[{"jcr:title":"Alunos do ensino médio participam de experiência de imersão no Insper"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Alunos do ensino médio participam de experiência de imersão no Insper","jcr:description":"Programa conecta estudantes com inovação e design thinking para ajudar na busca de soluções para problemas sociais reais"},{"subtitle":"Programa conecta estudantes com inovação e design thinking para ajudar na busca de soluções para problemas sociais reais","author":"Ernesto Yoshida","title":"Alunos do ensino médio participam de experiência de imersão no Insper","content":"Programa conecta estudantes com inovação e design thinking para ajudar na busca de soluções para problemas sociais reais   Bárbara Nór   Na primeira semana de julho, aconteceu a segunda edição do projeto que recebe alunos do ensino médio no Insper para uma experiência de imersão em inovação social. Neste ano, o desafio era pensar em soluções para tornar possível a alimentação saudável dos moradores no Jardim Colombo, complexo com cerca de 20 mil habitantes em Paraisópolis, em São Paulo. Durante cinco dias, 26 alunos se debruçaram sobre o tema, aprendendo técnicas de design thinking e recebendo apoio para aprofundar os conhecimentos sobre alimentação saudável. Eles aprenderam, por exemplo, sobre questões como permacultura e cultura urbana com Claudia Visoni, jornalista e ativista da agricultura urbana, e visitaram a comunidade do Jardim Colombo para entender a realidade dos moradores. Foi uma semana intensa: a imersão aconteceu em período integral, das 8h30 às 17h30. No quinto dia, os alunos puderam apresentar seus projetos e receberem feedbacks da banca de jurados, que foi composta por nomes como Alex Bottene, professor de Engenharia Mecânica do Insper, Filipi Tieppo, do Centro de Empreendedorismo (Cemp), e duas fazendeiras, Vânia e Ana Paula, do projeto Fazendinhando do Jardim Colombo, que tem o objetivo de revitalizar uma área que virou o “lixão” da comunidade. “A ideia era colocar os alunos em contato com o território para conversarem com pessoas da comunidade, vivenciarem um pouco como é, quais são os hábitos alimentares da comunidade e quais as principais fontes de renda”, diz Juliana Mitkiewicz, professora do Insper e uma das idealizadoras do projeto, ao lado de Ester Carro, também professora no Insper e líder comunitária no Jardim Colombo. A inspiração para o tema veio justamente da experiência de Ester em meio à pandemia junto aos moradores. Não só muitas pessoas ficaram sem renda ao perderem seus empregos, como as crianças também deixaram de ter acesso às merendas por causa das creches e escolas fechadas. A mobilização para fornecer cestas básicas à população, com produtos como hortaliças e legumes, fez os moradores verem que, na verdade, eles sentiam falta de comer alimentos frescos como aqueles. “Quando a campanha de doação parou, as pessoas perceberam como era difícil ter acesso a esse tipo de alimento”, diz Juliana. “A gente entendeu que era uma pauta muito relevante e que deveria ser investigada para entender quais os gargalos para uma alimentação saudável.”   Desafios e conquistas Um dos desafios para os alunos ao longo da imersão foi se conectar com o problema antes de tentar resolvê-lo. Muitos se “apegavam” às primeiras ideias, conta Juliana, e queriam partir logo para soluções, como fazer uma horta na comunidade. “O design thinking pede que a gente critique o problema em vez de tentar resolvê-lo de primeira, entender diferentes pontos de vista. Cada um lê com o problema com os olhos que tem e interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto”, diz. “É preciso destrinchar o que significa alimentação saudável, entender por diferentes pontos de vista que é um tema complexo, achar uma causa raiz para, aí sim, pensar em soluções.” Para ela, a experiência foi mais do que positiva. “Quando os alunos entenderam que eles não sabiam do problema e precisavam perguntar para a população, foi muito bonito. Eles se conectaram com a comunidade e foi uma cooperação entre todos os grupos”, diz Juliana. Diferentemente do primeiro ano do projeto, esta edição não teve uma competição entre os alunos. No final, todos os projetos ganharam duas mentorias do Cemp justamente para continuar desenvolvendo o trabalho — a meta é que, depois, eles sejam incubados como startups para que os projetos possam ajudar, de fato, a resolver os problemas identificados. Um dos objetivos por trás do projeto é conectar os jovens com a vida acadêmica e universitária, além de colocá-los em contato com questões sociais e outras realidades e pontos de vista. “O próprio Insper vem ampliando essa parte social. Embora seja uma escola que olha tradicionalmente para a economia, o mercado financeiro e as engenharias, queremos mostrar como esses cursos se conectam com realidades e problemas reais da sociedade”, afirma Juliana. Por isso, a própria imersão se tornou mais diversa. Neste ano, não só os alunos do Colégio Santa Cruz puderam se inscrever, como também de outras escolas e até de outros estados: dois participantes vieram de Mato Grosso para a imersão. Os alunos foram divididos em grupos multidisciplinares e com diversas idades, do nono ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio. Outro objetivo é atrair mais mulheres para esses cursos — grande parte da turma deste ano foi formada pelo público feminino. “Muitas chegavam aos laboratórios que são utilizados para as engenharias e diziam que não eram capazes de utilizar as ferramentas”, diz Juliana. “Eu vi o quanto o projeto transformou a autoestima e a confiança delas. Algumas resolveram tentar Engenharia só por causa da experiência”.     Conheça um pouco dos projetos desenvolvidos pelos alunos   Projeto Los Santas Conectar as pessoas mais velhas, muitas vezes ociosas, com uma iniciativa que já existe, o Projeto Viver, que oferece atividades extracurriculares para as crianças quando elas voltam da escola. Nele, depois de passar por capacitação, os idosos transmitiriam seus conhecimentos sobre a terra e plantação com os mais jovens.   Projeto + Água  Ajudar a comunidade a revolver o problema de acesso a água, que só é fornecida entre 6h e 22h, além de sofrer vários cortes em época de estiagem, o que prejudica não só o saneamento como também a irrigação do solo para potenciais plantios. Assim, os alunos desenvolveram um sistema com materiais recicláveis disponíveis no entorno para captação de água da chuva nos telhados da casa.   Projeto Florestando Revitalizar um córrego que passa na comunidade que está sem mata ciliar e degradado, com muito lixo, por meio do plantio de um sistema agroflorestal, prática antiga que ajuda a revitalizar e restaurar o solo. As várias espécies de plantas que seriam cultivadas também ajudariam a limpar e melhorar a qualidade da água. Para isso, as crianças da comunidade teriam uma participação ativa.   Projeto Uno O projeto, conectado com o anterior, visa conscientizar as crianças da comunidade por meio de atividades lúdicas, em especial no Festival Cultural, que já acontece no Jardim Colombo. Elas aprenderiam práticas agroecológicas e plantariam mudas na comunidade, para melhorar o solo e permitir o cultivo de plantas comestíveis.   Projeto Feirendinha Reaproveitar alimentos hoje descartados por feirantes no fim das feiras que acontecem no entorno. Por isso, surgiu a ideia de comprar a um preço mais baixo esses alimentos próprios para consumo que seriam descartados e vendê-los na comunidade a um preço acessível.   Projeto Temperos e nutrição Fomentar uma alimentação mais saudável a partir da plantação individual de ervas e temperos dentro das casas. Essas plantas exigem menos manutenção e menos área para cultivo, mas são ricas em nutrientes e servem para aumentar a qualidade das refeições. O objetivo é trazer o conhecimento de ervas e temperos e ensinar a plantá-los em hortinhas verticais.  "}]