[{"jcr:title":"Aluna do Insper participa de projeto que conecta computação e neurociência na Universidade de Illinois","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:pesquisa-na-graduação","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:tecnologia","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:ciência-da-computação","cq:tags_3":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/internacional"},{"richText":"Laura Pontiroli Machado, do curso de Ciência da Computação, integrou o programa de verão da UIUC, onde contribuiu em uma pesquisa sobre o uso de neurônios vivos em aplicações computacionais","authorDate":"14/10/2025 18h16","madeBy":"Por","tag":"tipos-de-conteudo:pesquisa-na-graduação","title":"Aluna do Insper participa de projeto que conecta computação e neurociência na Universidade de Illinois","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Quando embarcou rumo à cidade universitária de Urbana-Champaign, no estado de Illinois, nos Estados Unidos, Laura Pontiroli Machado estava ansiosa por vivenciar uma experiência que sempre desejou: uma imersão acadêmica internacional. A estudante de 21 anos, natural de São Paulo e atualmente no 6º semestre de [Ciência da Computação](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/graduacao/ciencia-da-computacao) no Insper, se preparava para mergulhar em um ambiente de pesquisa de ponta, onde poderia unir sua paixão por computação ao desejo de estudar fora do Brasil. “Eu queria muito ter essa experiência de passar um tempo fora do país, mas de uma forma acadêmica, não como turista”, conta. “Quando surgiu essa oportunidade de fazer pesquisa fora, achei mais interessante até do que fazer um curso.” A oportunidade surgiu por meio do Summer Research Program, iniciativa realizada em [parceria](https://www.insper.edu.br/pt/quem-somos/internacional/parceria-com-a-universidade-de-illinois) entre o Insper e a Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (UIUC), como parte de um acordo firmado em 2022. O programa oferece aos estudantes participantes a chance de trabalhar por aproximadamente dois meses em projetos de pesquisa de ponta, integrando laboratórios de diferentes áreas da ciência e da engenharia. Pesquisa em área emergente Ao ser selecionada para participar do programa, Laura foi alocada no projeto “Mind in Vitro”, coordenado pela professora  [Nancy Amato](https://ece.illinois.edu/about/directory/faculty/namato) , uma das principais referências na área de computação da UIUC. A proposta do projeto era ambiciosa e desafiadora: investigar a viabilidade do uso de neurônios vivos — cultivados a partir de células-tronco extraídas de amostras de sangue — como elementos computacionais, substituindo ou complementando processadores de silício tradicionais. A pesquisa integra o laboratório de robótica da professora Nancy, onde, apesar de o projeto não estar diretamente ligado à robótica, a estudante pôde interagir com alunos de doutorado e mestrado que contribuíam com diferentes frentes de pesquisa. “No cotidiano, eu interagia mais com os estudantes de pós-graduação. A Nancy acompanhava de perto, mas coordenava múltiplos projetos. Os alunos conseguiam dedicar mais tempo à orientação prática”, comenta. A principal responsabilidade de Laura foi aperfeiçoar o simulador computacional utilizado para testar hipóteses antes da aplicação nos neurônios vivos, reduzindo custos e riscos experimentais. “Trabalhei com os arquivos de especificação usados para fabricar o hardware de gravação do comportamento neuronal. A partir desses dados, eu extraía informações e as aplicava no simulador, para torná-lo o mais próximo possível da realidade experimental”, relata. Embora já tenha tido experiências internacionais — durante o Ensino Médio, participou de um projeto na ONU —, esta foi sua primeira imersão acadêmica prolongada fora do Brasil. A adaptação, naturalmente, apresentou seus desafios particulares. “Minha maior dificuldade foi compreender os fundamentos da neurociência. Eu não possuía conhecimento prévio significativo nessa área. Então precisei estudar como os neurônios funcionam antes mesmo de trabalhar com a parte computacional.” A comunicação técnica em inglês também exigiu adaptação constante. Todas as reuniões, discussões científicas e apresentações eram realizadas no idioma. “Contribuiu significativamente para desenvolver minha comunicação técnica. Eu tinha que explicar meu trabalho para pessoas de diversas áreas. Isso me forçou a aprender a comunicar com clareza e segurança.” Contudo, os desafios não ofuscaram os ganhos. Pelo contrário: foi justamente a superação das dificuldades que trouxe novos horizontes. “Antes, eu considerava que fazer doutorado era algo muito distante. Mas lá compreendi que você aprende durante o doutorado. Não precisa chegar dominando todos os conhecimentos”, compartilha. A conversa com a professora Nancy Amato foi particularmente esclarecedora. “Ela me disse: ‘Você aprende no doutorado, é para isso que ele serve’. Isso transformou completamente minha perspectiva sobre a pós-graduação." Rotina acadêmica e convivência internacional A experiência se estendeu do início de junho ao fim de julho. Durante esse período, conviveu com outros 13 estudantes brasileiros — 9 que, como ela, foram selecionados pelo programa em 2024, e 4 que estavam retornando ao Brasil após participarem da edição anterior. O grupo se hospedava em um prédio próximo ao campus, criando uma comunidade acadêmica brasileira temporária. “A colaboração era constante. Havia vários estudantes do Insper trabalhando no mesmo projeto. Então, quando eu tinha dúvidas de outras áreas, consultava os colegas. Foi uma troca extremamente enriquecedora.” Ao final do programa, todos os participantes prepararam banners de apresentação dos seus projetos, que foram expostos em uma mostra aberta ao público universitário. As atividades de lazer também integravam a rotina. “Como a cidade é pequena, acabávamos fazendo as atividades juntos. Frequentamos várias vezes o centro de escalada indoor, cinema, e exploramos muitos restaurantes locais. Uma das coisas mais impressionantes foi observar o investimento que eles fazem no esporte universitário — a academia da UIUC é enorme.”   Novos horizontes acadêmicos e profissionais Além do conhecimento técnico adquirido, a estudante trouxe consigo uma nova perspectiva sobre o mundo acadêmico e sobre seu próprio potencial. “O que mais ganhei com essa experiência foi o contato direto com a pesquisa, compreender como funciona um mestrado, um doutorado. Descobri que há muito mais prática do que eu imaginava.” A experiência foi tão enriquecedora que ela decidiu continuar colaborando com o projeto “Mind in Vitro” de forma remota, mesmo sem vínculo formal com o programa. “É por puro interesse científico. O projeto me fascinou, e quero continuar contribuindo.” Embora ainda não tenha decidido exatamente que caminho seguirá após a graduação, Laura sente-se significativamente mais aberta às possibilidades. Se antes sonhava em trabalhar com desenvolvimento de jogos — ideia que acabou descartando ao perceber que preferia manter os games como hobby —, hoje se vê explorando áreas como bioinformática e consultoria tecnológica. “Tenho grande afinidade com resolução de problemas complexos. Aprecio a parte lógica, de análise. E a bioinformática foi uma descoberta surpreendente, uma convergência de áreas que me interessam bastante.” Para estudantes que considerem se candidatar ao Summer Research Program, Laura aconselha: “Aprenda a aprender sozinho”. Segundo ela, essa habilidade é essencial para aproveitar integralmente a experiência. "Os professores lá são incríveis, mas têm múltiplas responsabilidades. Então você precisa ser proativo, estudar por conta própria, compreender os problemas antes de solicitar ajuda. Isso faz toda a diferença.”  "}]