[{"jcr:title":"Dois filmes e uma série sobre genética"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Dois filmes e uma série sobre genética","jcr:description":"O professor de bioengenharia Paulo de Paiva Amaral indica três opções para quem quer conciliar entretenimento com ficção científica de qualidade"},{"subtitle":"O professor de bioengenharia Paulo de Paiva Amaral indica três opções para quem quer conciliar entretenimento com ficção científica de qualidade","author":"Ernesto Yoshida","title":"Dois filmes e uma série sobre genética","content":"O professor de bioengenharia Paulo de Paiva Amaral indica três opções para quem quer conciliar entretenimento com ficção científica de qualidade   Tiago Cordeiro   Três temas parecem alimentar a ficção científica mais do que quaisquer outros, especialmente nas produções audiovisuais. Um deles é o espaço. As produções que reproduzem situações e dramas baseados em outros planetas são incontáveis e costumam receber altos orçamentos, proporcionais às bilheterias que arrecadam — casos de Avatar e 2001 , passando por Interstellar e as sagas Star Wars e Star Trek . Inteligência artificial é outro assunto que circula entre as produções cinematográficas de peso, com exemplos famosos como Exterminador do Futuro e Matrix , ou mesmo Wall-E e Eu, Robô . Outra obsessão de décadas é a genética. A possibilidade de manipular as bases da vida, criando clones, ou seres humanos recombinados com outros animais, ou monstros que de outra forma jamais existiriam na natureza, há décadas alimenta filmes e séries. Quando procurado para recomendar três filmes de suas preferência neste departamento, o professor Paulo de Paiva Amaral respondeu rápido com suas indicações — sinal de que está sempre atento às possibilidades de conectar sua atividade profissional com entretenimento. Professor de bioengenharia do Insper, Amaral é coautor de um livro sobre RNA que, desde o lançamento, em setembro passado, tem se mostrado um grande sucesso, [reconhecido com prêmios internacionais](https://www.insper.edu.br/noticias/livro-de-professor-do-insper-sobre-rna-ganha-tres-premios-internacionais/) . No futuro próximo, a obra deverá receber uma segunda edição e tradução em português. No livro, Amaral explica como os RNAs têm sido utilizados como moléculas terapêuticas e em tecnologias revolucionárias em biotecnologia. Estão alterando a base sobre a qual entendemos a nossa própria biologia, o funcionamento de nosso cérebro e até mesmo como as espécies evoluem — e nada disso pertence à ficção científica. A obra, RNA, the Epicenter of Genetic Information , está disponível gratuitamente [neste link](https://www.taylorfrancis.com/books/oa-mono/10.1201/9781003109242/rna-epicenter-genetic-information-john-mattick-paulo-amaral) . A seguir, o professor recomenda três produções de sua preferência quando a proposta é conciliar entretenimento com ficção científica de qualidade sobre genética. São dois filmes e uma série.   [ Gattaca ](https://m.imdb.com/title/tt0119177/) Estados Unidos, 1997 Direção de Andrew Niccol Duração de 1h 46 min “Num futuro não tão distante, o DNA vai determinar tudo a respeito de nós. A genética representa a capacidade de melhorar capacidades físicas e mentais de toda pessoa, antes mesmo do nascimento.” À parte o foco no DNA ter ficado datado, como comprova a pesquisa do próprio professor do Insper, este é um ponto de partida interessante para um filme que, 26 anos depois, permanece influente. A produção conta com Ethan Hawke, Uma Thurman e Jude Law para descrever um futuro em que seres humanos são criados em laboratório, a partir da manipulação de código genético, e pessoas concebidas pela maneira biológica são consideradas frágeis e descartáveis. Até que um humano considerado geneticamente inferior assume a identidade de seu irmão, produzido geneticamente e supostamente superior, com o objetivo de conseguir autorização para viajar ao espaço. Lançado na mesma época em que o mundo assistia à apresentação da ovelha Dolly, clonada em 1996, o filme parte de pressupostos cada dia mais plausíveis, como a possibilidade de selecionar embriões com menor propensão a desenvolver uma série de doenças hereditárias, além de poder, por exemplo, escolher o gênero do futuro filho de um casal. [O trailer está disponível aqui](https://www.youtube.com/watch?v=VKqd4hQmTFY) .   [ O Óleo de Lorenzo ](https://m.imdb.com/title/tt0104756/) Estados Unidos, 1992 Direção de George Miller Duração de 2h 9 min “Muito bonito, meio triste”, sintetiza Amaral. A obra é baseada em uma história real: vivendo nos Estados Unidos, Augusto e Michaela Odone buscam uma solução para a doença rara, de origem genética, grave e progressiva, de seu filho Lorenzo. Com seis anos, ele foi diagnosticado como portador de adrenoleucodistrofia (ALD). Os médicos disseram que não havia cura e que, com sorte e muito sofrimento, ele viveria por apenas mais dois anos. Lorenzo (papel que no filme coube a Zack O’Malley Greenburg) faleceu apenas aos 30 anos, em 2008. E os pais (interpretados por Nick Nolte e Susan Saradon) creditaram a sobrevida a uma solução que eles buscaram em fontes alternativas — o “óleo de Lorenzo”. Trata-se de uma combinação de ácidos graxos que, inseridos na dieta, reduziriam o avanço dos sintomas. O tratamento continua em avaliação, com pequenos grupos de pacientes — há sinais de que tem alguma eficácia em bebês diagnosticados precocemente com a doença, antes mesmo de desenvolver sintomas. O filme aponta para o drama de famílias que encaram problemas genéticos raros. Muitos deles vêm sendo atacados frontalmente pelas novas terapias com base em RNA. [Aqui você vê o trailer](https://www.youtube.com/watch?v=81YZS7IeDHA) .   [ Seleção artificial ](https://www.youtube.com/watch?v=WIIVh7H6nvI) Estados Unidos, 2021 Minissérie com 4 episódios Disponível na Netflix Em quatro episódios, chamados “Editando a vida”, “Os pioneiros”, “Mudar uma espécie inteira” e “A próxima geração”, a série documental flerta diretamente com a ficção científica, mas com base em fatos reais. A possibilidade de editar genes de embriões, testando para a existência de doenças pré-existentes, é abordada com detalhes, assim como dramas semelhantes ao de Lorenzo Odone — vítimas de doenças genéticas graves e devastadoras para as quais a ciência ainda não apresenta cura. Os produtores entrevistaram cientistas de destaque na área e buscaram apresentar as pesquisas disponíveis em detalhes. Também abordam riscos, como o dos biohackers dispostos a fazer experimentos de garagem para além da ética. E passam ainda por técnicas aplicadas em laboratórios, mas que também desafiam conceitos milenares a respeito da existência humana, como a CRISPR, uma das técnicas mais modernas para a edição genética. O tom é um tanto alarmista, mas os dados e os debates éticos apontados pela produção são dos mais relevantes. [Assista ao trailer.](https://www.youtube.com/watch?v=WIIVh7H6nvI)  "}]