[{"jcr:title":"Em sua primeira visita ao Brasil, jornalista Baker Atyani participou de evento no Insper"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Em sua primeira visita ao Brasil, jornalista Baker Atyani participou de evento no Insper","jcr:description":"Último repórter a entrevistar Osama bin Laden antes dos atentados de 11 de setembro de 2001, ele conversou com a jornalista brasileira Simone Duarte e com o presidente Marcelo Knobel"},{"subtitle":"Último repórter a entrevistar Osama bin Laden antes dos atentados de 11 de setembro de 2001, ele conversou com a jornalista brasileira Simone Duarte e com o presidente Marcelo Knobel","author":"Ernesto Yoshida","title":"Em sua primeira visita ao Brasil, jornalista Baker Atyani participou de evento no Insper","content":"Último repórter a entrevistar Osama bin Laden antes dos atentados de 11 de setembro de 2001, ele conversou com a jornalista brasileira Simone Duarte e com o presidente Marcelo Knobel   Tiago Cordeiro   Em junho de 2012, o jornalista jordaniano Baker Atyani seguiu para o arquipélago de Sulu, nas Filipinas. Caracterizado por suas florestas úmidas, o local abrigava as principais lideranças do Abu Sayyaf Group (ASG), uma organização islâmica separatista radical. Atyani havia conseguido agendar uma entrevista com Abu Rami, líder do grupo. A caminho do encontro, porém, se viu cercado por jovens fortemente armados. Seu guia recebeu uma recompensa em dinheiro e o abandonou. Atyani passaria os 18 meses seguintes no cativeiro, até conseguir escapar. Depois disso, e ainda hoje, outros ocidentais foram sequestrados pelo grupo. Alguns acabaram degolados. “Fiz algumas tentativas de escapar”, relembrou Atyani. “A primeira foi mal sucedida. Desisti porque vi que havia guardas com luzes acessas na madrugada. Fiquei detido numa cabana pequena por meses. Não era autorizado sequer a falar.” A experiência foi transformadora. “Aprendi a olhar para o sol e saber o horário do dia, olhar para a lua e saber o período do mês. Essa é uma experiência que ninguém tira de mim. Desde então, comemoro meu aniversário duas vezes por ano: no dia em que nasci e no dia em que escapei.” O jornalista fez seu relato na sede do Insper, em São Paulo, na manhã de 7 de março, ao lado da colega brasileira Simone Duarte, autora do livro  [ O Vento Mudou de Direção ](https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/o-vento-mudou-de-direcao-simone-duarte/) . Foi a primeira visita de Atyani ao Brasil, onde participou do evento [O Vento Mudou de Direção: o 11 de setembro que o mundo não viu](https://www.youtube.com/watch?v=i8b7tVZFGHY) . A mediação do bate-papo foi feita pelo novo presidente do Insper, Marcelo Knobel. “É meu primeiro evento no Insper como presidente. Estou feliz de termos conseguido promover essa discussão tão interessante”, comentou Knobel. “É importante entender as consequências não intencionais que algumas ações do passado tiveram para o mundo atual. Eu acredito que a polarização que existe nos Estados Unidos e a que vivemos no Brasil também são consequências dessas ações, com as quais têm uma conexão muito complexa.”   Pessoas comuns Antes de ser sequestrado, Atyani, jornalista especializado em política internacional, especialmente relacionada ao mundo muçulmano, tornou-se mundialmente conhecido por ter sido o último repórter a entrevistar Osama bin Laden antes dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, que deixaram 2.996 mortos. Ele foi um dos sete entrevistados para o livro de Simone Duarte, chefe da sucursal da TV Globo em Nova York na época do ataque terrorista e narrou a queda das Torres Gêmeas, ao vivo, para todo o Brasil. “Naquele dia, fui para o escritório mais cedo”, relatou Simone durante o evento no Insper. “Primeiro, um avião acertou o World Trade Center. Quando a segunda aeronave atingiu o complexo, percebemos que havia algo muito grave acontecendo. Por 18 anos não tive coragem de escutar novamente a transmissão.” Segundo Simone, os entrevistados ouvidos para seu livro eram pessoas comuns, moradores do Afeganistão, do Paquistão e do Iraque, cujas vidas, de uma forma ou outra, foram transformadas pelo 11 de setembro. “Nenhuma dessas pessoas foi a favor do ataque. Elas tinham medo de que, ao falar comigo, não seriam autorizadas a entrar nos Estados Unidos. Minha resposta foi: ‘Não importa o que você disser. O local onde você nasceu já dificulta sua entrada’”.     Danos de longo prazo Atyani, por sua vez, lembrou que as consequências dos ataques foram graves para o mundo inteiro. “No Iraque, líderes da Al Qaeda fundaram o Estado Islâmico, que passou a atuar a partir da Síria, e dali para o mundo. No Afeganistão, 2,3 trilhões de dólares foram gastos ao longo de 20 anos, tudo para colocar um governo sem credibilidade, até que o Taliban retomasse o poder.” A situação do país não melhorou com a ocupação americana — ao contrário, segundo Atyani. “Metade do Afeganistão não tem acesso a eletricidade. Quando o presidente Hamid Karzai assumiu [ em dezembro de 2001 ], 79% da população era pobre. Hoje são 97%. Dois terços das pessoas passam fome. O Paquistão, outro país prejudicado pelas ações americanas, também tem a economia em mau estado.” O quadro político entre os países muçulmanos permanece caótico. “Diante do caos instalado na região, não vejo esperança de estabilidade no curto prazo”, disse Atyani. Simone Duarte ressaltou a relevância de conhecer o ponto de vista de pessoas como Atyani. “Nossas fontes sobre os muçulmanos são majoritariamente americanas e britânicas, de língua inglesa. Sabemos muito pouco sobre uma parcela tão expressiva da humanidade, e conhecer os relatos como o dele é muito importante.”"}]