[{"jcr:title":"Os desafios para ampliar a participação das mulheres nas decisões políticas","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas"},{"richText":"Painel com especialistas discutiu os obstáculos e as oportunidades para aumentar a representatividade feminina na arena pública","authorDate":"19/07/2024 14h44","madeBy":"Por","title":"Os desafios para ampliar a participação das mulheres nas decisões políticas","variant":"imagecolor"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"targetId":"compartilhar1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"text":"Como parte da  [Semana de Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/agenda-de-eventos/semana-de-politicas-publicas/) , o Insper realizou em 3 de julho um painel para discutir  [“A importância da participação feminina nas decisões políticas”](https://www.youtube.com/live/sarIEQ0a2H4) . O encontro abordou os desafios e as oportunidades da participação feminina em decisões políticas, desde a superação de obstáculos até a criação de políticas inclusivas. Também debateu estratégias para aumentar a representatividade dessas lideranças na arena pública e construir uma sociedade mais justa e equitativa.   O painel reuniu a economista Ana Carla Abrão Costa, vice-presidente de Novos Negócios da B3; Luana Tavares, fundadora da Conecta, organização social que trabalha para incentivar o protagonismo feminino na política nacional; o cientista político Marcelo Issa, fundador do Movimento Transparência Partidária; e Rachel Maia, fundadora do Instituto Capacita-me e presidente do Conselho de Administração do Pacto Global Brasil. O bate-papo foi mediado por Vivian Satiro, coordenadora de gestão de projetos do Centro de Gestão e Políticas Públicas (CGPP) do Insper.   Na abertura do painel, Luana Tavares lembrou do último  [evento](https://www.insper.edu.br/noticias/eleicoes-de-2024-apresentam-desafios-e-oportunidades-para-as-mulheres-na-politica/)  promovido pelo Insper em parceria com a Conecta, em 4 de junho, para discutir os obstáculos enfrentados pelas lideranças femininas para ampliar sua presença na política. “Em um ano de eleições municipais, nada mais justo e importante do que trazer esse debate para a perspectiva das eleições e discutir o impacto de uma maior participação feminina na política”, disse Luana. “O que isso realmente significa é que não estamos falando apenas de alcançar uma paridade numérica de 50% para cada gênero ou raça, mas também de resultados. Se o papel do Estado e da sociedade é garantir que todas as pessoas tenham suas necessidades atendidas, é justo termos a participação efetiva dos diversos grupos nas mesas de decisão. Infelizmente, os dados atuais mostram que essa máxima ainda não se traduz em realidade.”   Primeira mulher negra a presidir o Pacto Global no Brasil, Rachel Maia destacou que as mulheres devem ser valorizadas por seu talento e estar preparadas quando as oportunidades surgirem. “Em minha trajetória, tive sorte, sim, mas porque eu estava preparada. As pessoas diziam: ‘Rachel, você já é presidente. Não precisa mais se sentir negra’. Enfrentei desafios e comentários preconceituosos, mas isso reflete a normalidade dos fatos. Somos a geração de transformação, que planta tamareiras sem se sentar à sombra delas. Nossa responsabilidade é transformar, o que requer resiliência e perseverança para não deixar a história inacabada”, afirmou. “Como disse Graça Machel [ativista moçambicana de direitos humanos], com quem tive a oportunidade de conversar no último fim de semana, ‘não quero ser apresentada como ex-primeira-dama, pois isso não me define’. Concordo plenamente. As mulheres querem ser reconhecidas por suas conquistas e pelo que podem contribuir, seja na política, seja na liderança ou em qualquer outra área que escolherem.”   Ex-secretária da Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão Costa contou que é mãe de cinco meninos e uma menina. “Sempre estive em um mundo masculino, tanto na minha vida pessoal quanto profissional, pois sou economista e trabalhei no mercado financeiro, um campo predominantemente masculino. Tive que me preparar constantemente com educação, dedicação e estudo para ocupar meu espaço. Muitas vezes fui, e ainda sou, a única mulher na sala. Ainda percebo o quanto o preconceito e o machismo imperam na nossa sociedade, por isso participo deste debate como ativista”, disse. “Minha mãe, senadora por Goiás, rompeu várias barreiras, mas lutamos para que minha filha tenha uma vida mais fácil que a nossa. Acho que ela, que tem 18 anos, ainda sofrerá o preconceito que tantas de nós sofremos, mas tenho certeza de que estamos evoluindo de maneira positiva.”   Um dos fundadores do movimento Transparência Partidária, criado há sete anos, Marcelo Issa comentou o papel central dos partidos no sistema político brasileiro. “A participação da mulher na política começa com a participação nos partidos, o que muitas vezes é esquecido. Um levantamento de 2018-2019 mostrou que apenas dois partidos no Brasil têm maioria de mulheres filiadas. Nas cúpulas de direção, em média, apenas 20% são mulheres, geralmente em cargos de pouca expressão. As executivas dos partidos raramente têm mulheres com poder de decisão, e os homens que comandam os partidos geralmente estão no poder há muito tempo”, afirmou. A Transparência Partidária busca abordar sua atuação em quatro eixos: transparência (prestação de contas e processos decisórios), democracia interna (espaço para a participação efetiva dos filiados), diversidade e equidade (incentivos para representatividade) e integridade (uso correto dos recursos públicos). Issa lembrou que, desde 1998, há uma regra que determina a destinação de 5% dos recursos do fundo partidário para programas de incentivo à participação feminina, mas ela é sistematicamente descumprida."},{"subtitle":"Tem o objetivo de promover o debate informado sobre diagnóstico, formulação e avaliação de políticas públicas no Brasil.","themes_0":"centro-de-conhecimento:","highLinkUrl":"https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas","title":"Conheça o Centro de Gestão e Políticas Públicas","variant":"image","buttonText":"Confira"},{"text":"Cotas para mulheres   No último dia 11 de julho, a Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que perdoa as dívidas dos partidos políticos pelo não cumprimento de regras de repasse de recursos para candidaturas de mulheres e negros em eleições passadas — o montante da dívida é estimado pela Transparência Partidária em 23 bilhões de reais.  “A PEC da Anistia é um retrocesso, pois busca anistiar irregularidades dos partidos, incluindo o descumprimento das regras de fomento à participação feminina”, observou Marcelo Issa.   O texto aprovado, que ainda precisa ser apreciado pelo Senado, extingue a atual obrigatoriedade de no mínimo 30% de candidatas mulheres. Em troca, prevê uma cota mínima de cadeiras para mulheres na Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais. Nas eleições municipais deste ano, ao menos 15% das vagas seriam destinadas às mulheres. Porém, como lembrou a mediadora Vivian Satiro, nas eleições de 2022 para a Câmara dos Deputados, as mulheres se elegeram em um percentual superior a esse piso mínimo: 18%.   Luana Tavares, que concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados em 2022, mas não se elegeu, comentou sobre a proposta de reserva de assentos para mulheres. “Diante dos obstáculos enfrentados pelas mulheres candidatas, esse poderia ser um caminho viável. Não tenho a crítica de que 15% seria pouco. Se já temos 18% com o sistema atual, acredito que 15% não limitará a participação, especialmente se houver uma evolução gradual para 20%, 25%, até 30% ou 35%. A ideia é criar um espaço para as mulheres começarem suas carreiras políticas e evoluírem”, disse.   Luana ressaltou que a discussão não deve se resumir a criar uma regra para obrigar a participação feminina. “Não queremos ser vistas como mulheres que receberam um assento. A preparação para ganhar uma eleição é complexa e difícil. É importante que a construção dentro dos partidos mude para que as mulheres tenham espaços de formação. Iniciativas como as que vêm sendo promovidas pelo Insper, pela Conecta e por outras redes são fundamentais para apoiar mulheres e torná-las competitivas. Queremos representatividade, mas também competência para exercer um papel público que é tão importante.”   Uma participante do público comentou que muitas mulheres acabam desistindo da candidatura política porque não recebem o apoio dos homens, que são maioria, e se sentem sozinhas no meio de uma “alcateia de lobos”. Marcelo Issa chamou a atenção para outro ponto: “Observamos o fenômeno das ‘laranjas’, mulheres ludibriadas que assinam algo sem saber para cumprir a cota de candidatas. Além disso, algumas mulheres acabam trabalhando para os ‘lobos’ dentro dos partidos, enganando outras mulheres para defender interesses que não são das mulheres. Isso é uma realidade, infelizmente.”   Apesar de todos os obstáculos, Rachel Maia encorajou as mulheres a não desistirem de ocupar seus espaços na política. “Muitas vezes, você vai ser aquela laranja consciente e, quando entrar, você tenta mudar. Mas primeiro tem que entrar. Não adianta ficar do lado de fora apenas apontando, criticando e falando. Aí não acontece nada. Escolha a melhor estratégia, mas entre. Depois que entrar, amiga, o palco é seu.”"},{"linkIcon1":"icon-insper-fi-rs-document","linkIcon2":"icon-insper-fi-rs-document","linkText1":"Alunos do MGP do Insper fazem imersão em programas públicos de Minas Gerais","linkText2":"Núcleo de Estudos Raciais estuda a disparidade racial entre as vítimas de suicídio","madeBy":"Por","title":"conteúdos","variant":"nobackground","buttonText":"+ conteúdos","linkUrl1":"https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/politicas-publicas/alunos-do-mgp-do-insper-fazem-imersao-em-programas-publicos-de-minas-gerais","linkUrl2":"https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/politicas-publicas/nucleo-de-estudos-raciais-estuda-a-disparidade-racial-entre-as-vitimas-de-suicidio"},{"jcr:title":"transparente / botao vermelho / tag amarelo"},{"buttonBackgroundColor":"rgb(229,5,5)","themeName":"transparente / botao vermelho / tag amarelo"}]