Análises históricas do IC-PMN

Insper Instituto de Ensino e Pesquisa

A literatura econômica tenta compatibilizar dois fatos relevantes com relação à análise do processo de formação de expectativas por parte dos agentes e seu impacto na atividade econômica. De um lado, diversos modelos teóricos atribuem ao processo de formação de expectativas dos agentes um papel primordial na determinação do equilíbrio de variáveis-chave para a economia tais como produto, consumo, preços e valor de ativos. Do outro lado, analistas utilizam índices de confiança de empresários e ou de consumidores como indicadores do desenvolvimento futuro da economia.

Partindo da premissa que a confiança dos agentes não pode ser medida diretamente, diversos indicadores são construídos através de instrumentos que utilizam questões sobre o desempenho presente e futuro da economia como tentativa de medir o julgamento dos agentes sobre o impacto dos choques econômicos sobre a economia.

O elo entre os dois fatos não é perfeitamente claro. Devido à subjetividade em sua medida, a confiança dos agentes pode representar não somente as expectativas dos agentes com relação ao futuro da economia, mas também pode refletir o resultado de movimentos passados nas variáveis econômicas. Neste caso, haveria um conflito entre a teoria e a prática já que surgiria um relacionamento inverso do esperado, com a causalidade indo da condição da economia para a confiança dos agentes. Além disso, existe a possibilidade dos agentes não serem capazes de construir cenários econômicos, gerando a inexistência de um relacionamento entre o indicador de confiança e a trajetória da economia.

Diversos trabalhos analisam o relacionamento entre os indicadores de confiança e a atividade econômica. Santero e Westerlund (1996), utilizando testes de correlação e de causalidade de Granger para questionários desenvolvidos para países da OCDE, identificaram que indicadores de confiança provêem informação útil para a análise da situação da economia e previsão de sua trajetória futura. Contudo, os autores verificam que o relacionamento varia sensivelmente dentre os países e de acordo com o índice utilizado. Eles observam que indicadores de negócios são mais úteis que outros indicadores para medir o relacionamento entre confiança e atividade econômica. Resultados semelhantes foram encontrados por Huffner e Schroder (2002) para a Alemanha.

Focando em índices de confiança do consumidor, Garner (1991) mostra que estes raramente são úteis para prever a atividade econômica, mas que, em eventos excepcionais, estes podem ter sua capacidade preditiva melhorada. Os autores também discutem que os índices podem ser mais úteis quando o consumo apresenta um nível maior de desagregação. Já Bram e Ludvigson (1998) mostram que a eficiência preditiva depende do índice considerado. Os autores mostram que o índice desenvolvido pelo Conference Board para os EUA apresenta um poder preditivo significativo para diversos componentes do consumo. Parigi e Golinelli (2004) constataram para uma amostra de diferentes países que índices de confiança do consumidor apresentam alguma capacidade preditiva da evolução da atividade econômica.

Investigando o impacto de índices de confiança de investimento e utilizando questionários desenvolvidos mais recentemente, Barnes e Ellis (2005) e Abberger (2007) concluem que os indicadores de investimento a cerca da confiança do empresariado são ferramentas valiosas para a análise da trajetória do investimento.

O IC-PMN representa o início de um projeto de pesquisa cuja contribuição será construir um indicador de confiança na economia brasileira e analisar o poder preditivo deste indicador sobre a atividade econômica. O índice construído diferencia-se dos índices de confiança já existentes para a economia brasileira em diversos aspectos. A população de interesse compreende apenas pequenos e médios negócios. Dois fatos corroboram esta escolha: pequenos e médios negócios representam, segundo o SEBRAE, 95% dos empregos formais e 67% dos postos de trabalho, evidenciando sua importância para a economia brasileira.

Conforme discutido por Santero e Westerlund (1996), índices de confiança de negócios apresentam poder preditivo superior a índices de confiança dos consumidores. Outra vantagem do índice é sua abrangência. A amostra compreende empresas em três ramos de atividade: serviços, comércio e indústria presentes em todo o território brasileiro. Por fim, o questionário apresenta perguntas sobre diferentes aspectos da confiança do empresariado, não se limitando a confiança na economia como um todo.

Working papers do IC-PMN:

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