[{"jcr:title":"“Meu livro foi escrito para os brancos”, diz Vinícius Meneses"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"“Meu livro foi escrito para os brancos”, diz Vinícius Meneses","jcr:description":"Com “Pato no Galinheiro”, o ex-aluno de MBA e integrante do Comitê Alumni de Diversidade do Insper propõe uma reflexão sobre as diversas expressões do racismo no Brasil, especialmente no ambiente corporativo"},{"subtitle":"Com “Pato no Galinheiro”, o ex-aluno de MBA e integrante do Comitê Alumni de Diversidade do Insper propõe uma reflexão sobre as diversas expressões do racismo no Brasil, especialmente no ambiente corporativo","author":"Ernesto Yoshida","title":"“Meu livro foi escrito para os brancos”, diz Vinícius Meneses","content":"Com “Pato no Galinheiro”, o ex-aluno de MBA e integrante do Comitê Alumni de Diversidade do Insper propõe uma reflexão sobre as diversas expressões do racismo no Brasil, especialmente no ambiente corporativo   Tiago Cordeiro   Recentemente, [Vinícius Meneses](https://www.linkedin.com/in/viniciusmeneses/) entrou em contato com o Insper. Ex-aluno de [MBA Executivo](https://www.insper.edu.br/pos-graduacao/mba/mba-executivo-2-2/) da instituição, onde entrou em 2012, ele queria entender como as pautas de diversidade e inclusão vinham sendo encaradas. “A receptividade foi ótima”, comenta ele, que na sequência foi convidado a participar do [Comitê Alumni de Diversidade, Equidade e Inclusão](https://www.insper.edu.br/podcast/comite-alumni-de-diversidade-equidade-e-inclusao/) da faculdade. O reencontro com a escola acontece em um momento importante para Meneses. Nascido em Salvador (BA), ele vem de uma família com raízes em Cachoeira, um dos municípios mais antigos do Brasil, fundado em 1531, a 120 quilômetros da capital do estado. “É a cidade mais preta que eu já vi na vida. Lá, eu sou considerado branco”, ele relembra — seu irmão gêmeo, Augusto Vinicius, por exemplo, “é mais retinto do que eu”. Assim que concluiu o curso de Engenharia Eletrônica na Universidade Federal da Bahia, em 2008, ele se mudou para São Paulo e seguiu carreira em gestão. Em 2012, começou o curso no Insper. Ali, se sentiu deslocado, ainda que, na época, não conseguisse entender o porquê. “Senti que aquele lugar não era para mim. Ninguém jamais disse isso abertamente, mas era algo que acontecia naturalmente. Frequentar o Insper, assistir às aulas, foi doloroso e desconfortável naquele momento.”   Reflexão A experiência deu início a um longo período de reflexão sobre as diversas expressões do racismo no Brasil, especialmente no ambiente corporativo. “Ao longo de minha trajetória profissional, tive contato com muitas pessoas que haviam acumulado situações idênticas às que eu havia experimentado: sensação de não pertencer a ambientes de liderança, dificuldade para receber reconhecimento ou ser tratado como referência”. De fato, homem cis, gay, negro e nordestino, o autor conviveu, ao longo de sua carreira, com os mais altos postos de liderança de empresas de grande importância no mercado. Foi diretor de operações e negócios com passagem por diversos setores, como saúde, tecnologia, logística, indústria e educação. Já navegou em áreas como turnaround, inovação, governança de dados, recursos humanos e em consultoria. Ali, conviveu com chefes, todos brancos, sem exceção, e poucos colegas negros — muitos viam as carreiras estagnar depois de alguns anos. No início de 2022, Meneses decidiu transformar suas vivências e reflexões em um livro. “Eu precisava colocar para fora”, comenta. O resultado é [ Pato no Galinheiro ](https://www.convivencia.com.vc/) , uma obra em prosa e verso, que concilia argumentos expositivos e versos que poderiam muito bem ser musicados. A música, especificamente o rap, acompanhou o autor em suas reflexões e influenciou a composição do livro. Mandume , de Emicida, por exemplo, disparou um insight poderoso. Diz a canção: “Eles querem que alguém. Que vem de onde nós vem. Seja mais humilde, baixa a cabeça. Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda”.   Sankofa De fato, o autor escreveu a portas fechadas, buscando um isolamento que, no fim das contas, o aproximou de sua própria história, que é também a de seus antepassados. “Foi um processo intenso, que resultou em prosa e versos que surpreenderam a mim mesmo”, ele relata. “Escrevi rodeado de minha ancestralidade.” A trajetória profissional, especialmente sua atuação no comitê de diversidade da Dasa, encerrada recentemente, se traduz não apenas no conteúdo, como também na escolha dos nomes dos autores dos textos do prefácio — que ficou a cargo de Fabio Rosé, diretor geral de Pessoas e Cultura do gigante da área de saúde, e Sergio Ricardo Santos, consultor e administrador no setor. A imagem da capa foi escolhida a dedo: ela representa um portão de entrada bastante comum em residências antigas. É familiar, portanto. Mas se trata, na verdade, de um sankofa, um ideograma africano trazido para o Brasil pelos escravos, que o esculpiam como forma de manifestar resistência à violência que sofriam. É um livro para ler e ouvir, diz o autor. “Amigos negros que o leram ficaram emocionados, até mesmo entristecidos por se reconhecer na obra. Mas, acima de tudo, meu livro foi escrito para os brancos. Propõe um diálogo, em busca do entendimento de um fato que é conhecido desde pelo menos os anos 80 e ficou mais evidente recentemente: a diversidade e a inclusão são fatores de fortalecimento e resiliência para as empresas”. TRECHO DA OBRA: “Zumbi Casca de gente Tudo a minha frente Olhos de águia Asas, vento Nada de repente Truque de pele Truque de preto Troco de pele Pele de Preto Pele de branco Truque da mente”   Capa do livro"}]