[{"jcr:title":"Insper lança o Observatório da Qualidade do Gasto Público com debate sobre planejamento, avaliação e revisão das despesas do Estado","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"Nova iniciativa vinculada ao CGPP produzirá diagnósticos, indicadores e propostas para melhorar a eficiência e a efetividade do gasto público no Brasil","authorDate":"13/02/2026 14h37","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"Insper lança o Observatório da Qualidade do Gasto Público com debate sobre planejamento, avaliação e revisão das despesas do Estado","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"vermelho / preto / amarelo"},{"themeName":"vermelho / botao preto / tag amarelo","backgroundColor":"rgb(229,5,5)"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Com o auditório lotado e a participação de autoridades, pesquisadores, gestores públicos e representantes de organismos internacionais, o Insper realizou em 30 de janeiro o  [evento de lançamento](https://www.youtube.com/live/rgMkUpxcqYQ)  do  [Observatório da Qualidade do Gasto Público](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/observatorio-da-qualidade-do-gasto-publico)  (OQGP). Vinculado ao Centro de Gestão e Políticas Públicas (CGPP), o Observatório é uma iniciativa dedicada à produção de diagnósticos, indicadores e propostas para aprimorar a eficiência, a efetividade e a alocação do gasto público no Brasil. Realizado no Auditório Steffi e Max Perlman, o encontro marcou a criação de uma plataforma institucional de articulação entre academia, governo e sociedade civil, voltada à melhoria da gestão pública com base em evidências. O OQGP conta com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e financiamento da Fundação Haddad. Abertura: planejamento e colaboração institucional Na abertura do evento, lideranças do Insper e representantes institucionais apresentaram a proposta do Observatório e suas expectativas. Guilherme Martins, presidente do Insper, destacou: “Queremos que o OQGP seja um elo entre formação acadêmica e impacto real. Nosso compromisso é contribuir para o país com lideranças capacitadas e soluções concretas para os desafios da gestão pública”. Tania Haddad, presidente do Conselho do Insper, afirmou que o Observatório “existe para iluminar escolhas orçamentárias e contribuir para um Estado mais eficiente e mais justo”. Em nome da Fundação Haddad, ela destacou a importância de saber onde e como os recursos públicos estão sendo aplicados, se a aplicação é eficiente e como ajustá-los para atingir os objetivos pretendidos. Sérgio Lazzarini, vice-presidente acadêmico do Insper, ressaltou o papel da academia: “Não definimos prioridades de gasto, mas podemos e devemos oferecer ferramentas técnicas e diagnósticos rigorosos para apoiar decisões melhores”, ressaltou. Annette Killmer, chefe da Representação do BID no Brasil, abordou a relação entre qualidade do gasto e cidadania: “Todos, em casa, sabemos o que é fazer escolhas com recursos escassos. Com o Estado não é diferente. Por isso, boas decisões precisam de dados e análise sólida”. O ex-governador Paulo Hartung compartilhou experiências do Espírito Santo: “Reformamos o estado e colocamos em prática políticas educacionais inspiradas em Sobral e Pernambuco. E isso foi financiado com recursos do desperdício”. Hartung defendeu a importância da cultura da revisão e da humildade política: “Liderança é também saber copiar o que dá certo”, disse. A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, ofereceu uma análise ampla do orçamento brasileiro. Com dados, mostrou que 92% dos recursos já estão comprometidos com despesas obrigatórias e que a margem de manobra do Executivo é mínima. “O problema não é apenas quanto se gasta, mas como se gasta. E pior que gastar muito é gastar mal”, afirmou. Ela fez um apelo pela revisão de políticas ineficazes: “Temos que ter coragem de cancelar o que não funciona. Rever não é retrocesso, é responsabilidade”. O papel do Observatório: dados, evidências e colaboração O professor Sergio Firpo, coordenador acadêmico do OQGP, apresentou os seis eixos que nortearão o trabalho do Observatório, com ênfase na mensuração da qualidade do gasto, revisão orçamentária e instrumentos de planejamento. Ele destacou a importância de integrar avaliação, orçamento e decisão política: “Avaliação sem uso é um bom PDF. O que queremos é influenciar decisões, com base em dados e diálogo”. Firpo explicou como a técnica deve apoiar a política: “A técnica sem política não muda nada. A política sem técnica pode piorar o que já é ruim”. Para ele, a eficiência está em avaliar de forma sistemática, identificar o que funciona e ter coragem para repriorizar. “Nosso objetivo é oferecer ferramentas à gestão pública para que as escolhas orçamentárias sejam mais racionais e mais justas”, pontuou. Painel 1: Avaliação como base para boas escolhas No primeiro painel do evento, Ricardo Paes de Barros, professor do Insper e coordenador acadêmico do CGPP, defendeu a avaliação como condição para a justiça social. “Se não soubermos o que funciona, corremos o risco de perpetuar programas ineficazes, mantendo a desigualdade”, observou. Ele alertou para o risco da “política de intenções”: “Não basta ter boa vontade, é preciso mostrar resultados”. Luciana Braga, presidente da Fundação João Pinheiro, relatou que, em Minas Gerais, a cultura de avaliação vem sendo consolidada com formação técnica e estrutura institucional. “Temos uma geração de gestores que já reconhece que avaliar é sinônimo de melhorar.” Ela compartilhou o caso do secretário de infraestrutura que solicitou espontaneamente avaliação de seus programas. “Ele queria saber se estava no caminho certo. Isso mostra maturidade”, disse. Rudi Rocha, professor da FGV EAESP e diretor de pesquisa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), acrescentou que é preciso atravessar a fronteira entre a análise técnica e a gestão pública. “A resistência à avaliação ainda é grande. Muitos gestores a veem como controle externo, e não como aliada.” Para ele, a solução está na coprodução: “A avaliação precisa ser feita com os gestores, não apenas para eles”. Gabriela Lacerda, coordenadora executiva do OQGP e mediadora do painel, destacou que mais de 16 mil servidores se inscreveram para apoiar voluntariamente a agenda de avaliação do governo federal. “Isso mostra que o desejo por transformação já está na base do funcionalismo”, comentou. Painel 2: Orçamento público e escolhas conscientes O segundo painel do dia tratou da articulação entre orçamento, benefícios fiscais e processo decisório. Ursula Peres, professora da USP e ex-secretária adjunta de Planejamento, Orçamento e Gestão do município de São Paulo, afirmou que é preciso modernizar a gestão orçamentária. “Ainda operamos com instrumentos do século passado. Sem integrar planejamento e execução, não há como melhorar a qualidade do gasto.” Ela defendeu que o planejamento deve ser incorporado como cultura periódica no orçamento, lembrando a máxima de que “planeja quem faz”. Manoel Pires, professor na FGV EPPG e pesquisador associado no FGV IBRE, alertou que o gasto tributário é pouco transparente: “É preciso que os subsídios e isenções passem pelo mesmo escrutínio que os gastos diretos”, disse. Ele também destacou a crescente judicialização como fonte de ineficiência nas políticas públicas, mencionando que algumas decisões judiciais desviam recursos de suas finalidades originais. O professor sugeriu que o Congresso Nacional assuma um papel mais ativo na revisão dos benefícios fiscais. Paulo Bijos, ex-secretário de Orçamento Federal e consultor de Orçamento da Câmara dos Deputados, destacou os desafios da pulverização de recursos por meio de emendas. “O uso de emendas sem planejamento dificulta a execução de políticas estruturantes. Precisamos de regras claras, com transparência e controle de resultados”, afirmou. Ele também defendeu a “dessacralização de gastos obrigatórios”, argumentando que é possível desacelerar o crescimento dessas despesas alterando critérios que ditam sua dinâmica, sem violar princípios constitucionais. Vilma Pinto, assessora na Diretoria de Assuntos Econômicos e Sociais na Vice-Presidência da República e moderadora do painel, enfatizou que “o orçamento é uma expressão concreta das escolhas políticas”. Para ela, tornar essas escolhas mais racionais é uma tarefa coletiva. “Estado eficiente é aquele que escuta, mede e ajusta”, disse. Painel 3: Revisar para repriorizar O terceiro e último painel abordou a revisão de gastos como ferramenta de gestão. Wesley Matheus, secretário nacional de Monitoramento e Avaliação e Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento e Orçamento, esclareceu que “revisar não é cortar arbitrariamente. É descobrir o que pode ser feito melhor com os mesmos recursos”. Ele enfatizou que revisão de gastos não é corte de direitos, mas uma forma de garantir e ampliar direitos com mais eficiência. Wesley também destacou a importância de envolver a sociedade civil no processo para dar legitimidade às mudanças. Rita de Cássia Leal Fonseca dos Santos, consultora de Orçamentos do Senado Federal, destacou que a revisão deve ser um processo permanente e institucionalizado. “Não podemos tratar a revisão como solução de emergência. Ela deve ser uma rotina de melhoria contínua.” Ela também chamou atenção para a necessidade de avaliar políticas públicas com recorte de gênero e raça, garantindo que os benefícios cheguem a quem realmente precisa. Washington Bonfim, secretário de Planejamento do Piauí, compartilhou como a revisão de programas permitiu melhorar resultados com menos recursos. “Por meio de revisão, conseguimos redirecionar verbas para a educação básica e saúde preventiva”, disse. Ele destacou ainda a importância do orçamento base zero como ferramenta para questionar a herança de gastos do passado. Ricardo Capistrano, secretário-adjunto do Orçamento do Mato Grosso, afirmou que a mudança exige liderança e comunicação. “Revisar gastos implica mexer com interesses. Por isso, é fundamental comunicar bem e engajar a sociedade”, disse. Ele ressaltou que seu estado está se preparando para os desafios da reforma tributária implementando metodologias de revisão de gastos. André Martinez, do BID e moderador do painel, finalizou destacando que “a revisão de gastos é a chave para transformar o discurso de eficiência em ação concreta”. Compromisso com o impacto No encerramento do evento, Cristina MacDowell, do BID, destacou o papel da cooperação internacional na promoção de boas práticas. “O debate sobre qualidade do gasto é global. O que está em jogo é a capacidade do Estado de entregar resultados com eficiência e equidade”, declarou. Sergio Firpo concluiu reforçando que o sucesso do OQGP depende da colaboração entre academia, gestores e sociedade civil. “Queremos ser um centro de escuta, de produção de evidências e de proposição. Um lugar onde a academia contribui para a prática e onde a prática retroalimenta o conhecimento”, afirmou.  "}]