[{"jcr:title":"Curso para senadores e deputados federais discute liderança política pela sustentabilidade"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Curso para senadores e deputados federais discute liderança política pela sustentabilidade","jcr:description":"Desafios, políticas públicas e fontes de financiamento para programas ambientais, dinâmica do agronegócio e mercado de carbono foram temas da parceria entre Insper, Raps e União Europeia"},{"subtitle":"Desafios, políticas públicas e fontes de financiamento para programas ambientais, dinâmica do agronegócio e mercado de carbono foram temas da parceria entre Insper, Raps e União Europeia","author":"Ernesto Yoshida","title":"Curso para senadores e deputados federais discute liderança política pela sustentabilidade","content":"Desafios, políticas públicas e fontes de financiamento para programas ambientais, dinâmica do agronegócio e mercado de carbono foram temas da parceria entre Insper, Raps e União Europeia   Leandro Steiw   A taxa de desmatamento da Amazônia Legal cresceu 22% no período de um ano, no dado mais recente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram 13.235 quilômetros quadrados de floresta que sofreram o chamado corte raso, quando a vegetação é eliminada rente ao solo. Pela primeira vez neste século, o índice aumentou por quatro períodos anuais consecutivos. Não é à toa, portanto, que a Amazônia foi um dos temas do curso Liderança Política pela Sustentabilidade, oferecido pelo [Centro de Gestão e Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/) do Insper (CGPP) em parceria com a [Rede de Ação Política pela Sustentabilidade](https://www.raps.org.br/) (Raps) e a Delegação da União Europeia (UE) no Brasil. Ministradas por professores do Insper e especialistas indicados pela UE para 14 senadores e deputados federais da rede de lideranças Raps, as aulas ocorreram presencialmente de 10 a 12 de fevereiro. “Hoje, a realidade no Brasil é de total descaso com o clima. Temos uma política de desmonte dos órgãos fiscalizadores, corte de orçamento e a falta de técnicos e infraestrutura para que se possa realizar uma política ambiental adequada às necessidades do país”, diz a cientista política Mônica Sodré, diretora executiva da Raps. Ao buscar a parceria com o Insper, a Raps pretendia qualificar os membros da rede no Congresso Nacional e mudar o cenário identificado na pesquisa “A Agenda do Clima no Congresso Nacional”, lançada em 2021. “Percebemos como os deputados federais e os senadores estão afastados das agendas ambiental e climática”, observa Mônica Sodré, que falou na abertura do programa ao lado do presidente do Insper, Marcos Lisboa, e do embaixador da UE no Brasil, Ignacio Ybáñez. Segundo o embaixador, explicar aos congressistas brasileiros a gênese do Green Deal, o Pacto Ecológico Europeu, ajuda a entender as oportunidades abertas às empresas e aos cidadãos europeus. “O Congresso não representa apenas o coração de qualquer democracia, mas também é um parceiro indispensável para a União Europeia em sua relação com o Brasil”, diz Ignacio Ybáñez. Mônica Sodré também menciona a urgência da pauta: “O Parlamento precisa dar uma contribuição para que o país enfrente a emergência do clima na velocidade, no tempo e na urgência que ela tem”.   Impactos planetários A primeira aula, da docente líder do curso [Priscila Claro](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/docentes-pesquisadores/priscila-borin-claro/) , identificou os principais desafios planetários e seus impactos no desenvolvimento. Doutora em Administração e coordenadora de Responsabilidade Social e Extensão do Insper, Priscila Claro mostrou a importância do uso de evidências para a implantação de políticas públicas de meio ambiente e sustentabilidade. Em participação online, Mercedes Sánchez Varela, especialista da UE, expôs o contexto, a importância e os desafios do Pacto Ecológico Europeu. Os congressistas brasileiros puderam, então, identificar oportunidades, similaridades e diferenças em relação à realidade brasileira. Consultora em assuntos europeus, Mercedes Varela reforçou a importância do engajamento da sociedade civil na consolidação do Green Deal. “Um continente sozinho não poderá fazer todos os esforços. A batalha de mudança climática é global”, afirma. Sob o ponto de vista econômico, Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, tratou de externalidades, bens públicos e instrumentos de políticas públicas para sustentabilidade. Doutor em Economia, ele discutiu por meio de estudos de caso como conciliar interesses privados e coletivos por meio da intervenção do estado em questões ambientais. A professora [Andrea Minardi](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/docentes-pesquisadores/andrea-minardi/) , pesquisadora senior fellow do Insper, abordou como grandes investidores podem atuar na agenda socioambiental, exercendo influência sobre empresas e países ou financiando projetos. Fontes de financiamento, investimento ESG, estratégias, greenbounds , sustainability-linked bonds , instrumentos blended e catalytic capital foram alguns dos conceitos do estado da arte da visão financeira da sustentabilidade comentados por Andrea Minardi, que também é diretora da Sociedade Brasileira de Finanças. No final do primeiro dia, Priscila Claro debateu o caso da Amazônia, sob a perspectiva de comando e controle versus instrumentos econômicos. A professora associada do Insper demonstrou as vantagens e desvantagens de resolver problemas ambientais por meio da regulação e da fiscalização, particularmente sobre os instrumentos e sua efetividade na Amazônia.   Desmatamento persistente O segundo dia de curso começou com o professor sênior de agronegócio [Marcos Jank](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/docentes-pesquisadores/marcos-sawaya-jank/) , coordenador do centro Insper Agro Global. Doutor em Administração, ele analisou a dinâmica de crescimento e inserção internacional do agronegócio brasileiro, com destaque para fatores de produtividade, competitividade e comércio internacional. Dada a relevância do agronegócio no Brasil, responsável por 20% do PIB do país, Marcos Jank explicou a evolução do uso da terra no país, as razões do desmatamento persistente e as técnicas de baixo carbono, emissão de CO 2 e metano na agricultura. Especialista em mudanças climáticas da UE, o consultor Renato Roldão conduziu uma aula sobre os benefícios e desafios do mercado de carbono, um dos tópicos da COP22 (a conferência mundial sobre mudanças climáticas), que levou à assinatura do compromisso em desestimular o consumo de combustíveis fósseis na COP26, no final de 2021. Vivendo há 15 anos na Ásia, Renato Roldão tem vasta experiência no mercado da China, que guarda similaridades com o brasileiro. A comunicação de temas complexos em políticas públicas e sustentabilidade foi o assunto de  [Pedro Burgos](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/docentes-pesquisadores/pedro-burgos/) , professor de Comunicação e Jornalismo no Insper. Exemplificando com estudos de casos internacionais de sucesso, ele examinou o uso de redes sociais, a adaptação de linguagem para diferentes públicos e a comunicação da incerteza num mundo cada vez mais veloz. Ngaire Woods, reitora da Blavatnik, a Escola de Governo da Universidade de Oxford, participou online para discorrer sobre liderança de implementação. Economista e PhD em relações internacionais, ela analisou com os congressistas brasileiros alguns desafios e caminhos para implementar projetos. “Hoje em dia, ser um político eleito é o trabalho mais difícil do mundo. Os nossos maiores desafios globais são desafios coletivos, e vocês são as lideranças que precisamos para resolvê-los”, comentou a reitora. No final do segundo dia, retomou-se o diálogo do mercado de carbono e da COP26. Entre os senadores e deputados federais, alguns já participaram da tramitação dessas pautas no Congresso e puderam contribuir para fomentar o debate sobre as experiências em desenvolvimento no Brasil.   Manifesto individual No último dia, Priscila liderou uma dinâmica cujo produto era um manifesto individual. Nesse manifesto, cada participante define como pode implementar o que aprendeu no curso e engajar-se na agenda. A ideia era refletir sobre os aprendizados e identificar lacunas de conhecimento sobre questões de meio ambiente e sustentabilidade, além de propor um plano de ação alinhado do Green Deal. Ao final, a vice-embaixadora da União Europeia, Ana Beatriz Martins, fez uma fala institucional de encerramento. Para a professora Priscila Claro, a percepção de que o eleitor está pouco preocupado com questões ambientais, fato apontado inclusive pela pesquisa da Raps, impõe a necessidade de conscientizar cada vez mais a população, que, por falta de conhecimento, ainda não entende que a pauta é prioritária. “Mas não basta esperar o eleitor ou a população buscar o tema”, pondera. “Temos direitos e deveres, e os parlamentares também têm deveres morais e éticos em alavancar essa pauta. Se conhecemos quais são os riscos relacionados e as oportunidades, está no papel da liderança contribuir para que os temas sejam de alguma forma colocados, independentemente de o eleitor se preocupar ou não. Sabemos que é o certo a fazer. Os impactos negativos que isso pode ter no desenvolvimento são enormes.” O curso Liderança Política pela Sustentabilidade foi uma parceria inédita do Insper com a Raps, nos moldes de programas já realizados com outras redes de liderança política. Investidora do projeto, a União Europeia colaborou com a vinda de especialistas de fora do Brasil, permitindo uma visão ainda mais global e o intercâmbio com os acadêmicos do Insper e os congressistas brasileiros. “O Insper segue muito focado em contribuir para a sociedade como um todo por meio da formação de suas lideranças, inclusive a liderança política. Todo o cuidado no desenho e na execução do programa, com destaque para as aulas participativas da equipe docente e o alto nível de participação dos congressistas, materializam essa nossa missão. Estamos de portas abertas para outras lideranças, organizações e instituições que buscam no Insper um potencial parceiro”, diz Vinícius Cassio Barqueiro, coordenador de educação executiva do Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper.   INSCRIÇÕES ABERTAS: Insper lança o  [ PAS – Programa Avançado em Sustentabilidade ](https://www.insper.edu.br/pos-graduacao/programas-avancados/programa-avancado-em-sustentabilidade/)   Veja uma galeria de fotos do curso Liderança Política pela Sustentabilidade:"}]