[{"jcr:title":"Evidências ajudam a repensar gasto público, desigualdades e inclusão produtiva","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/educação","cq:tags_3":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"No terceiro e último dia do Seminário de Pesquisa em Públicas, pesquisadores discutiram caminhos para aprimorar políticas públicas em áreas estratégicas para o país","authorDate":"22/06/2026 12h35","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","title":"Evidências ajudam a repensar gasto público, desigualdades e inclusão produtiva","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"vermelho / amarelo / preto"},{"themeName":"vermelho / amarelo / preto","backgroundColor":"rgb(229,5,5)"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O terceiro e último dia do  [Seminário de Pesquisa em Públicas](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2026/06/seminario-de-pesquisa-em-publicas) , realizado pelo  [Centro de Gestão e Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas)  do Insper, reuniu agendas distintas, mas conectadas por uma mesma preocupação: como produzir evidências capazes de orientar decisões públicas em áreas estratégicas para o país. Ao abrir a programação de 17 de junho, Cristine Pinto, diretora de Pesquisa do Insper, destacou que o encontro traduz a missão da instituição de aproximar a pesquisa de excelência dos desafios concretos enfrentados por gestores públicos. Ao longo do dia, os debates abordaram desde a qualidade do gasto público e as desigualdades raciais até as barreiras na transição para o mercado de trabalho e a inclusão produtiva como estratégia de superação da pobreza. Em comum, os painéis reforçaram a importância de ir além do diagnóstico técnico: é preciso medir melhor, avaliar políticas de forma contínua, redesenhar programas e criar pontes sólidas entre a academia, o governo e a sociedade. A programação também evidenciou a diversidade das iniciativas vinculadas ao CGPP, cujos observatórios e núcleos apresentaram agendas de pesquisa em diferentes estágios de maturação, combinando estudos teóricos, produção de dados, formação de quadros e apoio direto à formulação de políticas. Diante de temas tão diversos, uma pergunta recorrente guiou as discussões: como transformar conhecimento em capacidade estatal? Seja no debate fiscal, seja na inserção produtiva de populações vulneráveis, os pesquisadores defenderam que a efetividade das ações públicas depende de dados de qualidade e de um diálogo permanente com quem implementa as políticas na ponta. Qualidade do gasto público O primeiro bloco apresentou o  [Observatório da Qualidade do Gasto Público](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/observatorio-da-qualidade-do-gasto-publico) , iniciativa recente do CGPP voltada a analisar como o Estado brasileiro planeja, aloca, executa e avalia seus recursos. A mesa contou com apresentações de Sergio Firpo e Gabriela Lacerda, respectivamente coordenador acadêmico e coordenadora executiva do observatório, e comentários de Rebeca Regatieri, do Ministério do Desenvolvimento Social. A discussão partiu da distinção fundamental entre políticas públicas de gestão — como orçamento, planejamento, compras, tecnologia e recursos humanos — e políticas finalísticas, a exemplo de saúde, educação e assistência social. A lacuna entre essas duas dimensões foi apontada como um dos entraves centrais para que o Estado entregue resultados efetivos aos cidadãos. A apresentação demonstrou que melhorar a qualidade do gasto não se resume a gastar menos, mas sim a avaliar se os programas estão bem desenhados, se alcançam seus objetivos e se os recursos podem ser redirecionados para ações mais eficientes. Assim, a avaliação consolida-se como ferramenta indispensável tanto para aperfeiçoar políticas quanto para orientar escolhas orçamentárias. Em sua exposição, Sergio Firpo enfatizou justamente que a qualidade do gasto deve ser o foco central das atenções fiscais. Ele discutiu a relação entre dívida pública, sustentabilidade fiscal e composição do orçamento, argumentando que a forma como o Estado aloca recursos afeta diretamente sua capacidade futura de crescimento econômico. Investimentos em educação básica, infraestrutura e inovação, quando bem estruturados, elevam a produtividade nacional e reduzem o esforço fiscal necessário no longo prazo. Gabriela Lacerda e Rebeca Regatieri aprofundaram o debate sobre a revisão de gastos, criticando o uso de cortes lineares como resposta automática a pressões fiscais, já que essa medida atinge indistintamente políticas boas e ruins. A revisão foi defendida como um processo regular, técnico e negociado, capaz de trazer transparência às prioridades públicas sem reduzir o debate macroeconômico a uma disputa simplista entre cortar ou ampliar despesas. Desigualdades raciais Na sequência, o  [Núcleo de Estudos Raciais](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/nucleo-de-estudos-raciais)  apresentou sua agenda de pesquisa sobre as desigualdades étnico-raciais no Brasil. A mesa teve apresentações de Michael França e Daniel Duque (Insper) e comentários de Alei Fernandes Santos (FGV EAESP). França relembrou que o núcleo, criado em 2020, vem produzindo estudos em áreas como educação, representação política, violência e mercado de trabalho. Coordenador acadêmico do núcleo, França ressaltou o compromisso do grupo em ampliar a abertura da universidade para o diálogo com o público externo, estreitando os laços entre a pesquisa acadêmica, a sociedade civil e a gestão pública. Os dados apresentados indicam que, apesar dos avanços no acesso à educação nas últimas décadas, as assimetrias raciais permanecem expressivas, especialmente no ensino superior e nos indicadores de aprendizagem escolar. Para expandir o alcance desse debate, o núcleo tem traduzido investigações complexas para formatos mais acessíveis, como relatórios, policy briefs e livros. Um dos estudos de destaque, apresentado por Daniel Duque, analisou o papel da raça nas acusações por tráfico de drogas no Brasil. A pesquisa investiga se pessoas negras e brancas, em condições análogas de flagrante, recebem tratamentos diferentes no momento do indiciamento devido à subjetividade da distinção legal entre usuário e traficante. Duque explicou que o enquadramento como usuário ou como traficante gera desdobramentos profundamente distintos para o futuro do indivíduo, sendo crucial entender o impacto do fator racial nesse desfecho. Em seus comentários, Alei Fernandes Santos inseriu esses achados em uma agenda analítica mais ampla sobre raça, instituições e políticas públicas. O bloco reforçou que o combate ao racismo estrutural exige tanto evidências rigorosas quanto capacidade de articulação com formuladores de políticas, imprensa e sociedade civil, sobretudo em temas onde decisões administrativas e jurídicas geram impactos duradouros. Desigualdades no ensino superior e no mercado de trabalho No período da tarde, o  [Observatório de Desigualdades no Ensino Superior e Mercado de Trabalho](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/observatario-de-desigualdades-no-ensino-superior-e-mercado-de-trabalho)  discutiu como gênero, raça e origem socioeconômica afetam o acesso à universidade e a inserção profissional. O debate contou com exposições de Ursula Mello (coordenadora do observatório) e Eloiza Almeida (pesquisadora do Insper) e comentários de Bruna Borges (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde – IEPS). Ursula Mello apresentou evidências de que estudantes de famílias de alta renda possuem maior probabilidade de ingressar no ensino superior, mesmo quando comparados a alunos de menor renda com o mesmo desempenho em exames padronizados. A conclusão é que o obstáculo vai muito além da nota de corte: envolve assimetria de informação, aspirações, mobilidade, redes de apoio e condições materiais de permanência. Essa disparidade persiste após o ingresso. Os dados revelam que estudantes do mesmo curso e da mesma instituição chegam ao mercado de trabalho com retornos salariais desiguais a depender de seu gênero, raça e nível socioeconômico. No caso das mulheres, parte dessa diferença decorre da alocação em ocupações e setores distintos, penalizando a remuneração logo no início da carreira. Os debates do painel enfatizaram que a desigualdade opera de forma contínua: está presente no acesso, estende-se por toda a experiência acadêmica e se reflete no momento da saída para o mercado. Complementando a mesa, Eloiza Almeida apresentou uma linha de pesquisa focada em redes de contato (networking), primeiro emprego e trajetórias profissionais. A discussão enfatizou que o primeiro emprego exerce um efeito duradouro sobre a vida profissional e que o capital social construído na faculdade dita o acesso a oportunidades. Bruna Borges conectou esses achados aos desafios práticos de desenho de políticas integradas. O bloco evidenciou que os desafios da equidade educacional não se esgotam no acesso: manifestam-se também na permanência estudantil, na escolha dos cursos, nas redes de relacionamento e nos rendimentos iniciais da carreira. Inclusão produtiva O painel de encerramento foi dedicado à inclusão produtiva, uma das frentes de atuação do  [Núcleo de Política Educacional e Inclusão Produtiva](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/nucleo-de-politica-educacional-e-inclusao-produtiva) . A mesa reuniu Laura Abreu (coordenadora executiva do núcleo) e Laura Muller Machado (coordenadora do núcleo), com comentários de Vahíd Vahdat (Instituto Veredas). Laura Abreu detalhou a trajetória da iniciativa, que sistematiza o conhecimento científico sobre políticas capazes de garantir o direito ao trabalho e mitigar a pobreza estrutural. A agenda articula produção acadêmica, disseminação de evidências, capacitação de gestores e apoio técnico ao desenho de programas públicos. Destacou-se também a criação de uma rede de gestores e pesquisadores que se reúne periodicamente para trocar experiências sobre os desafios práticos de implementação e avaliação dessas políticas. A iniciativa já publicou relatórios, mapeou os programas vigentes no país e realiza capacitações com equipes técnicas nas esferas municipal, estadual e federal, visando aproximar a assistência social das políticas de emprego.  Laura Muller Machado chamou a atenção para a desconexão histórica entre a evolução da renda e o acesso real ao mercado de trabalho. Cruzando dados das últimas décadas, ela apontou que, embora a renda dos extratos mais baixos tenha subido por meio de transferências financeiras, a taxa de ocupação entre os mais vulneráveis encolheu de forma alarmante. A pesquisadora defendeu que a inclusão produtiva precisa ser encarada como uma política essencial de garantia de direitos, e não apenas sob uma ótica estritamente econômica. Inserir dignamente quem deseja trabalhar expande a autonomia das famílias e reduz a dependência exclusiva de auxílios governamentais de transferência de renda.  Em seus comentários, Vahíd Vahdat reforçou a premência de traduzir o arcabouço de evidências em ferramentas e capacidades concretas de implementação para quem opera na ponta. O encerramento do bloco sintetizou o grande desafio contemporâneo das políticas sociais: não basta o consenso de que trabalho e renda são os pilares para superar a pobreza; é imperativo desenhar programas integrados, monitorar resultados rigorosamente e garantir que as oportunidades alcancem, de fato, a população mais vulnerável.   "}]