[{"jcr:title":"Oficina do Núcleo de Estudos Raciais reforça o potencial das políticas públicas na redução das desigualdades","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/educação","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/diversidade","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:tecnologia/dados","cq:tags_3":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_4":"centro-de-conhecimento:n-cleo-de-estudos-raciais","cq:tags_5":"docentes:HedibertFreitasLopes"},{"richText":"O economista Michael França e o estatístico Hedibert Lopes apresentaram, em evento na Paraíba, evidências do racismo no Brasil e técnicas científicas para estudar a discriminação racial","authorDate":"25/06/2025 23h36","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","title":"Oficina do Núcleo de Estudos Raciais reforça o potencial das políticas públicas na redução das desigualdades","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"jcr:title":"Michael França na oficina em João Pessoa","alt":"Michael França na oficina em João Pessoa"},{"text":"  A oficina Desigualdade Racial e Políticas Públicas, realizada pelo [Núcleo de Estudos Raciais](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/nucleo-de-estudos-raciais) (Neri) do Insper, reuniu um público diversificado de professores, pesquisadores e estudantes na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, nos dias 17 e 18 de junho. Os módulos foram ministrados pelo economista Michael França, coordenador do Neri, e pelo estatístico Hedibert Freitas Lopes, coordenador do [Núcleo de Ciências de Dados e Decisão](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/nucleo-ciencias-de-dados-e-decisao) do Insper.   A proposta era ampliar o debate sobre a questão racial no Brasil, concentrando-se nas evidências de discriminação racial e em como o racismo opera no Brasil, por meio de números sobre a desigualdade racial em diversas dimensões, como renda, educação, saúde, violência e política. Os participantes assistiram a uma introdução a técnicas estatísticas e econométricas e também discutiram como as políticas públicas podem ajudar a reduzir as diferenças raciais no Brasil. O evento teve o apoio da Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec) e do Programa de Pós-graduação em Economia e do curso de Ciências Econômicas da UFPB.   França avalia a participação na oficina como extremamente enriquecedora, algo que fortalece a presença do Insper em outras regiões do país. “Participar do evento na UFPB foi uma grande oportunidade de trocar conhecimento com pesquisadores e alunos do Nordeste”, diz o economista. “Isso não só nos permite apresentar o Insper e as pesquisas que desenvolvemos, mas também abrir portas para colaborações futuras e despertar o interesse dos estudantes da Paraíba em virem estudar no Insper.” Na opinião de França, a colaboração entre o Neri e o Núcleo de Ciências de Dados e Decisão do Insper, junto com a pós-graduação em Economia da UFPB e a ANPEC, trouxe um intercâmbio de conhecimentos supervalioso. “A troca com os professores da UFPB foi excelente, e a recepção da cidade, muito acolhedora”, afirma França. No dia 17, o coordenador do Neri ministrou o primeiro módulo, “Discriminação e desigualdade racial: evidências e teorias” e o painel “Desigualdades raciais no Brasil e políticas públicas”. O programa incluiu evidências de discriminação quantitativa — racismo explícito e implícito, quase-experimentos e estudos de correspondência — e teorias de discriminação econômica —  gosto e estatística, teorias sociológicas institucional e sistêmica. Houve também uma apresentação institucional do Insper e um período de mentoria com alunos da graduação e da pós-graduação da UFPB.   O professor Hedibert Lopes ministrou o módulo 2, “Métodos estatísticos aplicados para evidências de desigualdades raciais no Brasil”, no dia 18. A primeira parte foi uma introdução a técnicas estatísticas e econométricas baseadas em estudos do livro Números da Discriminação Racial , lançado pelo Neri em 2023. Na segunda, ele realizou uma atividade aplicada no pacote R, com simulação de dados, estimação de parâmetros, métodos bootstrap e previsão em séries temporais, entre outros.   O roteiro consistiu num tutorial de três horas sobre alguns conceitos de estatística. “Apresentei a resolução de alguns problemas simples e mostrei como isso está relacionado às técnicas da estatística/econometria que são utilizadas nos trabalhos de políticas públicas baseados em evidências”, diz Lopes. “A econometria causal é um tema bastante rico e que mudou o mundo das análises estatísticas de estimação. A referência causal que vem da economia, da administração e da nossa área de métodos quantitativos também está aparecendo no mundo do machine learning , que trabalha com big data e inteligência artificial.”   Lopes falou das técnicas estatísticas que permitem calcular se o efeito de uma política pública causou ou não alguma mudança. Por exemplo, na cidade de São Paulo, em períodos diferentes, reduziu-se e aumentou-se a velocidade máxima nas marginais Tietê e Pinheiros. “Você pode olhar o que estava acontecendo um pouquinho antes e um pouquinho depois dessas mudanças para medir o tamanho desse efeito na redução das mortes por acidentes de trânsito”, explica o professor. “Pode-se fazer o mesmo para medir o efeito das câmeras na roupa dos policiais na variação dos homicídios causados por abordagens abruptas e violentas. Um tratamento de controle elimina a influência de outras variáveis que não sejam a obrigatoriedade das câmeras, como treinamento e índole do policial.”   Uma das preocupações do [Centro de Gestão de Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/) (CGPP) do Insper é conhecer o impacto que essas intervenções têm na vida das pessoas ou de determinado grupo, afirma Lopes. Assim, no segundo dia da oficina, ele ressaltou a importância de dominar as técnicas estatísticas para obter informação mais nítida e precisa sobre os efeitos das políticas públicas. Na graduação do Insper, dois cursos de estatística e dois cursos de econometria tratam de modelos. “Naquelas três horas da manhã do dia 18, apresentei um tutorial que abre uma trilha para o pesquisador que quiser se aprofundar no estudo dessas técnicas de estatística/econometria”, diz Lopes.   A palestra da tarde teve um nível técnico mais alto, dirigido a profissionais da matemática, estatística, economia e aos que trabalham em pesquisas interdisciplinares. “Falei de um trabalho meu que mistura modelagem, estatística bayesiana, árvores e tomada de decisão e causalidade, entre outros temas”, conta Lopes. “Nesse tipo de seminário, quem está lá assistindo pode despertar para a necessidade de criar uma disciplina similar nos seus programas de ensino. No fundo, vejo essas oportunidades como uma forma de chacoalhar quem já sabe que está atrás dos países desenvolvidos em aplicação de métodos de pesquisa científica. A gente tem noção desse atraso, mas sempre leva um choque quando se confronta com a realidade numa palestra ou seminário científico.”  "},{"jcr:title":"O professor Hedibert Lopes na oficina realizada com o apoio da UFPB","alt":"O professor Hedibert Lopes"},{"text":"  Expansão para o Nordeste   Desde o ano passado, o Neri faz uma expansão importante de suas atividades para o Nordeste. O workshop “Desigualdade racial e políticas públicas” (com alguns dos conteúdos da oficina levada a João Pessoa) foi realizado em Fortaleza (CE), São Luís (MA), Salvador (BA), Recife (PE) e Natal (RN). Foi a oportunidade de lançar, nessas capitais, o livro  Números da Discriminação Racial , que recebeu o Prêmio Jabuti Acadêmico 2024, concedido pela Câmara Brasileira do Livro, pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e pela Academia Brasileira de Ciências.   O suporte do CGPP possibilitou ao Neri se unir a pesquisadores e pesquisadoras de outros núcleos de pesquisa. A colaboração com o Núcleo de Ciências de Dados e Decisão, por exemplo, viabilizou a programação conduzida na Paraíba."}]