[{"jcr:title":"O potencial das ciências comportamentais nas políticas públicas"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"O potencial das ciências comportamentais nas políticas públicas","jcr:description":"Ex-aluna do pós-graduação em Gestão Pública do Insper, Amiris Serdeira assina livro com os especialistas Guilherme Lichand e Bruno Rizardi"},{"subtitle":"Ex-aluna do pós-graduação em Gestão Pública do Insper, Amiris Serdeira assina livro com os especialistas Guilherme Lichand e Bruno Rizardi","author":"Ernesto Yoshida","title":"O potencial das ciências comportamentais nas políticas públicas","content":"Ex-aluna do pós-graduação em Gestão Pública do Insper, Amiris Serdeira assina livro com os especialistas Guilherme Lichand e Bruno Rizardi   Leandro Steiw   O desenvolvimento de metodologias nos temas de ciências comportamentais e design sistêmico em projetos do setor público resultou no livro [ Insights Comportamentais para o Diagnóstico e Desenho de Políticas Públicas ](https://repositorio.enap.gov.br/jspui/bitstream/1/7205/5/gnova_insights_comportamentais_digital.pdf) , de Guilherme Lichand, Amiris de Paula Serdeira e Bruno Rizardi. A economista Amiris Serdeira é egressa do [pós-graduação em Gestão Pública](https://www.insper.edu.br/pos-graduacao/programas-avancados/programa-avancado-em-gestao-publica/) do Insper e trabalhou ativamente na revisão e na edição dos relatórios em prol da publicação de uma versão mais didática e menos acadêmica do conteúdo desenvolvido pelo grupo. O livro é produto de uma consultoria para o GnovaLab, laboratório de inovação da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), no contexto do Janelas 2021 — que selecionou projetos de instituições públicas que receberam suporte e orientação nos processos de inovação a serem desenvolvidos pelas equipes das instituições. Naquela edição do Janelas, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas, o foco foi a experimentação das abordagens de design sistêmico e ciências comportamentais, especialidades de Rizardi e Lichand, respectivamente. Segundo os autores, o uso de ciências comportamentais como lente para olhar e desenvolver políticas públicas ainda é relativamente recente. A ideia popularizou-se depois que o economista Richard Thaler, estudioso da economia comportamental, recebeu o Prêmio Nobel em 2017. A repercussão levou à proliferação tanto da literatura sobre o tema quanto da difusão das behavioral units (as chamadas unidades comportamentais, como o próprio GnovaLab) no mundo todo. Esse movimento emergiu com a premissa e a promessa de pensar propostas inovadoras, de baixo custo, fácil implementação e resultados efetivos. Lichand e Amiris contam que, com o tempo, os estudos mostraram que os resultados iniciais foram superestimados. Percebeu-se um impacto típico bem menor do que o esperado no uso de nudge , o chamado empurrãozinho na atenção do público-alvo, para aumentar a “ação desejada” (em temas como aposentadoria privada, doação de órgãos, cadastro para votar). Como esse movimento se encaixa no desenho de políticas públicas? “Isso tem uma relação grande com pensar problemas públicos complexos, em que trabalhamos com problemas resistentes”, diz Lichand. “Por exemplo, como aumentar a taxa de pessoas que têm aposentadoria ou aderem a um plano? Só o nudge não consegue ter um impacto expressivo e sustentável. Ficou claro que como se olhava para ciência comportamental até então era um começo, mas era ainda só o topo do iceberg .”   Intenção e ação Diante do olhar limitado sobre as restrições que afetam a tomada de decisão ou que geram descasamento entre intenção e ação dos cidadãos, Lichand avançou nas pesquisas em busca de um ferramental e uma metodologia que apoiasse o gestor público no enfrentamento de problemas complexos para além de nudges , usando soluções relacionadas com o uso de comunicação para ativar mecanismo de pressão social e imagem pública, por exemplo. “Em outras palavras, o que fizemos foi aprofundar esse olhar para o uso de ciência comportamental e abrir conversas para como olhar esses problemas complexos”, explica Lichand. Para Amiris, o ponto do livro é mostrar que gestor público já olha para soluções como preço, regulamentação e informação, mecanismos que mexem tipicamente nos drives fundamentais do cidadão. “Porém, o cidadão ‘real’, como chamamos no livro, reage de formas diferentes ao comportamento ‘típico’ daquele ‘cidadão racional’ usado nos desenhos de políticas públicas convencionais, justamente porque este está sujeito a problemas de motivação, desatenção e autocontrole”, afirma Amiris. “Diante de reações diferentes das típicas, buscaram-se instrumentos que pudessem dialogar com essa realidade. Quando o gestor pensa em soluções separadas para um mesmo problema complexo, sem considerar o problema de forma mais abrangente, olhando para o cidadão real, possivelmente a ação não vai ser sustentável.” Os autores tocam na questão da heterogeneidade: afinal, considerando que os públicos são muito diferentes, como pensar mecanismos comuns de problemas públicos, com restrições de tomada de decisão ótima? “É necessário cada vez mais olhar para essas soluções como uma caixa de ferramentas que o gestor tem à sua disposição para apoiá-lo no processo de compreensão e desenho de soluções para problemas públicos”, diz Lichand. “Há muita coisa a ser descoberta e muita inovação pela frente, seja para entender o cidadão, seja para avançar na discussão de ferramental para solução de problemas complexos.”   Curso online Os princípios desta área do conhecimento que revolucionou o olhar sobre a forma como as pessoas tomam decisões fazem parte do curso online [Ciências Comportamentais, Nudges e Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/educacao-executiva/cursos-de-curta-duracao/politicas-publicas/ciencias-comportamentais-nudges-e-politicas-publicas/) do Insper. A próxima turma, com aulas de 30 de janeiro a 8 de março, está com matrículas abertas. O curso é ministrado pelos professores Manuel Bonduki e Antonio Claret Campos Filho. Os participantes conhecerão as principais teorias que norteiam a abordagem das ciências comportamentais e suas implicações para as políticas públicas, além de aprender como esse conhecimento pode ser aplicado em projetos de inovação da administração pública. No acompanhamento do curso, cada estudante formulará uma aplicação de intervenção dos insights comportamentais ao contexto de um serviço ou política de seu interesse. A cada aula, os tópicos estudados serão aplicados pelos estudantes ao projeto aplicado até a criação de uma proposta de intervenção comportamental.  "}]