação espacial entre empresas varia. Por exemplo, em São Paulo a correlação espacial entre empresas que distam até 500 metros é relevante, enquanto em Belo Horizonte essa distância aumenta para 3 quilômetros. Em resumo, isso quer dizer que para entender o nível de atividade econômica local precisamos observar uma região com raio seis vezes maior na capital mineira do que na capital paulista.

Quem se beneficia com o uso da variável espacial, de localização da empresa, em modelos de credit scoring?
Quando se tem mais informações sobre a empresa, incluindo a realidade econômica regional, é possível dimensionar o risco de crédito de maneira mais acurada. Em termos práticos, bancos, financeiras e fornecedores em geral podem oferecer linhas mais adequadas à capacidade de pagamento de cada empresa. Isso está diretamente relacionada à concessão de crédito de qualidade, garantindo a saúde do sistema financeiro nacional.

O que o método agrega quando se trabalha com regiões ou cidades pequenas?
Nos modelos de credit scoring tradicionais é prática comum criar agrupamentos de CEP baseado na taxa de inadimplência. Um dos problemas dessa metodologia é que pequenas regiões tendem a ser agrupadas até que o número de empresas seja em quantidade suficiente para ter uma boa estimativa dos parâmetros do modelo. Isso cria grupos com pequenas cidades que, de tão distantes, vivem realidades completamente diferentes. O método proposto trata cada empresa de maneira única e a distância entre vizinhos é levada em consideração no cálculo do Risco Local.

O que o motivou a escolher o tema para sua dissertação?
Trabalhei muito tempo com modelagem de risco de crédito para pessoa jurídica e o método tradicional de tratar regiões via agrupamento de CEP sempre foi um ponto de questionamento. Uma das questões é que ele não capta a mudança de risco ao longo do tempo. Basicamente, o método tradicional “carimba” determinada região como boa ou má. O novo método captura a situação atual do Risco Local e ele pode se alterar em pouco tempo.

Os resultados encontrados foram úteis para seu trabalho? Como vocês os utilizou?
Os Modelos de Risco Espacial foram produtizados pela Serasa Experian e agora fazem parte dos principais modelos de credit scoring utilizados no Brasil.

Leia a dissertação: Mensuração do risco de crédito espacial e sua incorporação nos modelos de credit scoring.

Acesse o artigo publicado no European Journal of Operacional Research.