[{"jcr:title":"Livro do PAGP debate caminhos para aprimorar políticas públicas","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"formato-de-programa:programas-avan-ados","cq:tags_3":"tipos-de-conteudo:insper-conhecimento","cq:tags_4":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/pesquisa"},{"richText":"Lançamento da obra no Insper reuniu egressos, professores e gestores para discutir desafios de implementação em habitação, segurança alimentar e educação","authorDate":"30/09/2026 16h08","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"Livro do PAGP debate caminhos para aprimorar políticas públicas","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Recursos e um bom desenho não bastam para uma política pública produzir resultados: é preciso superar obstáculos de gestão e execução em cada território. Essa foi a ideia central do lançamento, no Insper, do livro  Programa Avançado em Gestão Pública: contribuições para a implementação de políticas públicas brasileiras . A obra analisa quatro programas: Minha Casa Minha Vida, Bom Prato, Universidade para Todos (Prouni) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).   Organizada por Laura Muller Machado, coordenadora do  [Programa Avançado em Gestão Pública (PAGP)](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/programas-avancados/pos-graduacao-em-gestao-publica) , a publicação reúne, em 488 páginas, trabalhos de 20 egressos das turmas 12 e 13, apoiados por 17 professores. A Fundação Brava apoiou a publicação, editada pela Jandaíra. Na abertura do evento, Juliana Haddad, assistente de pesquisa do Insper, destacou o compromisso do  [Centro de Gestão e Políticas Públicas (CGPP)](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas)  com a produção de conhecimento baseado em evidências e a formação de profissionais capazes de transformar a gestão pública.   O diretor de Pesquisa do Insper, Lucas Novaes, relacionou a publicação a três pilares da escola: uso de evidências, elaboração de estratégias viáveis e implementação. “Sem entender as instituições e as estruturas de cada contexto, nada pode ser de fato implementado”, afirmou. Ricardo Paes de Barros, Professor Titular – Cátedra Instituto Unibanco, coordenador acadêmico do CGPP e autor do prefácio, observou que o Brasil dispõe de ideias e recursos, mas nem sempre consegue transformá-los em resultados. Ele citou a avaliação do Programa Criança Feliz como exemplo de como dificuldades de execução podem comprometer os resultados de uma iniciativa. “A implementação é uma ciência e tem que ser tratada como tal”, disse.   Laura explicou que o livro nasceu da disciplina Desafio de Implementação, na qual os alunos aplicam a uma mesma política os conhecimentos adquiridos ao longo do curso. “Dinheiro e boas ideias não bastam. Alguém tem que pegar esse dinheiro e essa ideia e fazê-la chegar às pessoas”, afirmou. Para ela, a publicação ultrapassa a formação individual dos participantes: “A educação transcende a experiência individual do aluno. Podemos ensinar e fazer com que isso se transforme em uma contribuição para a sociedade como um todo”. O livro inaugura uma coletânea destinada a registrar trabalhos de diferentes turmas do PAGP. Moradia para além da entrega das chaves   Na primeira mesa, os integrantes do grupo apresentaram a análise da faixa 1 do Minha Casa Minha Vida. A equipe identificou problemas relacionados à localização periférica dos empreendimentos, à qualidade das construções, aos custos para as famílias e à capacidade administrativa dos municípios. Como resposta, propôs o “Minha Casa Minha Vida + Gestão”, projeto-piloto de apoio técnico a municípios de médio porte, com foco em integração urbana, fiscalização de obras e acompanhamento das famílias antes e depois da ocupação. O grupo defendeu a incorporação de indicadores qualitativos: ouvir como os moradores avaliam a casa e o entorno, em vez de contar apenas as unidades entregues.   O vereador paulistano José Police Neto, coordenador do Núcleo de Habitação, Real Estate e Regulação do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper, ressaltou o papel das prefeituras. “A política pública só acontece no território”, afirmou. Entregar um imóvel, explicou, não demonstra que a família superou sua vulnerabilidade. É preciso considerar o acesso a serviços, as despesas condominiais e outros custos, além de acompanhar as famílias após a entrega, para evitar que a mudança de moradia crie novas dificuldades financeiras.   A mediadora, professora Fernanda Lemos, acrescentou que os incentivos para reduzir prazos e custos das obras não podem se sobrepor à qualidade da habitação. Do contrário, os custos de problemas construtivos não corrigidos acabam transferidos às famílias e à sociedade. Bom Prato: conhecer melhor quem é atendido   Os integrantes do grupo apresentaram propostas para o Bom Prato, programa paulista de refeições acessíveis, nas áreas de governança, expansão territorial, avaliação, gestão de pessoas e custos. A principal é um sistema integrado de identificação e monitoramento dos usuários, que permitiria conhecer o perfil do público, a frequência de uso e a relação entre a oferta de refeições e as necessidades de cada região.   Leonardo Rossatto, assessor especial da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, ponderou que a falta de dados impede até afirmar que o programa seja pouco focalizado. “Precisamos entender o quanto a disponibilidade de refeições do Bom Prato muda a realidade local”, disse, ao mencionar que a secretaria considera contratar uma avaliação de impacto.   Ele lembrou que o atendimento de “porta aberta” é uma característica do programa, já que exigir cadastro poderia excluir pessoas em situação de rua e sem documentação. Por isso, considerou bem-vinda a ideia de produzir informações sobre os usuários, inicialmente por amostragem, sem criar barreiras de acesso.   A professora Laura Abreu, mediadora, destacou o papel dos coordenadores das organizações da sociedade civil parceiras na qualidade do atendimento. Também valorizou as recomendações para assegurar condições de trabalho e competências adequadas aos profissionais responsáveis pela operação dos restaurantes. Prouni: acesso, permanência e transparência   Os integrantes do grupo apresentaram o alcance das bolsas integrais e parciais do Prouni, mas também lacunas no acompanhamento dos estudantes. O estudo propôs maior articulação entre entes federativos, apoio à permanência, atenção à qualidade dos cursos e transparência sobre bolsas, evasão e renúncia fiscal. A principal recomendação é criar uma plataforma pública que reúna dados hoje dispersos.   Jairo Jorge, ex-secretário executivo do Ministério da Educação que participou da implementação inicial do programa, recordou que o Prouni surgiu para ampliar o acesso e a diversidade no ensino superior e dar contrapartida a benefícios tributários das instituições privadas. “O que se fez foi transformar essa isenção, esse benefício, em algo concreto: vagas”, disse. Ele ressaltou a importância das recomendações sobre assistência estudantil e transparência, especialmente na divulgação de informações sobre vagas, ocupação, evasão e recursos envolvidos.   Na mediação, a professora Patricia Pessoa Valente ampliou a discussão para a qualidade da formação: não basta concluir um curso se o diploma não se traduz em oportunidades. Também questionou como atualizar os mecanismos de transparência de um programa concebido em 2004. Os autores ressaltaram que, embora o Prouni seja viabilizado por renúncia fiscal, e não por desembolso orçamentário direto, é necessário conhecer seus custos e avaliar seus resultados. Alimentação escolar exige capacidade local   Na última mesa, os integrantes do grupo lembraram que a alimentação escolar vai além da refeição: influencia a saúde e a aprendizagem e fortalece a agricultura familiar. Entre os desafios do Pnae estão as diferenças de capacidade entre municípios, a logística, a prestação de contas, a articulação entre áreas e o monitoramento. As propostas incluem formação continuada de gestores e conselhos de alimentação escolar, critérios mais previsíveis para o reajuste dos repasses federais e maior visibilidade orçamentária.   Carolina Mendonça, da Coordenadoria de Alimentação Escolar (Codae) da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, reconheceu a importância de melhorar o monitoramento. Mas fez uma ressalva à padronização: “É muito difícil um município com sete escolas seguir a mesma regra de um município com mais de quatro mil”. Para ela, as formas de adequação às exigências do programa precisam considerar a dimensão de cada rede.   Carolina também apontou os limites do financiamento. No atendimento integral dos centros de educação infantil da capital paulista, exemplificou, o repasse federal de R$ 1,57 por aluno corresponde a uma pequena parte do custo diário, próximo de R$ 11, e o município complementa cerca de 90% do valor. Essa capacidade de complementação está distante da realidade de muitas cidades menores.   A professora Marianna Sampaio, mediadora, retomou um desafio que também apareceu nas outras mesas: “Precisamos criar capacidade estatal, criar competências nos municípios, não só para executar a política, mas também para prestar contas dela”. Ela defendeu a reflexão sobre formas de fortalecer a formação dos gestores e estimular a troca de experiências entre municípios.   No encerramento, Laura Muller Machado agradeceu aos autores, professores e gestores participantes e manifestou a expectativa de dar continuidade à coletânea com novos volumes. A proposta é que os estudos do PAGP não se encerrem como exercícios acadêmicos, mas circulem entre os profissionais responsáveis pela implementação das políticas públicas e contribuam para o seu aperfeiçoamento.    "},{"jcr:title":"Professora Laura Machado, organizadora do livro","fileName":"Laura Machado com o livro PAGP.jpg","alt":"Professora Laura Machado, organizadora do livro"}]