[{"jcr:title":"Especialistas debatem no Insper os rumos da segurança pública nas eleições","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"Encontro realizado pelo Centro de Gestão e Políticas Públicas em parceria com o Instituto Sou da Paz incluiu o lançamento da campanha Vote pela Paz e de uma agenda de propostas para qualificar o debate eleitoral","authorDate":"22/06/2026 20h24","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"Especialistas debatem no Insper os rumos da segurança pública nas eleições","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"A segurança pública figura entre as principais preocupações da população brasileira e deve ocupar lugar central na disputa eleitoral deste ano. Para discutir os riscos e as oportunidades desse cenário, o Centro de Gestão e Políticas Públicas ( [CGPP](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas?utm_source=hs_email&utm_medium=email&utm_campaign=Comunica%C3%A7%C3%A3o_News_InsperP%C3%BAblicas&utm_content=422812885) ) do Insper recebeu, no dia 9 de junho, o  [Instituto Sou da Paz](https://soudapaz.org/)  para o evento  [“Vote pela Paz: diálogos sobre segurança pública e eleições”](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2026/06/vote-pela-paz-dialogos-sobre-seguranca-publica-e-eleicoes?utm_campaign=Comunica%C3%A7%C3%A3o_News_InsperP%C3%BAblicas&utm_medium=email&_hsenc=p2ANqtz-9V9WXoBEST7enpaiCKYJlM0a8pF5mR2oRzNsKpgbdgxzZg2NkYdebFYgnRYyLc6wAINom8nsIxQje229cUN4uOgS4Do87r0uizotNNFoc29xTC5OI&_hsmi=422812885&utm_content=422812885&utm_source=hs_email) . O encontro, que contou com a participação do  [Centro de Estudos das Cidades — Laboratório Arq.Futuro do Insper](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-estudos-das-cidades)  —, reuniu pesquisadores, especialistas em segurança pública, representantes de instituições policiais e organizações da sociedade civil. A ocasião incluiu o lançamento da campanha Vote pela Paz e da agenda eleitoral “Brasil em ação pela paz — propostas para uma segurança pública de verdade”. Na abertura, Beatriz Albuquerque, coordenadora de relacionamento do CGPP, destacou a aproximação crescente entre o centro e a pauta da segurança pública e apresentou a estrutura de pesquisa e formação do Insper na área de gestão pública. Em seguida, Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, explicou a motivação da iniciativa. Segundo ela, a organização elabora agendas de propostas em todos os anos eleitorais, mas o contexto atual exigiu uma estratégia mais ambiciosa. “A segurança pública é a grande preocupação dos brasileiros hoje, e temos discursos mais radicais do que vemos historicamente no nosso país”, afirmou. “Nós brincamos que decidimos disputar as eleições. Não é que vamos nos candidatar, mas como podemos, como uma organização da sociedade civil, colocar no debate mensagens e propostas com força suficiente?” Carolina apresentou resultados de uma pesquisa quantitativa realizada pelo instituto com 1.115 pessoas em 40 municípios do país. Os dados, segundo ela, contrariam a percepção de que a população demanda apenas respostas violentas. Somente 20% dos entrevistados concordaram com a ideia de que “bandido bom é bandido morto”, enquanto 73% afirmaram que nenhum bandido é bom e que todos precisam ser julgados, punidos e presos. Da mesma forma, 32% concordaram que o Brasil precisa de mais polícia, mas 65% defenderam uma polícia mais preparada. “A maioria da população não está pedindo soluções extremas, ela está pedindo soluções que funcionem, pedindo resultado, profissionalismo e eficácia”, resumiu. O que está em jogo O primeiro painel, mediado pelo cientista político Carlos Melo, coordenador do  [Observatório da Política](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/observatorio-da-politica)  do CGPP, discutiu o que está em disputa quando se fala de segurança pública no contexto eleitoral. Para o professor, há um descompasso entre a sociedade e o sistema político. “Se você olhar para o resultado da pesquisa, a sociedade parece ter clareza de quais são as nossas questões. O diabo é que o sistema político, aqueles que pretendem representar essa sociedade, não tem”, observou. Juliana Borges, coordenadora de advocacy da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas, defendeu que a eleição é uma oportunidade de deslocar o debate. “Há uma oportunidade de deslocarmos a discussão de segurança pública, para que ela não seja vista só como uma questão de polícia, mas como uma questão de garantia de direitos”, disse. Ela também provocou o campo progressista a reivindicar resultados: “Nós precisamos disputar a eficiência”. Glauco de Carvalho, coronel da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo, concentrou sua fala na politização das instituições policiais. “Instituições públicas que têm por escopo a persecução criminal, que têm um poder, que têm armas, não podem participar da vida política eleitoral”, afirmou. Ele defendeu uma legislação que restrinja a participação político-eleitoral de integrantes ativos de instituições de persecução criminal e estabeleça uma quarentena de quatro anos após a passagem para a inatividade. “A politização interna é algo terrível para as instituições.” Melina Risso, diretora de pesquisa do Instituto Igarapé, situou a discussão em um plano mais amplo. “Quando falamos em eleição e trazemos a segurança pública, estamos decidindo sobre qual modelo de sociedade é esse”, afirmou. A pesquisadora alertou para a sofisticação do crime organizado, que se infiltra nas economias legais, na lavagem de dinheiro e no sistema político, enquanto o país ainda não resolveu problemas persistentes, como as altas taxas de homicídio. Em diferentes momentos de sua participação, ela também defendeu a necessidade de popularizar o tema: “Segurança pública precisa ser o debate da taxa Selic”. Ricardo Balestreri, coordenador do Núcleo de Urbanismo Social, Segurança Pública e Territórios do Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper, identificou um dado novo no cenário. Para ele, o país precisa olhar para o “andar de cima” da criminalidade, onde se organizam os fluxos financeiros e as conexões econômicas do crime. Citando estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o ex-secretário nacional de Segurança Pública lembrou que o crime organizado movimenta receita anual estimada em R$ 348 bilhões — o que o colocaria atrás apenas de Petrobras e JBS entre os maiores negócios do país. Crítico da estratégia de confronto adotada há décadas, foi enfático: “Essa guerra contra o crime já foi perdida há 40 anos”. E concluiu: “Não se faz segurança pública sem polícia. Polícia é fundamental, mas não se faz segurança pública só com polícia. É preciso haver oportunidades, urbanismo social”. Cinco prioridades para uma segurança pública de verdade Na segunda parte do encontro, mediada por Thiago Amparo, professor da FGV, Carolina Ricardo e Natália Pollachi, diretora de projetos do Sou da Paz, apresentaram a agenda eleitoral construída a partir da pesquisa e do acúmulo técnico da organização. O documento se estrutura em cinco prioridades: fortalecer polícias preparadas e valorizadas, enfrentar o crime organizado, reduzir os roubos, proteger mulheres e meninas e retirar as armas ilegais de circulação. Entre os diagnósticos apresentados, Carolina destacou a baixa capacidade de elucidação de crimes no país — apenas três em cada dez homicídios são esclarecidos — e a necessidade de orientar o trabalho policial por dados e gestão para resultados. Natália chamou atenção para a proteção de mulheres e meninas, área em que, segundo ela, o discurso dos governantes raramente se converte em orçamento. Ela também ressaltou a importância do controle de armas: o Brasil conta com apenas seis delegacias especializadas em tráfico de armas, e pelo menos 60% das armas apreendidas no país são de marcas nacionais, desviadas do mercado legal doméstico. Uma campanha para mostrar que a paz é maioria O encerramento foi dedicado ao lançamento da campanha Vote pela Paz, apresentada por Felipe Soutello, sócio da D4G Comunicação & Design. O filme da campanha dá voz a uma mãe que traduz o medo cotidiano de milhões de brasileiros, mas rejeita a lógica da guerra. Para Soutello, a campanha busca atuar sobre o consentimento social, ajudando as pessoas a perceber que sua visão sobre segurança pública é majoritária e pode enfrentar discursos simplistas. Ele resumiu o espírito da iniciativa: “Problemas complexos, soluções complexas. Não há simplismo para enfrentar essa dificuldade que estamos vivendo”. Ao encerrar os trabalhos, Carlos Melo anunciou que o Observatório da Política voltará a reunir os participantes ao longo do semestre para dar continuidade à discussão. “Tenho falado nos nossos encontros que não precisamos falar muito, mas precisamos falar sempre. No nosso caso, precisamos falar muito e falar sempre”, concluiu.  "}]