Alunos de engenharia do terceiro semestre fabricam motor V8

 

Atividade foi realizada com estudantes do terceiro semestre na disciplina de Design para Manufatura

No terceiro semestre, os alunos de engenharia mecânica e mecatrônica do Insper possuem uma disciplina chamada de Design para Manufatura. Ela é o primeiro contato dos estudantes com os principais processos de fabricação da indústria. E, consequentemente, com o maquinário do laboratório high-tech da faculdade, o Tech Lab.

Para estimular os alunos a usarem os equipamentos e não temê-los, o professor da disciplina, Alex Camilli Bottene, sempre propõe um projeto para que eles coloquem a mão-na-massa. Dessa vez, a ideia era fabricar um motor V8 movido a vapor. “Escolhemos essa peça porque ela cria uma empatia, pois está em nosso dia a dia. Mas, ao mesmo tempo, há uma complexidade de engenharia grande”, conta o docente. “No começo, os alunos ficaram com medo e acharam que não ia dar certo. Porém, logo viram que é só uma questão de achar a solução certa.”

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Na dinâmica, uma empresa externa contrata a turma para construir o motor. Divididos em duas grandes equipes com integrantes de ambas as engenharias, cada grupo tinha um projeto base em mãos e podia fazer modificações para torná-lo mais barato e eficiente. Após cinco semanas de trabalhos intensos, os times tiveram o teste final: ligar e fazer o motor funcionar. Só que, muito mais do que mostrar a peça para o professor, eles tiveram que competir para ver qual possuía mais rotação. 

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A competição

A apresentação final de Design para Manufatura ocorreu no último 6 de junho. Cada equipe tinha três tentativas para fazer o motor funcionar. Ganhava quem tivesse o maior número de rotações obtidas em uma única vez. “Fiquei feliz porque não esperava que eles conseguissem uma rotação tão alta. Um grupo atingiu 1.821 e o outro, 1.483”, revela Bottene. “O interessante é que os dois fizeram alterações diferentes para atingir o objetivo. Uma turma reduziu o cursor do motor e a outra apostou na redução de peso”, completa.

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Alex Camilli Bottene, professor da disciplina

Eduardo Ferrari, aluno de engenharia mecânica no Insper e líder do grupo que teve mais rotações, afirma que o tempo construindo o motor ensinou bem mais do que qualquer aula poderia. “Nós aprendemos a ver o projeto como um todo e a economizar tempo. Isso porque, em vez de passar para uma etapa e esperar que voltem problemas, já sabemos o que é viável ou não”, comenta.

E para dominar as etapas foi necessário bastante trabalho. Ambas as equipes mexiam nos protótipos em qualquer folga na grade curricular. E teve gente que ficou até meia-noite no Insper – a faculdade fecha às 23h. Sem contar a responsabilidade de gerenciar um time com 25 pessoas. “O maior desafio em trabalhos desse tamanho é dividir bem as tarefas. Era necessário administrar, por exemplo, quem vai usar qual ferramenta e em qual tempo. Tudo com o intuito de não deixar ninguém esperando”, diz Victor Hugo Leal Vieira da Silva, aluno de engenharia mecatrônica no Insper e líder do outro grupo.

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Os alunos Victor Hugo Leal Vieira da Silva e Eduardo Ferrari

Mesmo com tanto trabalho e dedicação, no fundo, a atividade foi uma grande diversão. “Minha maior satisfação foi ver o motor funcionando pela primeira vez. Montamos um protótipo com dois cilindros para testar, mas ele não rodava. Fizemos ajustes e conseguimos fazê-lo funcionar. Depois, fabricamos um V4 e V6 que deram certo. Só que chegamos no V8 e ele não rodava. Quando conseguimos que ele girasse, foi o momento mais feliz do projeto. Eu e mais três amigos até saímos gritando de felicidade”, lembra Ferrari.

Vale ressaltar que a nota do projeto leva em consideração não só o motor pronto, mas também um relatório que conta detalhadamente os custos e os ajustes feitos para fazer a peça mais eficiente para o mercado.

Projeto de TCC?

Saber construir um motor do zero é algo esperado de qualquer engenheiro formado. A questão é que, por padrão, certas faculdades costumam colocar essa experiência no final do curso. E algumas até consideram a fabricação da peça como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). O Insper, no entanto, prefere colocar essa atividade antes para que o aluno já comece a ver as possibilidades que terá no futuro.

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“Quanto antes o estudante trabalhar com a prática, mais cedo ele vai se preparar e se aprimorar para o mercado. E ainda terá a chance de ver a área que quer seguir dentro da carreira. A engenharia tem muitos ramos. Por mais que se escolha a engenharia mecânica, por exemplo, existe a área térmica, de projeto, de manufatura. O aluno pode saber o que quer seguir baseado na experiência prática que ele teve durante a faculdade”, explica Bottene.

O mais interessante é que a ideia de fabricar o motor não é uma atividade fixa da disciplina. Todo semestre o desafio é diferente. “A ideia é nunca entrar em uma rotina de aulas e sempre sair da zona de conforto. Da primeira vez, os professores se reuniram para criar a proposta. Agora, nós convidamos os veteranos para pensarmos juntos em um novo desafio”, diz Bottene. Sendo assim, a próxima turma do terceiro semestre não terá a mesma experiência. Resta saber qual ideia surgirá.

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