[{"jcr:title":"Entre a academia e o Estado, a construção de pontes para a inovação na gestão pública","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas"},{"richText":"A trajetória do professor Manuel Bonduki na modernização do setor público, da formação em Direito ao trabalho com transformação digital na educação","authorDate":"25/06/2025 01h06","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"Entre a academia e o Estado, a construção de pontes para a inovação na gestão pública","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"A interseção entre gestão pública e inovação tem ganhado cada vez mais importância diante dos desafios enfrentados pelo Estado brasileiro. Nesse contexto, o paulistano  [Manuel Bonduki](https://www.insper.edu.br/pt/docentes/manuel-ruas-pereira-coelho-bonduki)  tem atuado em iniciativas voltadas à modernização de políticas públicas, tanto na administração federal quanto no ensino e pesquisa. Servidor público desde 2009 na carreira de especialista em políticas públicas e gestão governamental (EPPGG) e professor no Insper desde 2018, Bonduki participa da formação de gestores em programas como o Master em Gestão Pública (MGP), abordando temas como governo digital, ciências comportamentais e fomento a uma cultura de inovação no setor público.   Sua trajetória combina experiências no campo jurídico, em órgãos como o Ministério Público de São Paulo, com passagens por instituições como a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e o Ministério da Educação. É doutor em Administração Pública e Governo pela FGV e tem formação em Direito pela USP. Também atuou como Innovation Fellow no Ash Center, da Universidade Harvard, e integra uma rede internacional voltada ao ensino de servidores públicos na era digital.    Atualmente, além de suas atividades no Insper, articula o Plano de Transformação Digital do Ministério da Educação. Seu trabalho tem como eixo a busca por formas de gestão pública mais adaptáveis, com foco na escuta ao cidadão e no uso de dados. Como ele resume: “O desafio é criar um Estado capaz de testar e tomar riscos em favor do interesse público e aprender com isso para entregar políticas melhores”.   A seguir, conheça mais sobre a trajetória de Manuel Bonduki.     Origens e escolha da carreira   Nasci e cresci na Vila Madalena, em São Paulo, antes dos bares e dos prédios. Como muitos da geração que nasceu nos anos 1980, cresci envolto pelo clima da redemocratização, pela potência da política. Desde muito cedo acompanho o debate público, os jornais e o ativismo como parte essencial da cidadania. Minha escolha pelo Direito teve a ver com isso, trabalhar na esfera pública.      O despertar para a administração pública   Ingressei na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP, em 2001, e logo me envolvi com a política acadêmica no Centro Acadêmico XI de Agosto. Ali, me envolvi na campanha pela criação da Defensoria Pública de São Paulo. Foi uma mobilização marcante, que uniu mais de 300 organizações da sociedade civil. A própria São Francisco tem uma história ligada à formação da burocracia do Estado brasileiro, e isso influenciou muito minha formação. Nessa época também comecei a perceber uma tensão que me acompanharia ao longo da carreira: o quanto o setor público tem dificuldade de inovar, de experimentar e tomar riscos em nome do interesse público. E de como esse era um valor importante para minha atuação.      Primeiros passos profissionais   No fim da faculdade, trabalhei no Ilanud, o instituto da ONU voltado para criminologia, e passei em um concurso para o Ministério Público de São Paulo, o que me permitiu seguir nessa trilha de atuação com direitos humanos e no controle externo da polícia.    Mais tarde, prestei um novo concurso e me tornei especialista em políticas públicas e gestão governamental, o que me levou a Brasília. A partir daí abandonei finalmente o mundo do direito e assumi minha identidade como gestor público. Fui formado pela Escola Nacional de Administração Pública em 2009 e passei a atuar diretamente com políticas públicas no governo federal.     Inquietações e a busca por inovação   Ainda nos meus primeiros anos em Brasília, senti que as estruturas públicas não favoreciam a inovação. Essa inquietação me levou, em 2014, a sair temporariamente do governo para fazer meu mestrado na FGV e trabalhar numa startup voltada à comunicação com agricultores familiares via SMS — justamente o tipo de inovação que eu havia tentado implementar dentro do Ministério, sem sucesso.   Essa experiência foi fundamental para consolidar meu interesse em inovação no setor público. Mais tarde, retornei ao governo para atuar nos primeiros anos do Laboratório de Inovação da Enap, o GNova, um espaço onde pude ajudar a estruturar práticas mais ágeis, centradas no cidadão e propensas à experimentação dentro da administração pública.     O Insper e a docência   Minha entrada no Insper foi quase um acaso feliz. Após o mestrado, eu queria manter um vínculo com a sala de aula. Fui convidado a fazer uma aula-teste para o recém-criado  [Programa Avançado em Gestão Pública (PAGP)](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/programas-avancados/pos-graduacao-em-gestao-publica) , que precisava de um professor de inovação no setor público e, a partir de então, passei a integrar o corpo docente da instituição. A docência foi uma descoberta. Nunca havia considerado seriamente ser professor, mas me encontrei completamente fazendo essa ponte entre a sala de aula e o governo.   Hoje, leciono no  [Master em Gestão Pública (MGP)](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mba/master-em-gestao-publica)  e coordeno três cursos de educação executiva: Inovação no Setor Público, Ciências Comportamentais e Políticas Públicas, e Transformação Digital no Setor Público. Além disso, atuo em cursos in company, sempre voltado à qualificação de servidores públicos.     O que o Insper tem de diferente   O que me chama atenção no Insper é o nível de profissionalismo e o compromisso real com a missão da escola. Existe uma preocupação constante com a qualidade do ensino, da pesquisa e da experiência dos alunos. Tudo é feito com foco em entregar valor ao público, e as discussões institucionais giram sempre em torno de como melhorar o que está sendo feito. Como professor, recebo um suporte institucional raro no Brasil — desde recursos didáticos até infraestrutura —, o que me permite focar no que importa: preparar os alunos para resolver os desafios reais da gestão pública. E isso, os alunos percebem. A sociedade percebe. O Insper, em expansão, tem o desafio de manter esse padrão de excelência — e acredito que está preparado para isso.     A ponte com Harvard e a rede internacional   Durante o doutorado na FGV, tive a oportunidade de passar um período em Harvard, acompanhando o professor David Eaves, especialista em governo digital. Lá, passei a integrar a rede internacional Teaching Public Service in the Digital Age, que discute o que deve ser ensinado aos servidores públicos em tempos de transformação digital. Essa vivência ampliou ainda mais minha visão sobre o tema e reforçou meu compromisso em trazer essas práticas para o Brasil, tanto no Insper quanto no governo.     De volta à gestão pública — e aos velhos sonhos   Concluí meu doutorado em 2024, com uma tese que discute a “coordenação federativa suave” das políticas públicas em um país federativo como o Brasil. Hoje estou no Ministério da Educação, onde articulo a transformação digital da pasta. É um desafio também federativo, já que envolve a relação com estados e municípios, além de toda a rede de universidades federais, para que avancem sua digitalização — sem invadir sua autonomia.    Nos corredores do Ministério já começo a encontrar meus ex-alunos do PAGP e do MGP, que compõem a primeira geração de gestores públicos formados no Insper. Há uma mudança de perfil acontecendo, para melhor, e a área de administração pública do Insper tem tipo um papel fundamental.   Graças ao trabalho de governança de dados do MEC, lançamos este mês um serviço de mensagens de texto personalizadas para incentivar estudantes de escolas públicas a se inscreverem no Enem — algo que eu tentei fazer pela primeira vez há mais de 10 anos e que hoje se tornou realidade. Inovar em governo é também um exercício de perseverança.      Planos para o futuro   Meu plano é continuar construindo essa ponte entre a teoria e a prática. Acredito profundamente que o Insper tem potencial para se tornar um dos principais centros de excelência no Brasil na discussão sobre governo digital e inovação pública. Quero consolidar e expandir essa trilha de formação de servidores, ampliando o alcance dos cursos de educação executiva e contribuindo para a formação de lideranças públicas capazes de transformar o Estado brasileiro.   Por fim, espero continuar contribuindo com a formulação e implementação de políticas que coloquem o cidadão no centro, que usem dados com inteligência e que respeitem as particularidades locais num país tão diverso como o nosso. Este é o meu desejo: estar entre mundos — o mundo da sala de aula e o mundo das decisões públicas — para fazer pontes e gerar impacto onde ele é mais necessário."}]