[{"jcr:title":"Método de ensino inovador com uso da tecnologia foi tema de seminário no Insper"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Método de ensino inovador com uso da tecnologia foi tema de seminário no Insper","jcr:description":"Mariana Silva, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, destacou a experiência aplicada em suas aulas que se baseia em técnicas como feedback rápido e prazos flexíveis de entrega dos trabalhos"},{"subtitle":"Mariana Silva, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, destacou a experiência aplicada em suas aulas que se baseia em técnicas como feedback rápido e prazos flexíveis de entrega dos trabalhos","author":"Ernesto Yoshida","title":"Método de ensino inovador com uso da tecnologia foi tema de seminário no Insper","content":"Mariana Silva, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, destacou a experiência aplicada em suas aulas que se baseia em técnicas como feedback rápido e prazos flexíveis de entrega dos trabalhos   Bruno Toranzo   A professora Mariana Silva, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (UIUC), apresentou, no fim de maio, um seminário no Insper sobre ferramentas online inovadoras para melhorar o aprendizado, o acesso, a equidade e o senso de pertencimento dos alunos. O evento é parte da [parceria entre as duas instituições de ensino](https://www.insper.edu.br/noticias/insper-e-universidade-de-illinois-formalizam-acordo-de-cooperacao/) , que mantém um acordo de cooperação que beneficia a pesquisa e os cursos de Ciência da Computação e Engenharias. Nos últimos anos, devido ao reflexo da pandemia na aprendizagem, entre outros fatores, os professores têm enfrentado o desafio de encontrar alternativas criativas e eficientes para o ensino nos formatos remoto e híbrido. Nesse contexto, conforme a professora Mariana, o objetivo é explorar pedagogias de ensino inovadoras, como salas de aula invertidas (o conteúdo passa a ser estudado em casa e as atividades são realizadas em sala de aula, fazendo com que o estudante se torne protagonista do aprendizado), avaliações aplicadas e corrigidas pelo computador, prazos mais flexíveis e nova forma de trabalhar em grupo, entre outras mudanças. “Considero que devemos deixar os computadores fazerem aquilo que fazem de melhor para que nós, professores, possamos desempenhar o trabalho que a tecnologia não executa. Posso, dessa forma, me dedicar a estreitar o relacionamento com meus alunos, enfrentando o distanciamento na relação entre professor e aluno ao criar nos estudantes a sensação de que estou preocupada com seu desempenho, com sua vida na universidade”, disse a docente. “Sem o suporte da tecnologia no dia a dia, não tenho tempo suficiente para me aproximar dos alunos, já que dou aula para centenas de pessoas.” A especialista descreveu como a adoção de uma ferramenta online, a PrairieLearn, contribuiu para a implementação de atividades colaborativas em computador para aulas invertidas; a adoção de prazos flexíveis, permitindo que os alunos concluam avaliações em ritmos diferentes; a oferta de aulas online e presenciais no mesmo curso sem prejudicar a qualidade do ensino; e dinâmica de testes frequentes aplicados pelo computador. Antes mesmo da pandemia, segundo Mariana, o baixo engajamento na sala de aula já era visto, com poucos alunos presentes e mais de 40% dos matriculados em sua disciplina indicando que não completavam as atividades propostas. Isso, por si só, já demonstrava a necessidade de um novo modelo de ensino que concedesse principalmente flexibilidade em todos os aspectos, como presença nas aulas, trabalho em grupo, entrega das tarefas e realização das provas.   Principais alterações no modelo de ensino Com a PrairieLearn, Mariana obteve os insumos para implementar em suas aulas a possibilidade de fazer os exercícios várias vezes, com feedback rápido e uma nova forma de trabalhar em grupo que evitasse aquela situação de um aluno altamente engajado e todos os outros desinteressados. Nessas atividades em grupo, os alunos são submetidos a uma avaliação apenas e recebem a mesma nota. Os professores e assistentes apenas respondem a eventuais dúvidas, sem interferir no trabalho. Quanto aos alunos do grupo, eles recebem diferentes funções para ajudar na distribuição das tarefas, com o revezamento semanal dessas responsabilidades. Essa fórmula ou dinâmica foi escolhida depois de um estudo realizado por Mariana que comparou dois tipos de trabalho: sem presença obrigatória em sala de aula e sem uso de funções nos grupos e com presença obrigatória e alunos revezando as funções no grupo a cada semana. No primeiro tipo, os alunos dividiam as tarefas de forma que cada um respondesse por determinada parte do trabalho. “É aquele exemplo do você faz tal página que eu faço outra. Ou seja, eles trabalham juntos ao mesmo tempo, mas cada um em sua tarefa, embora todas façam parte do mesmo trabalho”, observou Mariana. Já no segundo modelo, os alunos estão realmente juntos, trabalhando nas mesmas tarefas, com um objetivo em comum, que passa a ser percebido com facilidade por todos. “A métrica de igualdade nas contribuições, evitando que um faça muito e outro nada, foi maior nesse segundo modelo, assim como a obtenção de melhores notas, com as atividades sendo concluídas em menos tempo”, destacou a professora. Outra questão enfrentada por Mariana foi a das aulas remotas ou presenciais. Desde o início, considerou imprescindível fazer com que todos os alunos se interessassem pelas aulas, independentemente da modalidade escolhida. Por isso, a solução foi oferecer as duas opções ao mesmo tempo. A maioria preferiu a opção online ou remota por causa da flexibilidade, sem obrigação de terminar a tarefa na hora da aula, por exemplo. Já quem escolheu a modalidade presencial apontou como principal motivo a interação, a possibilidade de conhecer os alunos e sentir o ambiente da sala de aula. “As notas se mostraram praticamente iguais entre os alunos presenciais e online. O que importou mesmo para mim foi a evolução observada no senso de pertencimento ao longo do semestre em relação à disciplina lecionada”, afirmou a professora.   Avaliações com o uso da tecnologia Por meio do seu método de ensino inserido no PrairieLearn, a docente contou que os alunos passaram a escolher o deadline de envio dos trabalhos: ou em uma semana, ou antes da prova do semestre. Inicialmente, ela ofereceu inclusive a possibilidade de entregar somente no fim do semestre, mas percebeu, novamente por meio de estudo, que seria mais efetivo para o aprendizado retirar essa opção. Na visão dela, essa flexibilidade na entrega dos trabalhos permite que os próprios alunos organizem sua jornada de aprendizagem. Além disso, as provas passaram a ser aplicadas e corrigidas pelo computador, o que diminuiu o tempo de correção dos exames e permitiu maior agilidade no recebimento pelos alunos das suas notas. Essa mudança resolveu, ainda, outro problema: a padronização na correção das provas, uma dificuldade enfrentada pelos professores, especialmente quando as turmas têm muitos alunos. “Criamos um centro para aplicação de provas chamado de Computer-Based Testing Facility ou CBTF, com capacidade para centenas de alunos”, disse Mariana. “As provas ocorrem no período de três a quatro dias, com os estudantes agendando sua avaliação, que é realizada em computadores bloqueados na rede, sem acesso à internet e a ferramentas como o ChatGPT.”"}]