[{"jcr:title":"Três protagonistas femininas marcantes na literatura"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Três protagonistas femininas marcantes na literatura","jcr:description":"Débora Mallet, coordenadora do Desenvolvimento de Ensino e Aprendizagem do Insper, comenta sobre três personagens emblemáticas de livros com histórias envolventes"},{"subtitle":"Débora Mallet, coordenadora do Desenvolvimento de Ensino e Aprendizagem do Insper, comenta sobre três personagens emblemáticas de livros com histórias envolventes","author":"Ernesto Yoshida","title":"Três protagonistas femininas marcantes na literatura","content":"Débora Mallet, coordenadora do Desenvolvimento de Ensino e Aprendizagem do Insper, comenta sobre três personagens emblemáticas de livros com histórias envolventes   Graduada em Letras pela Universidade de São Paulo, Débora Mallet é mestre e doutora em Educação pela mesma universidade. É coordenadora executiva de Desenvolvimento de Ensino e Aprendizagem (DEA) do Insper e coordena também a Área de Diversidade, responsável pelo levantamento de métricas e indicadores sobre o tema na instituição. A literatura esteve sempre presente na trajetória de Débora, seja em sua produção acadêmica, seja em cursos e eventos de que participou ou nos inúmeros alunos que orientou. A pedido de InsperCultura, Débora comenta sobre três protagonistas femininas marcantes em obras literárias que valem a leitura. “Escolhi três protagonistas mulheres que, de alguma forma, parecem representar um pouco como é vista a mulher na sociedade. No caso das protagonistas Emma e Briony, estão ligadas à repressão que as mulheres sofrem para ocupar determinados lugares sociais. No caso de Eva, temos uma personagem que traz o tema da psicopatia em perspectiva peculiar: a da mãe”, diz Débora.“Além disso, são livros muito bem escritos, com histórias envolventes. Acho que todos os apreciadores da leitura deveriam ler essas obras.” A seguir, confira os comentários de Débora sobre as três personagens:   Emma Bovary, protagonista do romance Madame Bovary , de Gustav Flaubert  Emma Bovary talvez seja uma das primeiras grandes personagens femininas que rompe padrões estabelecidos. Criada em contexto rígido e burguês, ela encontra na leitura de romances um mundo que ela admira e deseja para si. Mas, no contexto de sua época, acaba se casando com o médico Charles e indo morar no interior. O tédio a leva a buscar em sua vida as emoções que vive por meio dos romances, mesmo que suas atitudes desapontem e escandalizem os que estão à sua volta. Emma não se submete, postura que gerou processos ao autor do livro na época.   Briony Tallis, protagonista do romance   Reparação , de Ian McEwan   A repressão sexual e seus impactos na vida das mulheres também parece ser um dos temas centrais do romance. Briony Tallis, protagonista do livro, é uma menina de 13 anos, caçula de uma abastada família inglesa. Nas férias de verão de 1935, ela acaba entrando em contato, de forma aleatória, com a sexualidade, expressa pelo romance proibido entre sua irmã, Cecília, e Robbie, filho de uma das empregadas da casa e um estupro que ocorre no mesmo período. Ela tem aspirações de escritora e vive fantasiando. Na mistura entre seu processo criativo e a surpresa de entrar em contato com a sexualidade, a garota acaba sendo a principal responsável pela tragédia que vai envolver o casal Cecília e Robbie.  Reparação   é seu pedido de desculpas por um processo muito maior do que sua inocente visão de mundo à época.   Eva, protagonista do romance Precisamos falar sobre o Kevin , de Lionel Shriver  Eva nos traz uma perspectiva muito diferente sobre os psicopatas. Eva é mãe de um deles (Kevin) e nos conta sua trajetória com o filho e os desdobramentos das ações que ele comete. Eva tem uma força incrível, nos fazendo lembrar que todas as pessoas, por mais que suas atitudes sejam hediondas, têm uma família e foram criadas em algum contexto. O mais interessante é que essa mãe, de alguma forma, parece saber que seu filho é assim e não tem com ele uma relação fácil, desde sempre. Por outro lado, ela assume (e “paga”) socialmente pelos atos de Kevin, mostrando-se quase como uma mãe social. Ela sabe a dor que ele causou, não se penaliza por ele, mas, humanamente, não o abandona.  "}]