[{"jcr:title":"Eleitos, políticos com passagem pelo Insper analisam os desafios para seus mandatos","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas"},{"richText":"Ciclo Cidades em Perspectiva é finalizado com a presença de Kayo Amado, prefeito de São Vicente, Sandra Santana, vereadora em São Paulo, e Pedro Duarte, vereador no Rio de Janeiro","authorDate":"04/12/2024 19h41","author":"Tiago Cordeiro","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"Eleitos, políticos com passagem pelo Insper analisam os desafios para seus mandatos","variant":"image"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"variant":"youtube","youtubeVideo":"https://www.youtube.com/watch?v=pSPvheWIux4&list=PLw0ygoHfe_jOY9-8ShG5uAyJdnsoJNDpB&index=7&t=5021s"},{"text":"  Passado o período eleitoral, novos prefeitos e vereadores eleitos se preparam para assumir seus postos, enquanto aqueles que não vão permanecer nos cargos finalizam suas atividades e, eventualmente, tentam deixar seu legado na forma de iniciativas e projetos que ainda podem ser aprovados até o último dia de 2024.   Aliás,  [segundo](https://cnm.org.br/comunicacao/noticias/numero-de-reeleitos-nas-eleicoes-municipais-de-2024-e-o-maior-da-historia)  a Confederação Nacional de Municípios (CNM), em 2024 a taxa de reeleição entre prefeitos que buscaram continuar no cargo por um novo mandato chegou a 81%, a maior desde que a possibilidade de concorrer por uma segunda vez consecutiva foi implementada, em 1997. Já entre os vereadores, 40,8% dos eleitos já tinham um mandato, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)  [coletados](https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2024-10/vereadores-reeleitos-sao-40-dos-escolhidos-para-camaras-municipais)  pela Empresa Brasil de Telecomunicação, o que aponta para uma renovação expressiva.   Foi neste momento de transição, marcado pelas últimas sessões nas Câmaras de Vereadores em sua composição atual e por uma série de tomadas de decisão dos chefes dos executivos municipais, que o  [ciclo Cidades em Perspectiva](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cidades/ciclo-de-webinarios-debatera-desafios-e-oportunidades-para-os-municipios)  encerrou uma sequência de sete webinários que estenderam ao longo do mês de novembro.   Kayo Amado, prefeito de São Vicente, Sandra Santana, vereadora em São Paulo, e Pedro Duarte, vereador no Rio de Janeiro, todos reeleitos, conversaram com  [Marcelo Marchesini](https://www.linkedin.com/in/marcelo-marchesini-da-costa-368b48ba/) , gerente do Centro de Gestão e Políticas Públicas ( [CGPP](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas) ) do Insper. Ao longo do encontro, listaram os principais desafios que se apresentam para os gestores municipais e debateram possíveis soluções para cada um deles.   “Após eleições municipais, percebemos uma oportunidade para contribuir com o debate sobre territórios e políticas públicas, relacionando os aspectos conceituais com desafios concretos da gestão pública”, apontou Marchesini. “O momento favorece o diálogo com o poder Executivo e o Legislativo de cidades e dos estados. Num momento tão marcado por dificuldades, queremos contribuir com propostas que nos permitam avançar para solucionar os principais problemas que atingem a gestão pública.”     Diálogo e representatividade   Pedro Duarte foi o último a se conectar ao encontro, organizado na forma de uma reunião por link. Isso porque, naquele dia 26 de novembro, a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro havia sido ocupada por manifestantes do setor de educação, que reivindicavam o arquivamento de um projeto de lei que pode mudar o plano de carreira dos professores, alterando benefícios como as férias e a licença especial. A sessão da Câmara que debatia o tema foi encerrada e o batalhão de choque da Polícia Militar precisou intervir.   “A população está cada vez mais interessada em política, e percebe que, na reta final da atual gestão da Câmara de Vereadores, estão sendo tomadas decisões que não foram debatidas nas eleições. A população não entende quando as eleições se tornam apenas disputa por votos, enquanto pautas mais relevantes são deixadas de lado, mas debatidas pela Câmara”, comentou Duarte, assim que iniciou sua participação no webinário.   “Talvez fosse positivo o Legislativo parar durante as eleições, porque os candidatos estão mais preocupados com pautas mais populistas. E estou preocupado com a dinâmica do final do trabalho da Câmara. Temos 23 vereadores que não se reelegeram, e agora temos um pacote de leis apresentadas para aproveitar esse espaço criado pelos políticos que não têm nada a perder”, ele complementou.   Minutos antes,  [Kayo Amado](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/politicas-publicas/nova-geracao-na-politica-municipal-busca-aliar-formacao-tecnica-e-preocupacao-social.html) , que foi colega de Pedro no  [Programa Avançado em Gestão Pública do Insper](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/programas-avancados/pos-graduacao-em-gestao-publica) , havia analisado a falta de diálogo sobre políticas públicas que têm impacto direto para a vida dos cidadãos. “Muitas vezes ficamos presos a um debate ideológico pobre”, observou Amado, para depois abordar a participação da população no dia a dia das cidades. “O maior momento de participação na política, para a maioria das pessoas, é a hora do voto. Temos muitos fóruns de debate, legalmente constituídos, mas que costumam reunir sempre as mesmas pessoas. O trabalhador muitas vezes não tem tempo para participar de conselhos. Precisamos criar mecanismos que de fato mobilizem as pessoas.”   Sandra Santana, que é pós-graduada em  [urbanismo social](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/programas-avancados/pos-graduacao-em-urbanismo-social)  pelo Insper, iniciou a carreira profissional na iniciativa privada e migrou para a vida pública para apoiar os moradores da região onde vive, a Zona Norte de São Paulo, avaliou este ponto: “É um desafio conseguir ampliar a participação popular em comitês. Se fazemos em dias úteis, as pessoas questionam. Mas, se fazemos aos fins de semana, alegam que este é um momento de lazer. Um caminho é nós, políticos, nos lançarmos para as ruas, ouvindo as demandas. A melhor entrega se dá quando trazemos a população para perto e ouvimos mais.”   Pedro, por sua vez, acrescentou uma sugestão. “Nos Estados Unidos, onde as pessoas participam ativamente da gestão pública, no dia de votar para cargos eletivos, a população também se manifesta sobre decisões regionais relevantes. Já que o momento do voto é consolidado no Brasil como a ocasião para a maior parte dos cidadãos se manifestar, essa seria uma alternativa.”     Orçamento e segurança jurídica   Além de refletir sobre a qualidade do debate eleitoral, a pressa em aprovar medidas relevantes nos últimos meses do mandato e novos modelos de manifestação democrática, os participantes abordaram outros dois pontos: as dificuldades com o orçamento e a falta de segurança jurídica, que na avaliação deles é provocada pela falta de um direcionamento claro dos órgãos de fiscalização.   “Estou na vida pública há 30 anos. Muito mudou desde então. Hoje, em campanha, se visitar uma eleitora e ela preparar um café da tarde, você foge, para não ser fotografada numa situação que possa parecer favorecimento. Participar de eventos em período de campanha se tornou muito complicado”, disse Sandra Santana.   “Passo muito tempo da minha rotina buscando recursos nos níveis federais de governo”, afirmou, por sua vez, Kayo Amado. “Para revitalizar a orla da cidade, desenvolvi um plano para avançar um trecho por ano, o que ajudou o poder público municipal a recuperar a credibilidade diante do setor de turismo. Mas faltam critérios claros dos órgãos de controle. Qualquer bobagem que uma oposição protocola vira processo. Por outro lado, não tenho medo de assinar. Tenho uma coleção de canetas, tomo as decisões necessárias. É difícil ser prefeito no Brasil.”   Pedro Duarte concordou: “O maior desafio que deveríamos superar é a redundância de controle. O pior é quando o Tribunal de Contas, o Ministério Público ou o Judiciário têm interpretações diferentes sobre a mesma pauta”.     Desafios e oportunidades   Na avaliação de Marcelo Marchesini, o encontro se mostrou capaz de trazer as pautas dos debates dos seis webinários anteriores para o dia a dia das lideranças municipais. “O objetivo do encontro foi atingido. Os participantes trouxeram um pouco da rotina, da dinâmica de suas atividades. Ao longo do evento, ficou claro como os desafios da gestão das cidades se tornam muito mais complexos à medida que tem um elemento político influenciando essas decisões. Essa interação entre a gestão e a política foi o foco desse último encontro”, disse.   Marchesini também comentou a ação conjunta do CGPP com o  [Centro de Estudos das Cidades - Laboratório Arq.Futuro](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-estudos-das-cidades) , decisiva para o sucesso do evento. “É uma parceria que queremos realizar cada vez mais. Temos muitas sinergias e ficamos felizes com o convite, já temos procurado essa aproximação ao longo do ano. Pretendemos seguir assim ano que vem”, disse.   Na avaliação de  [Tomas Alvim](https://www.linkedin.com/in/tomas-alvim-6b935a47/) , coordenador-geral do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro, o encontro de encerramento da série joga luz sobre a gestão pública em nível municipal. “Um ponto que nos dá esperança é que, independentemente das dificuldades e dos desafios, há em vocês uma ousadia, que é um componente essencial para quem está na gestão pública. Existe uma proposta de não se esconder atrás de regulamentos”, comentou ele, a respeito dos três participantes da noite.   [ Para assistir aos encontros do ciclo Cidades em Perspectiva, basta clicar neste link. ](https://www.youtube.com/playlist?list=PLw0ygoHfe_jOY9-8ShG5uAyJdnsoJNDpB)  "}]