Artigo: Desempenho da indústria nas últimas décadas

Artigo elaborado pela equipe do Centro de Políticas Públicas do Insper.

O cenário atual da indústria brasileira é preocupante. A divulgação do PIB do 2º trimestre deste ano mostrou uma diminuição de 5,2% da produção no setor industrial, a maior queda desde o 3º trimestre de 2009, quando a crise mundial de 2008 ainda impactava a economia brasileira.  Mas será que esse momento de crise na indústria é recente? Será que a mesma se encontrava em um momento melhor do que há vinte anos?

Ao invés de adotar o valor da produção total para medir o desempenho da indústria brasileira será utilizada a produtividade do setor, que nesse caso será representada pela razão entre o valor adicionado bruto e os trabalhadores. Ou seja, tal relação representa a quantidade média de produto produzida por um trabalhador e constitui um dos fatores primordiais para um crescimento sustentável da economia.

A partir de dados da Pesquisa Industrial Anual – Empresa (PIA – Empresa) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), podemos observar o comportamento da produtividade nos últimos 20 anos. No gráfico abaixo temos quatro períodos principais: de 1996 a 2003; de 2003 a 2007; de 2007 a 2011; e de 2011 a 2013. Há uma queda de R$ 64.869 para R$ 54.737 no primeiro período, seguido de uma relativa estagnação, atingindo R$ 54.981 em 2007 e uma recuperação, apesar da oscilação no ano de 2009, chegando a um nível semelhante ao do começo da série com R$ 64.610 em 2011. No último período há uma nova queda da produtividade, que decresceu até R$ 61.073 em 2013.

Sendo assim, houve uma perda de 5,85% na produtividade de 1996 a 2013. Isso significa que em 2013, cada trabalhador produzia em média menos do que 17 anos antes.

produtividade

A incapacidade em obter ganhos de produtividade é um dos principais motivos da falta de competitividade da indústria brasileira. A desvalorização recente do câmbio pode contribuir para uma recuperação por parte da indústria exportadora, porém se desejamos um crescimento consistente no longo prazo que não dependa de oscilações cambiais é necessário o desenvolvimento de nossa produtividade.