[{"jcr:title":"Insper recebe o lançamento do ‘Guia da Gestão Pública Antirracista’","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:n-cleo-de-estudos-raciais","cq:tags_2":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_3":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"Dirigido a pessoas que trabalham na administração pública, o manual tem a participação do Núcleo de Estudos Raciais do Insper (Neri)","authorDate":"10/04/2026 01h00","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:n-cleo-de-estudos-raciais","title":"Insper recebe o lançamento do ‘Guia da Gestão Pública Antirracista’","variant":"image"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O “Guia da Gestão Pública Antirracista”, que será lançado no dia 24 de abril, no Insper, apresenta os principais desafios da administração pública em relação à discriminação racial e oferece estratégias para promover a equidade no setor. O evento de lançamento começa às 18h, no Auditório Steffi e Max Perlman. A organização é do Lemann Foundation Programme da Escola de Governo Blavatnik da Universidade de Oxford, nos Estados Unidos. A obra é assinada por Michael França, coordenador do  [Núcleo de Estudos Raciais do Insper (Neri)](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/nucleo-de-estudos-raciais) , Giovani Rocha e Ellen da Silva, da Mahin Consultoria Antirracista, Clara Marinho, servidora pública federal, e Karoline Belo, consultora da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). A edição e organização são de João Pedro Caleiro, pesquisador do Lemann Foundation Programme. A programação completa de lançamento, com o formulário de inscrição, está disponível  [neste link](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2026/04/lancamento-do-guia-da-gestao-publica-antirracista) . Segundo França, a ideia era produzir um pequeno manual para as pessoas que estão na administração pública pensarem a equidade. “Tivemos um cuidado muito grande de entrevistar diversas pessoas do setor público, de diferentes escalões do governo federal e dos estaduais e municipais, para tentar entender mais um pouco dessa pauta sob o olhar do gestor público”, diz o coordenador do Neri. O guia destina-se a servidores e servidoras da administração pública, dos variados níveis de governo e de todas as regiões do Brasil, que desejam incorporar uma perspectiva antirracista à sua atuação profissional. Após uma introdução sobre o processo de elaboração do trabalho, o livro aborda o ciclo de perpetuação das desvantagens raciais no Brasil, mostrando como elas se acumulam ao longo do ciclo de vida — desde o nascimento até a vida adulta — e se reproduzem entre gerações, com efeito sobre toda a sociedade. Em seguida, a obra define política pública antirracista, a partir de um breve histórico da incorporação da pauta antirracista no setor público e do marco legal e institucional brasileiro. Os autores explicam os diferentes tipos de políticas antirracistas (formativas, persuasivas, de reserva e sancionatórias) e discutem políticas intersetoriais, interfederativas e transversais, localizando o debate no contexto do Estado brasileiro. O leitor é apresentado, então, aos cinco desafios para a equidade racial no serviço público, obtidos por meio de entrevistas com servidores e especialistas de diferentes regiões e setores. São eles: demonstrar que raça importa (e que não se reduz à classe social); disputas sobre desenho de políticas (focalizadas versus transversais); dependência excessiva de lideranças individuais e baixa institucionalização; invisibilidade ou uso inadequado de dados raciais; e dificuldade de traduzir demandas dos movimentos sociais para a linguagem da burocracia estatal e vice-versa. Nos capítulos finais, o guia apresenta práticas para a gestão pública antirracista, propondo um teste de autoavaliação do nível de maturidade institucional da organização na pauta racial. Como pretende contribuir para a melhoria da gestão pública, o livro propõe estratégias para formação e articulação em redes, uso estratégico de dados, escuta ativa e participação social, ajustes incrementais nas políticas, redefinição do problema público, incidência política e sistematização e disseminação de boas práticas. Os autores defendem a equidade racial como critério de avaliação do desempenho das políticas públicas. Como lembra França, a proposta do manual surgiu no âmbito do Programa Fundação Lemann da Escola de Governo Blavatnik, onde os autores se encontraram no final de 2024. “A gente discutiu o que poderia ser feito para a gestão pública no Brasil levar em consideração a equidade na nossa forma de agir, trabalhar e pensar”, afirma França. “O Brasil é um país extremamente desigual, mas o brasileiro ainda sabe falar pouco sobre desigualdade e equidade. Porque, fora alguns avanços, muitas vezes o debate se limita ao crescimento econômico.” Uma das conclusões do guia é que mudanças sociais exigem “ginga”. França justifica: “Converso bastante com pessoas que estão na ponta da administração pública e é curioso que, vira e mexe, você conhece pessoas bem-intencionadas para as causas sociais, mas sem bagagem sobre a questão racial, de gênero ou mesmo social. O ponto central é que existem pessoas que vão alocar grande quantidade de recursos ou fazer ações de enorme impacto social sem essa bagagem básica. Se conseguirmos avançar na transmissão de conhecimento e informação, podemos construir pontes e colocar todo mundo em nível semelhante de debate”. Desigualdade nos postos de liderança O tema do guia conecta-se à nota técnica feita em parceria pelo Neri e pelo Movimento Pessoas à Frente, apresentada em  [artigo no Nexo Jornal](https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2026/02/27/liderancas-negras-avancam-na-administracao-federal-mas-barreiras-persistem-no-topo)  assinado por Daniel Duque, Eduardo Couto, Michael França e Thalles Breda. Eles analisam os avanços das lideranças negras na administração pública federal e os desafios que ainda persistem nos cargos de maior poder decisório. O levantamento indica que, ao mesmo tempo em que o governo alcançou a meta geral de 30% de pessoas negras em cargos comissionados proposta pelo Decreto 11.443/2023, a ocupação dos postos de alta liderança permanece concentrada e distante da composição da sociedade brasileira, majoritariamente formada por pretos e pardos. “O aumento da diversidade nos espaços proporciona um choque de perspectiva, no qual as pessoas vão aprendendo umas com as outras”, afirma França. “Então, o branco aprende com o negro, o negro aprende com o branco. E, se também houver diversidade feminina e LGBTQIAPN+, todos podem ver o mundo com mais perspectivas, por meio da experiência, da vivência e da diversidade. Depois de algum tempo, por exemplo, mais lideranças negras podem surgir, pavimentando o caminho para gerações futuras e virando modelos sociais. O guia ajuda a mostrar que pequenas mudanças podem causar um grande impacto social.”"},{"jcr:title":"Capa do Guia","fileName":"CAPA_Guia Gestao Publica Antirracista_135x205mm_270326.jpg.jpeg","alt":"Capa do Guia"}]