[{"jcr:title":"Fortalecer o Estado começa pela formação de seus gestores","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:direito","cq:tags_3":"formato-de-programa:educa--o-executiva"},{"richText":"Com trajetória construída no serviço público, a professora Marianna Sampaio vê na educação uma ferramenta para transformar a administração pública brasileira","authorDate":"28/05/2025 00h16","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"Fortalecer o Estado começa pela formação de seus gestores","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Criada em Indaiatuba, no interior de São Paulo, Marianna Sampaio foi a primeira da família a concluir o curso superior. Formada em Direito pela Universidade de São Paulo, trilhou uma carreira de dez anos na advocacia antes de se encontrar definitivamente na gestão pública — área em que rapidamente se destacou, ocupando cargos de liderança na Prefeitura de São Paulo e, posteriormente, na Assembleia Legislativa. Hoje, além de servidora de carreira do município, ela atua como professora nos programas de Gestão Pública do Insper, onde encontrou uma forma poderosa de multiplicar impacto: formando e inspirando outros gestores.   Seu percurso acadêmico inclui mestrado e doutorado em Administração Pública e Governo pela FGV, com passagem pela University of Westminster, em Londres. Apaixonada por temas como inovação democrática, transformação digital e participação cidadã, Marianna acredita que conhecimento aplicado é essencial para fortalecer a atuação estatal no Brasil. “Teoria é importante, mas, no setor público, precisamos de ferramentas que funcionem no chão de fábrica”, afirma. É esse olhar pragmático e comprometido que guia seu trabalho na sala de aula e fora dela.   A seguir, conheça mais sobre a trajetória de Marianna Sampaio.     Do interior ao serviço público   Eu cresci em Indaiatuba, interior de São Paulo. Foi lá que vivi minha infância e adolescência, estudando sempre em escola pública. Na verdade, a única fase da minha vida em que não estudei em escola pública foi durante o cursinho pré-vestibular, que fiz com bolsa. Venho de uma família de servidores públicos: meu pai trabalhou na prefeitura de Indaiatuba, minha mãe era professora da rede estadual. Cresci vendo meus pais trabalharem muito e ganharem pouco, por isso sempre me incomodou aquele discurso de que servidor público trabalha pouco ou ganha demais — a realidade que eu vi foi bem diferente.   Fui a primeira pessoa da minha família a fazer faculdade. Aos 18 anos, me mudei para São Paulo para cursar Direito na Universidade de São Paulo, na tradicional Faculdade do Largo São Francisco. A escolha pelo curso foi uma decisão muito solitária, já que eu não tinha muitas referências próximas sobre o mundo universitário. Sabia que não tinha perfil para exatas nem para biológicas — não podia nem ver sangue! — e queria algo na área de humanas. Mais do que isso, eu buscava uma formação que me desse ferramentas concretas para promover transformação social. A desigualdade sempre me incomodou muito, e o Direito, naquele momento, me pareceu uma ferramenta potente para entender e enfrentar os problemas do Brasil.   Fiz o ensino médio em um colégio técnico municipal, que era bom, mas não preparava para o vestibular. O cursinho foi essencial para eu conseguir passar na USP, e a mudança para São Paulo representou uma verdadeira revolução na minha vida.     A descoberta da gestão pública   Minha graduação na São Francisco foi um período de muitas descobertas. Vim do interior com grandes expectativas em relação à USP, e confesso que nem todas foram atendidas. Mas foi na faculdade que comecei a expandir meus horizontes. Inicialmente, acreditava que o Direito seria minha ferramenta para transformar a sociedade, o que sempre foi meu maior desejo: combater desigualdades, melhorar o Brasil. Mas, ao longo do curso, percebi que o Direito, sozinho, talvez não fosse suficiente para isso.   Apesar disso, trabalhei por 10 anos como advogada, principalmente na área tributária — por necessidade. Nunca foi minha vocação, e até costumo brincar que eu não era a melhor advogada, porque achava que muitos dos tributos que os clientes queriam deixar de pagar eram justos e devidos. Sentia que o Estado teria melhores usos para aquele dinheiro.   Depois de uma década nessa vida, já quase me conformando com o rumo da minha carreira, fui convidada por um ex-professor para integrar a gestão do então prefeito Fernando Haddad, em 2013. Aí tudo mudou. Fui assessora do secretário de Negócios Jurídicos e, no ano seguinte, me tornei secretária-adjunta. Foi uma trajetória rápida, impulsionada também pela minha bagagem profissional anterior. Foi ali que descobri meu lugar no mundo: o serviço público.   Decidi, então, prestar concurso e me tornei gestora pública municipal em São Paulo. Para consolidar essa virada profissional, comecei o mestrado em Administração Pública e Governo na FGV, que defendi em 2017 — e com o qual ganhei o prêmio de melhor dissertação do ano, com um trabalho sobre o Ministério Público e a judicialização da política.     Formação acadêmica e pesquisa   Fiz questão de viver a experiência do mestrado de forma plena. Durante a graduação, sempre precisei trabalhar para pagar as contas, então, naquele momento, tirei um tempo para apenas estudar. Foi um período muito rico, que me reconectou com o desejo de atuar na fronteira entre a prática e a teoria.   Gostei tanto da experiência que resolvi seguir no doutorado, também na FGV. Inicialmente, pretendia continuar pesquisando o Ministério Público, mas durante a pandemia, em meio a tantas crises, decidi mudar completamente de tema. Queria estudar algo que me desse esperança. Descobri então a literatura sobre inovação democrática — e foi como encontrar uma nova vocação. Em 2023, finalizei minha tese, depois de um período sanduíche na University of Westminster, em Londres, pesquisando novas formas de participação cidadã.     Serviço público em diferentes frentes   Como servidora pública, ocupei diferentes posições ao longo dos anos. Após a gestão Haddad, fui convidada para ser secretária-adjunta de Inovação e Tecnologia na gestão seguinte, do então prefeito João Doria. Foi uma surpresa, já que eu temia ser deslocada por ter trabalhado em outra gestão. Essa experiência foi muito intensa e gratificante: ajudei a tirar do papel uma secretaria nova, em um tema que me interessa muito — transformação digital no setor público.   Hoje, estou cedida à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, onde sou chefe de gabinete da deputada estadual Marina Helou. Desde abril de 2023, venho trabalhando diretamente no Legislativo, o que tem me trazido outra perspectiva sobre o funcionamento do Estado.       O começo no Insper e a sala de aula como vocação   Minha relação com o Insper começou durante a pandemia, em 2020, com um convite para dar uma aula em um curso de educação executiva. A experiência foi tão boa que, pouco depois, a professora Mariana Almeida e eu criamos juntas um curso que oferecemos até hoje:  Orçamento Público para Estados e Municípios . É um curso online, com público de todo o Brasil, majoritariamente formado por servidores públicos, mas também com pessoas do terceiro setor e do setor privado.   Eu e a Mariana dividimos o conteúdo: ela cobre a parte de política fiscal, macroeconomia e análise de dados; eu fico com federalismo fiscal, governança e participação. Além desse curso, hoje também leciono no [Master em Gestão Pública (MGP)](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mba/master-em-gestao-publica) e no [Programa Avançado em Gestão Pública (PAGP)](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/programas-avancados/pos-graduacao-em-gestao-publica) . Nesses programas, sou responsável pela disciplina de análise de problema público — uma matéria fundamental que ajuda os alunos a definirem e caracterizarem de forma precisa os problemas que enfrentam na gestão.   Dar aula se tornou uma paixão. A sala de aula é um lugar onde eu me sinto viva, onde posso compartilhar minha experiência prática e, ao mesmo tempo, aprender com alunos de diferentes realidades. É onde sinto que contribuo diretamente para fortalecer a capacidade do Estado brasileiro.     O que diferencia o Insper   O que mais me atrai no Insper é o compromisso com a prática. Os cursos de gestão pública da instituição têm uma forte pegada empírica: quem está em sala de aula não é só alguém com boa formação acadêmica, mas alguém que também conhece, de dentro, a administração pública brasileira.   Acho que os alunos percebem isso claramente. Eles se sentem ouvidos, compreendidos e, ao mesmo tempo, desafiados por professores que sabem o que é tentar assinar um contrato no setor público, fazer uma licitação, gerir pessoas com poucos recursos, ou implementar política pública em contextos de alta complexidade. Não é à toa que vejo alunos que fizeram graduação em outras instituições procurarem o Insper para a pós-graduação, buscando justamente essa proximidade com a prática e a realidade do setor público.   Esse compromisso com a aplicação concreta do conhecimento, aliado à qualidade acadêmica, faz com que eu me sinta muito alinhada com o projeto institucional do Insper. E é também o que torna a experiência de lecionar aqui tão gratificante.       Mentoria e atuação internacional   Além do trabalho no Insper e na gestão pública, também atuo como mentora e professora no programa de liderança feminina da Universidade Columbia. Fiz parte da primeira turma do Brazilian Women's Leadership Program, em 2018, e desde então venho colaborando com o programa, que reúne mulheres de diferentes setores — público, privado e terceiro setor — para discutir e desenvolver habilidades de liderança, com foco em transformação institucional e impacto social.   As mentorias acontecem principalmente online, o que facilita o contato com participantes de todo o Brasil. Também há encontros presenciais no Rio de Janeiro e uma semana de imersão em Nova York. O mais rico desse programa é poder acompanhar projetos de transformação em diferentes realidades do país, apoiando mulheres que ocupam posições estratégicas, mas que muitas vezes enfrentam barreiras de gênero ou solidão na liderança.     Áreas de interesse e pesquisa   Nos últimos anos, minhas áreas de interesse se consolidaram bastante. Tenho me dedicado à inovação democrática — especialmente no estudo e na prática de novas formas de participação cidadã no setor público — e à inovação em governo, buscando formas de enfrentar velhos problemas da administração pública com novas abordagens.   Transformação digital também é uma frente que me mobiliza muito, porque acredito que ela pode ser uma aliada poderosa para aumentar a eficiência do Estado e melhorar o serviço prestado à população, desde que implementada com responsabilidade e foco nas pessoas.   Outra preocupação constante é a construção de capacidade estatal: como formar gestores públicos mais preparados, como fortalecer instituições e como oferecer ferramentas práticas e acessíveis para quem está na linha de frente das políticas públicas. É por isso que, tanto na minha atuação acadêmica quanto na prática, busco sempre trabalhar com soluções que possam ser aplicadas no “chão de fábrica” da gestão pública brasileira.     O que me move hoje   Olhando para frente, o que mais desejo é continuar contribuindo para o fortalecimento do Estado brasileiro — seja a partir do setor público, do terceiro setor ou até mesmo de iniciativas privadas que tenham compromisso com o bem público.   A sala de aula é um espaço do qual não pretendo sair. Ali eu ensino, mas também aprendo. Vejo nos alunos e alunas a energia, a dedicação e a vontade de fazer melhor. É inspirador. Ao mesmo tempo, quero seguir pesquisando, publicando e ajudando a disseminar conhecimento útil e aplicável.   Meu norte profissional hoje não está atrelado a um único cargo ou instituição. O que me move é o propósito: trabalhar com pessoas e organizações comprometidas com a melhoria da administração pública no Brasil. Se eu estiver contribuindo para isso — seja em uma secretaria, seja em um gabinete, em uma sala de aula ou em um projeto de pesquisa — estarei no lugar certo.  "}]