[{"jcr:title":"Próximo governo vai encarar grandes desafios em políticas públicas","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"No segundo dia da Semana de Políticas Públicas, participantes debateram temas cruciais como reforma administrativa, assistência social, saúde, segurança e educação","authorDate":"15/09/2026 12h47","author":"Tiago Cordeiro","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","title":"Próximo governo vai encarar grandes desafios em políticas públicas","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"As eleições deste ano representam uma oportunidade para refletir sobre os principais desafios de políticas públicas do país, que estarão diante das lideranças dos Poderes Executivo e Legislativo que vão assumir seus mandatos em 2027. São questões complexas, como lembrou Renata Bichir, professora de gestão de políticas públicas da USP e coordenadora de pesquisa do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), durante o segundo dia de debates da  [Semana de Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/politicas-publicas/semana-de-politicas-publicas) , promovida pelo Centro de Gestão e Políticas Públicas ( [CGPP](https://www.insper.edu.br/content/insper-portal/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas.html) ) do Insper. “No Brasil temos desafios do século 19, 20 e 21. Ainda estamos discutindo trabalho escravo e saneamento básico, por exemplo”, apontou ela. [Disponível na íntegra](https://www.youtube.com/live/-ZD0sG_4qHg)  no YouTube do Insper, o encontro “Grandes desafios da gestão pública para o próximo governo” foi marcado por reflexões sobre as prioridades para o país, diante da complexidade dos problemas, dos limites concretos da agenda pública e das propostas capazes de sobreviver às urnas e ao jogo de forças entre Executivo, Legislativo e sociedade. Participaram, ao lado de Renata, Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, organização dedicada ao aprimoramento da gestão de pessoas no setor público, e integrante da Rede de Líderes da Fundação Lemann, e Sandro Cabral, Professor Titular do Insper nas áreas de Estratégia e Gestão Pública, com pesquisas sobre estratégia e desempenho no setor público, criação de valor público e colaboração entre organizações públicas, privadas e sem fins lucrativos. A condução ficou a cargo do cientista político Carlos Melo, coordenador do Observatório da Política do CGPP e professor do Insper. Desigualdade no Estado Os participantes apontaram a falta de profundidade nos debates eleitorais e chamaram a atenção para o risco de confiar em líderes personalistas, uma vez que as principais demandas do país exigem soluções interdisciplinares, construídas coletivamente e apoiadas na escuta ativa da sociedade. Eles debateram temas considerados entre os mais urgentes para as políticas públicas nos próximos anos, como reforma administrativa, segurança pública, assistência social, saúde e educação — nas duas últimas áreas, há sinais de avanço, embora ainda persistam muitos desafios. A respeito da reforma, Jessika lamentou o fato de a tramitação da  [PEC 38/2025](https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2576168)  não ter avançado. “Era uma proposta ambiciosa, que não foi adiante. É uma mudança que poderia gerar uma mudança no funcionalismo e ampliar a capacidade estatal.” Ela também defendeu um debate amplo a respeito dos supersalários do setor público. “Há uma desigualdade tremenda. Atualmente, menos de 1% ganham muito mais de R$ 46 mil, enquanto 60% ganham até R$ 4 mil. O teto constitucional deixou de ser limite, quando todos os servidores deveriam receber rendimentos justos e competitivos. Trata-se de agir no interesse de que o Estado não seja indutor de desigualdade no funcionalismo”. Por sua vez, Sandro Cabral abordou os desafios da segurança pública. “Enquanto o crime se tornou altamente organizado, o governo é completamente desorganizado. Há policiais e profissionais muito bem treinados, mas falta articulação entre os atores. E há também a influência do interesse das corporações. Não raro, o secretário de Segurança Pública não despacha com o comandante-geral da PM — ele conversa direto com o governador”. Renata lembrou que tirar ideias do papel não é simples, mas é possível, desde que lideranças de diferentes áreas de atuação dialoguem e sigam na mesma direção. “O todo não é a soma das partes, é muito maior. Discutir políticas públicas é debater gestão coletiva, que leve em conta que existem dimensões diferentes: uma coisa é o dia a dia da produção da política, outra é a qualidade do debate público. Fazer política pública não é uma varinha de condão, mas também não é uma caixa de pandora.” Momento de transição Carlos Melo lembrou que o momento vivido pelo país é particularmente relevante. “O Brasil está vivendo uma transição. Esta deve ser a última eleição de uma geração de políticos. Em 2030, outra geração deve se colocar. O velho está agonizando, mas o novo ainda não nasceu. E isso acontece num cenário em que formar lideranças políticas se tornou uma dificuldade em todo o mundo”, disse. Nesse contexto, o tom dos debates eleitorais deste ano gera preocupação. “Estou muito preocupada com o que estamos curtindo em redes sociais. Estamos muito distraídos, enquanto ganham escala os discursos simplistas que se posicionam em termos de bem contra o mal, quando na verdade trata-se de avaliar quem tem capacidade de entregar o país que a gente quer”, afirmou Jessika. “Muitas vezes a população quer ouvir de uma forma simplista, mas não é assim que se faz política pública. Vejo um processo de infantilização na política de um modo geral”, reforçou Sandro. A Semana de Políticas Públicas é um evento anual dedicado a temas centrais desse campo, reunindo debates qualificados sobre desafios contemporâneos enfrentados por profissionais da administração pública, do terceiro setor e de instituições que atuam em interface com o poder público. A edição de 2026 ocorreu em um contexto especialmente relevante para o debate público no Brasil, marcado pelas eleições gerais e pela implementação da reforma tributária, reforçando a importância de espaços de análise, diálogo e reflexão sobre a agenda pública. A programação está disponível na íntegra no YouTube:  [Dia 1](https://youtube.com/live/B9VbT-gOP0c?feature=share)  |  [Dia 2](https://youtube.com/live/-ZD0sG_4qHg?feature=share)  |  [Dia 3](https://youtube.com/live/NlglvZUm7cA?feature=share) .  "}]