[{"jcr:title":"O engenheiro agrônomo que foi muito além do campo","cq:tags_0":"docentes:SergioGiovanettiLazzarini","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_2":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas"},{"richText":"A trajetória do professor Sérgio Lazzarini, de suas raízes no agronegócio às pesquisas sobre estratégias empresariais e relações entre empresas privadas e o setor público","authorDate":"25/09/2024 14h52","author":"Ernesto Yoshida","madeBy":"Por","tag":"docentes:","title":"O engenheiro agrônomo que foi muito além do campo","variant":"imagecolor"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Nascido e criado em São Paulo, no bairro do Belenzinho, Sérgio Giovanetti Lazzarini iniciou sua carreira acadêmica na ESALQ-USP, onde se formou em Engenharia Agronômica em 1993. Ali se especializou em economia agrícola e desenvolveu seu interesse por consultoria e análise de mercado. Durante seu mestrado na Faculdade de Economia e Administração (FEA-USP), descobriu sua paixão pela pesquisa acadêmica, influenciado por professores pioneiros no campo do agronegócio e na análise institucional de mercados e organizações. “Foi a melhor recomendação que poderia receber”, diz Lazzarini, ao lembrar o incentivo que recebeu de um professor para seguir no agronegócio, setor que estava em plena expansão. A partir daí, sua carreira o levou ao doutorado na Washington University in St. Louis, nos Estados Unidos, onde aprofundou seus estudos e se conectou com uma linha de pesquisa vibrante em instituições e estratégia de empresas.   De volta ao Brasil, Lazzarini seguiu sua carreira no Insper, onde hoje é professor titular e ocupa a Cátedra Chafi Haddad. Mesmo no Brasil, não deixou de cultivar suas conexões internacionais ao atuar como visitante em universidades como Harvard, HEC Paris, Insead e St. Gallen. Além das atividades como pesquisador e professor, liderou diversas iniciativas no Insper, como a criação do [Insper Metricis](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/metricis) , núcleo focado em investimentos de impacto. “Tenho muito orgulho de fazer parte desse grupo de brasileiros que se desenvolveu e está conquistando espaço no mundo”, diz Lazzarini, ao comentar o sucesso de seus alunos e colegas no exterior.   Suas pesquisas recentes abordam a estratégia e governança de formas organizacionais orientadas para impacto social— que podem ser estatais, colaborações público-privadas e empresas privadas com foco em impacto. É autor de uma trilogia de livros sobre relações público-privadas:  Capitalismo de Laços  (2011),  Reinventing State Capitalism: Leviathan in Business, Brazil and Beyond  (2014, com Aldo Musacchio) e  The Right Privatization  (2022) — este último recebeu neste ano o [Prêmio Jabuti Acadêmico](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cultura/professor-e-pesquisadores-do-insper-vencem-o-premio-jabuti-academico) .    A seguir, conheça mais sobre a trajetória de Sérgio Lazzarini.     As raízes no agronegócio   Eu nasci em São Paulo e cresci no bairro do Belenzinho, na zona leste, do qual tenho muito orgulho. Minha mãe (Eleni Lazzarini) era professora de escola pública, então estudei parte do meu ensino fundamental em escola pública (Escola Estadual Paulo Egydio de Oliveira Carvalho, na Vila Maria). Depois, concluí o ensino médio no Colégio Bandeirantes.    Fiz minha graduação em Engenharia Agronômica na ESALQ, da Universidade de São Paulo, entre 1989 e 1993. Antes mesmo de ingressar na faculdade, já trabalhava fazendo alguns cálculos para a fazenda da família com meu pai, Sylvio Lazzarini [ empresário, fundador e diretor geral do Grupo Varanda Grill ]. Com o tempo, fui me especializando em economia agrícola, focando na análise de mercados e investimentos. Como costumamos dizer, virei um “agrônomo de asfalto”.   Durante a graduação, minha inclinação era seguir como consultor ou analista de mercado. Porém, um professor na ESALQ, Evaristo Neves, me incentivou a fazer um mestrado em administração na área de agronegócio, um conceito novo na época. “Confie em mim, o futuro está no agronegócio. Essa área vai explodir”, me aconselhou o professor. Foi a melhor recomendação que poderia receber, pois a demanda por estudos e consultoria nesse setor se revelou realmente muito grande.    O mestrado na FEA   Entre 1994 e 1997, fiz meu mestrado na FEA, a Faculdade de Economia e Administração da USP. Durante esse período, trabalhei com os professores Decio Zylbersztajn e Elizabeth Farina, que estavam na vanguarda de teorias inovadoras. Foi nesse ambiente que me apaixonei pela academia. Comecei a interagir com o grupo PENSA (Programa de Estudos de Negócios do Sistema Agroindustrial), uma iniciativa pioneira que explorava temas como a organização de empresas e cadeias produtivas, usando a economia dos custos de transação, uma teoria emergente na época.    Esse período foi essencial para minha formação. Fiz parte de uma geração que abraçou o agronegócio e os novos conceitos teóricos que surgiam na época. A FEA proporcionou um ambiente rico de aprendizado, e foi lá que minha paixão pela pesquisa acadêmica realmente despertou. Essa experiência não só me preparou para seguir em frente com um doutorado no exterior, mas também solidificou meu compromisso com a carreira acadêmica, focando em estudos que conectam a teoria com problemas reais do setor.     O doutorado nos Estados Unidos   Entre 1998 e 2002, fiz meu doutorado em Business Administration na Washington University in St. Louis, nos Estados Unidos. Inicialmente, meu foco era o agronegócio, mas, ao chegar lá, comecei a expandir meus interesses e explorar outras áreas. Fiquei fascinado por novas teorias que estavam emergindo na época, como a teoria dos contratos, a teoria dos custos de transação e as instituições. Essas teorias, que na época eram consideradas vanguardistas, hoje estão amplamente incorporadas nas análises econômicas e organizacionais. Tive a sorte de ser apresentado à Washington University durante meu mestrado, por meio de uma pesquisa com meu orientador Decio Zylbersztajn, que foi apresentada em uma conferência lá. O que me atraiu para essa universidade foi a combinação de pesquisadores na Business School e no Departamento de Economia, além de outras áreas como Ciência Política, todos focados em temas que envolviam instituições e organizações.   Uma das influências nesse período foi Douglass North, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, com quem tive a oportunidade de fazer dois cursos. Ele liderava um grupo muito ativo em discussões sobre análise institucional e as “regras do jogo” que governam países e sociedades, temas que são fundamentais hoje, especialmente nas estratégias de internacionalização e interações público-privadas. Essas discussões moldaram minha forma de pensar e direcionaram minha pesquisa. Também tive a sorte de trabalhar sob a orientação de Todd Zenger, que na época era um jovem professor e hoje é uma das figuras mais reconhecidas na área de estratégia empresarial. Esse ambiente me proporcionou uma formação rica e conexões que impactaram minha carreira de maneira decisiva.   Embora eu tenha chegado ao doutorado com a intenção de trabalhar com agronegócio, a vida acabou me levando por outros caminhos. Meu orientador me incentivou a explorar novas áreas e, com o tempo, passei a trabalhar com outras bases de dados e a me interessar por diferentes temas. Minha tese, por exemplo, envolveu um estudo sobre alianças entre empresas aéreas. Embora tenha me afastado do agronegócio por um tempo, continuei envolvido em discussões familiares sobre o setor. Recentemente, voltei a me aproximar dessa área com novos projetos, e há muito o que explorar ainda nesse campo."},{"subtitle":"Com duração de dois anos, os mestrados aprofundam conceitos e práticas que preparam tanto para a atuação profissional quanto para a docência em cursos aplicados","themes_0":"programas:pós-graduação","title":"Conheça os nossos cursos de Mestrado","variant":"image","buttonText":"Confira","buttonLinkUrl":"https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mestrado"},{"text":"A volta ao Brasil   Quando eu estava concluindo meu doutorado, tive que decidir se buscaria uma posição em uma universidade no exterior. Meu orientador me pressionava bastante para seguir esse caminho, sugerindo que eu tinha boas chances de ser contratado por escolas nos Estados Unidos, Canadá ou Europa. No entanto, essa se tornou uma decisão familiar. Eu e minha esposa, Edite, optamos por retornar para o Brasil.   Ao voltar, procurei por escolas no Brasil que oferecessem uma proposta diferenciada, que valorizassem a pesquisa e dessem tempo para o professor se dedicar a ela, algo de que eu não queria abrir mão. Foi então que ouvi falar do Ibmec, que na época estava formando um grupo de pesquisadores. Consegui entrar em contato com Claudio Haddad. Me lembro que eu estava em St. Louis e fiz uma viagem para Chicago, onde me encontrei com ele, que me falou sobre o projeto do Ibmec. Achei a proposta muito interessante, fiz uma apresentação e acabei recebendo uma oferta. Assim, em 2002, vim direto do doutorado para o Ibmec, que depois se tornaria o Insper.   Atividades no Insper   Atualmente, sou professor titular no Insper e tenho a honra de ocupar a Cátedra Chafi Haddad, concedida pela família Haddad. Minha carreira é voltada para a pesquisa intensiva, o que significa que minha principal responsabilidade é realizar pesquisas, publicar artigos e livros. Grande parte da minha atuação está concentrada na pós-graduação, onde leciono em programas de mestrado e doutorado. Embora goste de dar aulas na graduação, as demandas da pesquisa e da pós-graduação acabam tomando a maior parte do meu tempo. Atualmente, ensino no [Mestrado Profissional de Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mestrado/politicas-publicas) , com o curso de Monitoramento e Avaliação de Impacto, e no [Doutorado em Economia dos Negócios](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/doutorado/economia-dos-negocios) , com a disciplina Gestão Estratégica 2. Recentemente, também iniciei um novo curso de Tópicos Avançados em Estratégia para o [Doutorado Profissional em Administração](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/doutorado/doutorado-profissional-em-administracao) .   Ao longo da minha trajetória no Insper, fundei e coordeno o Insper Metricis, um núcleo dedicado ao estudo de investimentos e gestão de impacto. Também exerci diversas funções de liderança na instituição, incluindo a coordenação do Centro de Pesquisas em Estratégia de 2003 a 2006, do curso de Administração de 2005 a 2006, e fui diretor acadêmico de Graduação e Mestrado entre 2007 e 2008. Além disso, fui diretor acadêmico de Graduação em 2009 e diretor de Pesquisa e Pós-Graduação Stricto Sensu de 2013 a 2015. Essas funções me proporcionaram uma experiência valiosa na gestão acadêmica, além de reforçarem minha dedicação à pesquisa e ao ensino.   Tenho imensa gratidão com Claudio Haddad e Tania Haddad, pela confiança depositada em mim com a Cátedra Chafi Haddad. Claudio, em particular, foi uma figura muito importante na minha trajetória. Ele foi um mentor para mim, não só no desenvolvimento acadêmico, mas também na parte gerencial aplicada à gestão de uma instituição educacional. A cátedra me proporciona liberdade para continuar meus projetos de pesquisa e dedicar tempo a eles, o que me deixa extremamente satisfeito e motivado a seguir contribuindo para o Insper e a academia.   O Insper Metricis   Inicialmente, meu foco estava em estratégias de empresas e alianças corporativas, mas, aos poucos, meu interesse se voltou para a interface público-privada, explorando as relações entre empresas, governos e políticas públicas. Em 2010, publiquei o livro  Capitalismo de Laços , que aborda justamente as relações entre governo e empresas. Paralelamente, desenvolvi estudos sobre colaborações público-privadas, em parceria com o professor Sandro Cabral, que na época estava na Universidade Federal da Bahia. Muitas dessas pesquisas evidenciaram falhas no setor privado e no governo, como subsídios sem resultados claros. Isso nos levou a refletir sobre a importância de medir o impacto dessas relações para a sociedade.   Criamos o Insper Metricis há 10 anos justamente com o objetivo de fomentar discussões sobre como monitorar e avaliar indicadores socioambientais e de resultados. Produzimos guias de monitoramento e avaliação, disponíveis no site do Metricis, que orientam sobre como medir impacto. Além disso, o grupo se envolveu em discussões aplicadas no Brasil, como a modelagem de contratos público-privados, onde incluímos indicadores de resultados mensuráveis. O Insper Metricis continua evoluindo com essa missão e estou muito feliz com o impacto que temos gerado até hoje.   O interesse pelas relações público-privadas   Meu interesse em estudar as relações entre empresas privadas e o setor público surgiu de maneira um tanto aleatória. Por volta de 2003 ou 2004, após retornar ao Brasil, fui convidado por um grupo internacional para participar de uma pesquisa. Naquele momento, o Brasil estava no início do governo Lula, após o período das privatizações do governo FHC. O objetivo da pesquisa era mapear quem eram os proprietários das grandes empresas brasileiras e como eles se relacionavam. Adotamos uma metodologia que foi aplicada em vários países, e eu fiquei responsável pelo Brasil. A ideia era identificar os proprietários de empresas como a Vale e analisar as conexões entre eles. Para minha surpresa, em vez de encontrar uma diminuição da presença do Estado, percebi que o governo ainda exercia um papel central, especialmente por meio de instrumentos como os fundos de pensão estatais e bancos públicos. Isso me intrigou profundamente e me levou a investigar por que esse fenômeno ocorria, o que resultou no livro  Capitalismo de Laços  em 2010.   O sucesso do  Capitalismo de Laços  abriu caminho para novas pesquisas. Junto com Aldo Musacchio, professor da Harvard Business School, escrevi  Reinventing State Capitalism  (Reinventando o Capitalismo de Estado), que explorou a expansão estatal durante o governo da presidente Dilma. Nosso livro analisou o papel crescente do Estado nas empresas e nas políticas econômicas. Mais recentemente, as discussões sobre privatizações e reformas estatais se intensificaram, e comecei a receber questionamentos sobre o que seria o melhor caminho a seguir. Isso me motivou a escrever o terceiro livro,  The Right Privatization  (A Privatização Certa), que fecha a trilogia e foi publicado internacionalmente e traduzido para o Brasil. Esse trabalho ganhou o Prêmio Jabuti Acadêmico de 2024. Nele abordo o papel das privatizações no Brasil e como elas podem ser feitas da maneira mais eficiente, sempre considerando o contexto político e econômico de cada situação.   A questão das privatizações   O tema das privatizações no Brasil é extremamente polarizado, e as discussões costumam ser bastante simplistas. A visão dominante se divide entre dois extremos: ou você é completamente a favor e quer privatizar tudo, ou é totalmente contra e acredita que privatizar é sempre ruim. Essas posições são extremas e não refletem a complexidade da questão. No livro  Privatização Certa , tento justamente passar a mensagem de que todas as opções têm suas falhas. Tanto o governo quanto o setor privado apresentam limitações na entrega de resultados. Quem é a favor da privatização deve admitir que o setor privado também pode falhar em observar variáveis de interesse público, e quem é contra deve reconhecer as falhas na gestão estatal.   O livro não tenta dar uma resposta definitiva sobre o que deve ou não ser privatizado, porque não há uma solução única. Tudo depende do contexto. A verdadeira conclusão que apresento é que a privatização não deve ser vista como uma forma de “se livrar de um governo ruim”, mas como uma oportunidade que só faz sentido em um governo competente. Um governo forte e transparente pode avaliar quando é melhor privatizar e atrair atores privados, ou quando é mais adequado melhorar as estatais e mantê-las sob controle público. O foco principal deve ser a qualidade da governança; com um bom governo, tanto a privatização quanto a manutenção de estatais podem ser bem-sucedidas.   Carreira internacional   Quando terminei o doutorado na Washington University, meu orientador sugeriu que eu seguisse uma carreira internacional, acreditando que essa seria a melhor trajetória. No entanto, eu e minha família decidimos voltar para o Brasil. Sabia, porém, que seria importante manter uma conexão internacional, participando de redes acadêmicas e mantendo contato com universidades no exterior. Foi então que optei por atuar como professor visitante em diversas instituições, o que me permitiu visitar escolas durante períodos curtos, como as férias de janeiro, quando eu podia passar um mês em uma universidade, interagir com os pesquisadores, apresentar papers e colaborar em projetos. Dessa forma, consegui equilibrar minha presença no Brasil com a participação no cenário internacional.   Nos últimos três anos, morei no Canadá, uma decisão que também foi motivada por questões familiares, já que minha filha, Julian, foi estudar Artes Visuais em Oakville, perto de Toronto. Eu e minha esposa decidimos acompanhá-la, e passei o primeiro ano na Universidade de Toronto, na Rotman School of Management. Depois, fui contratado pela Ivey Business School, da Western University, em Ontário, como professor full-time, com contrato permanente (tenure). Embora a ideia inicial fosse permanecer no Canadá por mais tempo, nossa filha decidiu voltar ao Brasil depois de se formar, e decidimos retornar também. Durante todo esse período, mantive uma posição parcial no Insper, voltando ao Brasil no verão canadense (nosso inverno) para dar aulas no doutorado, além de continuar envolvido nas discussões do Metricis.   Soluções para a comunidade   Minha área original sempre foi a estratégia de empresas, focada em como elas pensam, planejam e executam suas estratégias. Ao longo do tempo, acabei me envolvendo mais na interface entre o setor público e o privado, mas agora estou buscando retomar esse debate inicial, com base em algo que aprendi nas discussões de políticas públicas e nas interações com o Metricis. Um dos aspectos mais importantes na definição de políticas públicas é a identificação clara do problema central e a criação de uma “teoria de mudança” para resolvê-lo. Essa teoria ajuda a estruturar soluções, como ocorre em problemas na educação, onde o incentivo aos professores ou o engajamento dos pais e alunos pode gerar melhorias concretas. Quero aplicar essa abordagem de maneira mais geral na estratégia empresarial: identificar o problema, planejar uma solução e verificar se a implementação foi bem-sucedida.   A metodologia do Metricis, que usamos no contexto de impacto e políticas públicas, pode ser aplicada também à estratégia empresarial. Um ponto que me interessa muito atualmente é a ideia de “teorização coletiva”, onde os próprios membros das organizações e comunidades participam ativamente na identificação de problemas e na construção de soluções, em vez de depender exclusivamente de consultores, acadêmicos ou formuladores de políticas. No Metricis, por exemplo, desenvolvemos um projeto com a Fundação Tide Setubal para criar uma teoria de mudança voltada para a melhoria de áreas urbanas, como o Jardim Lapenna, na zona leste de São Paulo. A comunidade identificou problemas locais, como enchentes devido à falta de saneamento, e trabalhamos juntos para encontrar soluções, com a participação ativa de todos. Esse envolvimento comunitário é uma abordagem que pretendo explorar ainda mais no futuro, integrando a teoria à prática de maneira colaborativa e efetiva.   Um diferencial do Insper   Acredito que o que diferencia o Insper, especialmente na área de estratégia e administração, é a coesão do grupo. Não há uma separação rígida entre áreas como marketing, estratégia e operações, o que favorece a integração e a colaboração entre os docentes. Somos um grupo menor em comparação com as grandes escolas internacionais, que possuem mais recursos e pessoal. No entanto, o que construímos no Insper, especialmente na área de administração, é algo realmente único. Tenho muito orgulho de fazer parte desse grupo e acredito que essa coesão e colaboração são fatores-chave para nosso sucesso.   Um exemplo claro é nosso subgrupo de estratégia, onde temos o doutorado acadêmico e já orientamos vários alunos que agora estão em grandes instituições ao redor do mundo. O primeiro aluno, Thomaz Teodorovicz, tornou-se professor na Copenhagen Business School. Leandro Nardi é professor na HEC Paris, e Fernando Deodato leciona e faz pesquisa na EAESP/FGV. Além disso, Carlos Inoue, que foi meu aluno de mestrado, é professor na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign. Leandro Pongeluppe, que cofundou o Metricis comigo, é professor na Wharton Business School.    Quando viajo para conferências no exterior, frequentemente ouço comentários sobre essa “invasão de brasileiros” ligados ao Insper, o que antes não era comum. Agora, o nome do Insper é reconhecido, e constantemente me perguntam se temos mais alunos de doutorado para enviar. Esse reconhecimento internacional, em um contexto no qual muitas escolas estão fechando seus programas de doutorado, é algo que considero um grande diferencial do Insper.   Ao longo da minha trajetória, sempre busquei conectar meu trabalho com problemas reais, algo que considero parte do DNA do Insper. Sinto muito orgulho de fazer parte desse grupo de brasileiros que se desenvolveu e está conquistando espaço no mundo. Participar dessa dinâmica e contribuir para esse processo é algo que me deixa muito feliz e orgulhoso, com vontade de fazer mais e melhor."},{"type":"html"}]