[{"jcr:title":"Entre evidências, políticas públicas e qualidade do gasto","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/alumni"},{"richText":"Ligado ao J-PAL e ao Insper, Giordano Frias Martinelli constrói uma trajetória voltada a aproximar pesquisa, gestão pública e decisões baseadas em dados","authorDate":"06/07/2026 15h48","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","title":"Entre evidências, políticas públicas e qualidade do gasto","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O economista Giordano Frias Martinelli conta que escolheu sua carreira depois de “atirar para vários lados”. Antes de se decidir pela área de economia, considerou seguir educação física, arquitetura e urbanismo. E, durante anos, o judô ocupou lugar central em sua vida. Competiu em alto nível, mudou-se para São Paulo para treinar no Centro Olímpico e participou de Jogos Abertos, Jogos Regionais, seletivas e campeonatos estaduais. Aos poucos, porém, percebeu que a carreira esportiva exigiria escolhas difíceis e que os estudos poderiam abrir caminhos mais alinhados ao que buscava para o futuro. A escolha pela economia veio da combinação entre interesse por temas sociais e desejo de desenvolver uma formação quantitativa. Giordano sempre gostou de história, sociologia e política, mas via na economia uma forma de estudar problemas públicos com método, dados e ferramentas analíticas. “Quando eu era mais novo, tinha a concepção de que economista era basicamente juros, câmbio e inflação”, diz. Com o tempo, entendeu que a área também permite investigar questões sociais e contribuir para o desenho de políticas públicas. Do esporte à economia aplicada Nascido em Piracicaba, no interior de São Paulo, Giordano cursou a graduação em economia na Unicamp. Ali, teve contato com uma formação que ele descreve como mais heterodoxa e historicamente orientada. Mais tarde, ao ingressar no mestrado em economia na Universidade Federal de Pernambuco, buscou complementar essa base com maior rigor quantitativo e econométrico. Foi no mestrado, afirma, que compreendeu de forma mais clara o valor das ferramentas econômicas para analisar problemas concretos. A decisão de fazer mestrado não nasceu do desejo de seguir uma carreira acadêmica tradicional. Giordano queria, sobretudo, ganhar autonomia para avaliar a qualidade de estudos e evidências, além de aprofundar sua compreensão sobre o Brasil e o funcionamento do Estado. “Eu não queria ser pesquisador, mas queria ser um implementador de políticas públicas”, resume. Para ele, atuar nessa área exige saber distinguir pesquisas robustas de análises frágeis — especialmente em um ambiente em que estudos são frequentemente usados para sustentar decisões públicas. Antes de ingressar no J-PAL, Giordano trabalhou na Tembici, startup de bicicletas compartilhadas, na área de estratégia e desenvolvimento. A experiência o aproximou de temas urbanos e de micromobilidade, mas também reforçou sua vontade de trabalhar em um espaço mais diretamente ligado ao interesse público. Na startup, viveu o aprendizado típico de uma organização em crescimento acelerado, em que era preciso atuar em diferentes frentes. Ao mesmo tempo, percebeu que queria se dedicar a projetos nos quais a formulação e a implementação de políticas públicas fossem o centro da atividade. Evidências, J-PAL e ecossistema Insper Esse caminho o levou ao [J-PAL](https://www.povertyactionlab.org/pt-br/j-pal-latin-america-and-caribbean?lang=pt-br) , organização que considera uma referência para quem trabalha com políticas públicas baseadas em evidências. Criado por Esther Duflo, Abhijit Banerjee e Michael Kremer, ganhadores do Nobel de Economia, o J-PAL atua na produção e no uso de evidências rigorosas para orientar políticas públicas. Giordano entrou na instituição pela área de finanças e operações, cuidando da gestão orçamentária de projetos de pesquisa. Depois, migrou para a área de parcerias com governos. Hoje, como associado sênior de políticas públicas, trabalha na aproximação com gestores públicos e no apoio à institucionalização de uma cultura de políticas baseadas em evidências. A ligação com o Insper é parte importante dessa trajetória. O escritório do J-PAL América Latina e Caribe no Brasil funciona dentro do Insper, em um modelo de parceria institucional. Conforme ressalta Giordano, o J-PAL não é um centro do Insper, mas se beneficia da estrutura jurídica, operacional e acadêmica da escola. Para ele, essa convivência cria um ambiente de trocas fértil: permite participar de seminários, circular por diferentes centros de pesquisa e manter contato com professores e pesquisadores que atuam em temas próximos. Foi justamente em um seminário no Insper que surgiu a ideia de sua dissertação de mestrado, defendida em 2024. O trabalho, intitulado “” “Benção ou maldição? Choque de Commodities e a Criminalidade no Brasil”, investigou a relação entre choques nos preços internacionais de commodities e criminalidade nos municípios do país. A pesquisa construiu um índice de exposição dos municípios às commodities e utilizou uma estratégia econométrica para analisar os efeitos desses choques. Os resultados indicaram que, em municípios de até 20 mil habitantes, aumentos nos preços internacionais estavam associados a crescimento nas taxas de criminalidade. Giordano segue desenvolvendo o tema em formato de working paper, em parceria com pesquisadores que participaram da construção da dissertação. A hipótese ainda em investigação é que o aumento da atividade econômica em localidades pequenas pode produzir efeitos indiretos, como mudanças migratórias, pressões sobre serviços públicos e desequilíbrios locais que acabam afetando a segurança. Ainda não há uma conclusão fechada sobre os mecanismos, mas o resultado principal reforça a importância de compreender como choques econômicos globais podem ter efeitos sociais muito concretos em territórios vulneráveis. Mais recentemente, Giordano passou a colaborar também com o [Observatório da Qualidade do Gasto Público ](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/observatorio-da-qualidade-do-gasto-publico) do Insper, criado sob liderança de Sergio Firpo. Como assistente de pesquisa, participa de projetos voltados a avaliar o custo-benefício de programas e políticas públicas. Para ele, a agenda fiscal brasileira não pode se limitar à discussão sobre quanto cortar ou preservar no orçamento. É preciso entender onde cortar, como cortar e quais políticas geram maior impacto social. A atuação no Observatório complementa o trabalho no J-PAL. De um lado, Giordano acompanha governos interessados em implementar políticas públicas e fortalecer o uso de evidências. De outro, participa de uma agenda voltada à eficiência e à qualidade do gasto. Essa dupla inserção o ajuda a olhar para a política pública tanto pela perspectiva da ponta, onde as decisões são executadas, quanto pela perspectiva fiscal, que exige avaliar prioridades, sustentabilidade e impacto. A presença no Insper também ampliou sua circulação por diferentes debates. Giordano participa de seminários, encontros e eventos promovidos por centros da escola, inclusive fora de sua área mais imediata. Para ele, esse ecossistema favorece conexões entre economia, política, direito, gestão pública e avaliação de políticas — áreas que muitas vezes são tratadas separadamente, mas que dialogam na prática. Aos 33 anos, Giordano não descreve seu futuro em termos de um plano rígido. Prefere dizer que busca se consolidar como alguém capaz de atuar na interseção entre economia, Estado e política pública. Nesse percurso, vê no J-PAL e no Insper referências importantes. O objetivo, afirma, é contribuir para que políticas públicas sejam desenhadas e implementadas com mais evidência, mais cuidado com os recursos e mais atenção aos problemas reais do país."}]