[{"jcr:title":"Insper recebe jornalista que entrevistou Osama Bin Laden antes do ataque aos EUA"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Insper recebe jornalista que entrevistou Osama Bin Laden antes do ataque aos EUA","jcr:description":"O jordaniano Baker Atyani vai conversar com a jornalista brasileira Simone Duarte, que cobriu os atentados de 11 de setembro de 2001 e é autora do livro “O Vento Mudou de Direção”"},{"subtitle":"O jordaniano Baker Atyani vai conversar com a jornalista brasileira Simone Duarte, que cobriu os atentados de 11 de setembro de 2001 e é autora do livro “O Vento Mudou de Direção”","author":"Ernesto Yoshida","title":"Insper recebe jornalista que entrevistou Osama Bin Laden antes do ataque aos EUA","content":"O jordaniano Baker Atyani vai conversar com a jornalista brasileira Simone Duarte, que cobriu os atentados de 11 de setembro de 2001 e é autora do livro “O Vento Mudou de Direção” Simone Duarte e Baker Atyani: testemunhas da história   Tiago Cordeiro   “Vestido com um thobe árabe tradicional cor de fumaça branca e com um típico turbante branco brilhante do Oriente Médio na cabeça, uma personalidade dominante estava no centro da sala esperando para me receber junto com seu companheiro de confiança — uma variante do famoso russo AK-47. Este era Osama bin Laden, o homem mais procurado do mundo, um terrorista declarado com uma recompensa de US$ 5 milhões por sua cabeça até então. Ao lado dele estava Ayman Al-Zawahiri, o segundo terrorista mais procurado do mundo, que agora lidera os remanescentes da Al-Qaeda.” Era junho de 2001, e o jornalista jordaniano Baker Atyani estava diante do líder da organização islâmica Al-Qaeda. A entrevista tinha um motivo. “Perguntei-lhe que notícias ele queria me dar”, Atyani [relembraria](https://www.arabnews.com/node/1159046/world) depois. “Ele repetiu que a notícia era sobre alguns ataques futuros. Abu Hafs [ codinome d Mohammed Atif, líder militar do grupo ] interveio e disse: ‘Nas próximas semanas, haverá uma grande surpresa; vamos atingir instalações americanas e israelenses’. Friamente, ele acrescentou: ‘O negócio de caixões vai aumentar nos Estados Unidos’”. Bin Laden concordou acenando com a cabeça. A reportagem foi ao ar nos Estados Unidos no dia 23 de junho. Atyani seria o último jornalista a entrevistar Bin Laden antes dos atentados de 11 de setembro de 2001, que deixariam 2.996 mortos e transformariam o mundo. Atyani também ficaria conhecido por ter sido sequestrado e mantido em cativeiro ao longo de 18 meses por radicais instalados nas Filipinas. No dia 7 de março de 2023, Atyani vai participar de um [evento presencial no Insper](https://www.insper.edu.br/agenda-de-eventos/o-vento-mudou-de-direcao-o-onze-de-setembro-que-o-mundo-nao-viu/) . Ele vai interagir com a jornalista brasileira Simone Duarte, chefe da sucursal da TV Globo em Nova York na época do ataque terrorista. A conversa contará também com a participação do novo presidente do Insper, Marcelo Knobel.   Mundo bilateral Ao longo de toda a manhã do 11 de setembro, foi Simone quem narrou ao vivo na TV Globo a ação do grupo fundamentalista. Por 18 anos, não ouviu novamente as gravações. Quando o fez, decidiu levar adiante um projeto antigo: escrever um livro sobre o impacto dos atentados no mundo. O resultado foi publicado em 2021: [ O Vento Mudou de Direção ](https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/o-vento-mudou-de-direcao-simone-duarte/) . “Ao longo de dois anos e meio”, ela escreve na obra, “entrevistei, acompanhei e reconstituí a vida de Ahmer, um rapaz treinado para ser um menino-bomba; do jornalista Baker Atyani, escolhido por Osama bin Laden para anunciar um grande atentado; do general Ehsan Ul-Haq, ex-espião chefe do equivalente à CIA paquistanesa; da poeta iraquiana Faleeha Hassan, obrigada a viver no país invasor; de Gawhar, uma afegã que fugiu da ocupação militar americana rumo à Europa; da jovem iraquiana Gena, que fugiu para a Síria, onde cairia em outro conflito sangrento; e de Rafi, um afegão que atravessou outros países para escapar do Talibã”. São pessoas de classe média, em sua maioria, com vidas semelhantes às das vítimas dos ataques em solo americano. E que foram transformadas pelo 11 de setembro. Na entrevista a seguir, Simone comenta o impacto dos atentados para o mundo e antecipa o que esperar do encontro com Atyani no Insper.   Você cobriu in loco o 11 de Setembro. De que maneira esse acontecimento transformou sua trajetória profissional? O 11 de Setembro e a guerra ao terror provocaram mais radicalização religiosa, forçaram pessoas a abandonar suas casas e impuseram uma visão de mundo bilateral. Em 19 de agosto de 2003, dois anos depois, a ONU foi atacada no Iraque. Morreu o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, entre outras vítimas. Eu tinha trabalhado em Timor Leste com o Sérgio. Aquele ataque, e a invasão ao Iraque, exacerbaram ainda mais esse mundo bilateral e o ataque ao multilateralismo. Então eu resolvi sair da Rede Globo e fazer um filme sobre o Sérgio, um documentário chamado A Caminho de Bagdá . Foi uma grande mudança na minha carreira. E ter escrito esse livro é uma consequência dessa trajetória.   Quando surgiu a ideia de escrever o livro? Foi difícil selecionar as sete pessoas que você retrata na obra? A ideia surgiu em 2019, quando finalmente fui ouvir a gravação da minha narração ao vivo daquele dia. Ao longo dos anos, eu sempre soube que queria escrever algo sobre o 11 de Setembro. Mas eu não queria escrever algo que já foi feito, sobre quem estava no prédio, os americanos, os bombeiros. Quando resolvi ouvir a gravação, eu tinha certeza de que precisava escrever a história de pessoas que não moravam nos Estados Unidos, e cuja vida foi transformada pelo 11 de Setembro. Pessoas que foram afetadas por aquilo, sem estar naquele prédio. E que representavam outras milhões de pessoas, histórias que fossem representativas e diferentes entre si. Decidi me concentrar nos três países mais atingidos pela guerra ao terror: Iraque, Afeganistão e Paquistão. São seis protagonistas destes países, mais o Baker Atyani, que eu conheci numa viagem ao Paquistão.   Qual a importância de trazer ao Brasil o jornalista Baker Atyani? No Brasil, ainda hoje temos pouco conhecimento — e muito preconceito — em relação a essas regiões. O que eu queria era fazer um exercício de empatia, olhando para o outro como uma pessoa normal. Muitas pessoas que entrevistei são de classe média, brincaram de Barbie, bebem Coca-Cola, dançam tango. Podiam ser eu ou você. Mas são pessoas que vivem em países que foram atacados depois do 11 de Setembro. Estavam no lugar errado. O Baker tem muito a dizer para o Brasil. O ponto de vista que nós temos sobre aquela região é muito anglo-saxônica, muito ocidental. É importante ouvir alguém com a experiência dele, um jornalista que foi sequestrado por cobrir o extremismo.   O que a audiência do evento no Insper pode esperar do encontro? A plateia vai acessar visões de mundo diferentes, outras perspectivas, outras abordagens. Atyani foi a voz que o Osama Bin Laden escolheu para dizer que ia atacar, enquanto eu fui a voz do Brasil naquela manhã do 11 de Setembro. Essas perspectivas, somadas, vão render um debate muito interessante.   Capa do livro publicado em 2001  "}]