[{"jcr:title":"Cátedra Affonso Celso Pastore nasce com agenda sobre renda, informalidade e proteção social","cq:tags_0":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas"},{"richText":"Em sua apresentação de posse, o professor Sergio Firpo defendeu o uso de evidências para aperfeiçoar políticas públicas voltadas aos trabalhadores mais vulneráveis","authorDate":"07/07/2026 11h47","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","title":"Cátedra Affonso Celso Pastore nasce com agenda sobre renda, informalidade e proteção social","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O Insper lançou, em 17 de junho, a Cátedra Affonso Celso Pastore, ocupada por Sergio Firpo, Professor Titular da escola e coordenador acadêmico do Observatório da Qualidade do Gasto Público (OQGP). A apresentação inaugural teve como tema “Volatilidade da renda, informalidade no mercado de trabalho e programas de transferência de renda”, uma agenda que articula economia do trabalho, desigualdade, pobreza, bem-estar e desenho de políticas públicas. A cátedra representa um reconhecimento à trajetória acadêmica de Firpo, marcada por produção científica relevante e por uma agenda dedicada a compreender, a partir das políticas públicas, temas centrais do desenvolvimento brasileiro. Ao receber o nome de Affonso Celso Pastore, a iniciativa também homenageia uma das grandes referências do pensamento econômico nacional, com atuação marcante na academia, no setor público e no debate sobre os rumos da economia brasileira. Uma homenagem ao legado de Pastore Na abertura do evento, Claudio Haddad, presidente da Assembleia de Associados do Insper, lembrou sua convivência com Pastore desde os anos 1970, quando acompanhou suas aulas de macroeconomia, e destacou a influência do economista em diferentes momentos de sua trajetória. “Nossa convivência sempre foi muito agradável e muito respeitosa. Pastore sempre foi um economista excepcional, uma pessoa seríssima, de uma integridade acima de qualquer suspeita”, afirmou. “Como ser humano, era uma pessoa incrível. Ele realmente se preocupava com as questões do Brasil.” Maria Cristina Pinotti, que foi casada com Pastore e com ele compartilhou também uma longa trajetória profissional, destacou outra dimensão marcante de sua personalidade: a vocação para ensinar. “Affonso era um professor compulsivo. Dava aula de qualquer coisa que soubesse, queria espalhar conhecimento para todo mundo. Fosse economia, física quântica, ópera, o que tivesse pela frente, ele dava aulas e mais aulas, e repetia o mesmo assunto 90 vezes por dia, se fosse necessário, com prazer”, disse. Na sequência, Sergio Lazzarini, vice-presidente acadêmico e Professor Titular do Insper — Cátedra Chafi Haddad, agradeceu o apoio da Haddad Foundation à nova cátedra, ressaltando a importância desse tipo de iniciativa para fortalecer a excelência acadêmica. “As cátedras são um instrumento consagrado na academia, importante para reconhecer e atrair os melhores professores, além de contribuir para a reputação da escola”, afirmou. Segundo Lazzarini, Claudio Haddad teve papel pioneiro nesse movimento no Brasil. “Raramente se vê esse tipo de iniciativa em outras escolas no país”, observou. Depois de Lazzarini, Sergio Firpo, Professor Titular da nova cátedra, também homenageou Pastore antes de apresentar a agenda de pesquisa que pretende desenvolver. Para ele, o economista tinha “um talento raro, hoje ainda mais raro, de traduzir análise econômica para um público amplo, sempre com muito rigor”. Firpo destacou ainda a firmeza das posições de Pastore, sua retidão e seu papel na formação de gerações de economistas. “Uma cátedra que leva o seu nome assume, antes de tudo, o compromisso de continuar essa formação, sustentando pesquisa aplicada de qualidade, voltada aos problemas concretos do país”, afirmou. Informalidade também é exposição a risco Em sua apresentação de posse, Firpo situou a nova cátedra em torno de uma pergunta central: como a política social pode proteger famílias contra a instabilidade de renda sem, ao mesmo tempo, desestimular a formalização no mercado de trabalho. O ponto de partida é uma leitura ampliada da informalidade. No Brasil, ela costuma ser analisada principalmente pela associação com rendas mais baixas. A agenda proposta por Firpo acrescenta outra dimensão: “A informalidade no Brasil costuma ser analisada pela sua associação com um perfil mais baixo de renda, mas ela também implica renda mais arriscada”, ressaltou. Essa perspectiva é especialmente relevante em um país com grande setor informal. Segundo Firpo, trabalhadores sem carteira ou por conta própria não apenas tendem a ter rendas menores, mas também enfrentam maior incerteza sobre quanto vão receber ao longo do tempo. Essa instabilidade afeta com mais força os mais pobres, que contam com menos instrumentos para se proteger de choques de renda. A apresentação foi organizada em três mensagens principais. A primeira é que trabalhadores informais enfrentam maior volatilidade de renda, sobretudo na base da distribuição. A segunda é que família e Estado amortecem parte desse risco, mas de forma incompleta e desigual. A terceira é que transferências condicionadas à renda observável podem proteger no curto prazo, mas também criar incentivos que reduzem a atratividade da formalização. Os dados apresentados indicam que a renda formal é menos volátil do que a informal, especialmente quando se consideram também os períodos sem trabalho. Em termos práticos, isso significa que a formalização funciona não apenas como acesso a direitos trabalhistas, mas também como uma forma de proteção contra oscilações bruscas de renda. Já trabalhadores informais ficam mais expostos a variações de demanda, perda de ocupação ou queda repentina de receitas. Firpo também destacou que parte dessa instabilidade pode ser suavizada dentro da própria família, quando há outras fontes de renda no domicílio, ou pelo Estado, por meio de transferências sociais. Ainda assim, a proteção é parcial. A volatilidade permanece mais intensa na base da distribuição de renda, justamente entre as famílias com menor capacidade de recorrer a poupança, crédito ou patrimônio para atravessar períodos de queda de renda. Essa dinâmica ajuda a compreender a pobreza de forma menos estática. Muitas famílias entram e saem dessa condição em curtos intervalos de tempo. Nesse sentido, programas de transferência de renda não atuam apenas como resposta a uma situação permanente de pobreza, mas também como mecanismo de proteção contra quedas temporárias de renda. O desafio de proteger sem desestimular a formalização A questão levantada por Firpo é que o desenho dessas políticas pode gerar efeitos indesejados. Quando a elegibilidade depende da renda observável pelo Estado, a formalização pode se tornar relativamente menos atraente. A renda formal é mais fácil de ser verificada; a informal, menos. Para famílias sujeitas a grande instabilidade e com receio de perder o benefício, permanecer na informalidade pode parecer uma escolha mais segura no curto prazo. Firpo separou essa discussão de uma crítica simplista aos programas de transferência. Segundo ele, os dados não indicam que beneficiários do Bolsa Família reduzam sua participação no mercado de trabalho quando comparados a pessoas com características semelhantes. O ponto central está em outra margem: a formalidade. Entre os ocupados, beneficiários apresentam maior presença na informalidade, mesmo quando comparados a trabalhadores de perfil semelhante. A partir desse conjunto de evidências, Firpo discutiu a hipótese de uma “armadilha da informalidade”. O mecanismo combina renda baixa e arriscada, transferências que aliviam pobreza e volatilidade e regras de elegibilidade baseadas na renda observável. Com pouco acesso a seguros privados contra choques de renda, formalizar-se pode ser percebido como uma ameaça à continuidade do benefício. A saída, segundo a agenda apresentada, não está em reduzir a proteção social, mas em aperfeiçoar seu desenho. Um bom programa deveria proteger contra choques, preservar incentivos à formalização, evitar cortes abruptos de benefício e respeitar a viabilidade fiscal. Entre os caminhos mencionados estão retirada gradual de benefícios, desconsideração parcial da renda do trabalho, bônus à formalização, crédito tributário reembolsável e, em um desenho mais amplo, modelos de renda básica. Ao final, Firpo relacionou essa agenda ao espírito da cátedra. A proposta é estudar problemas brasileiros difíceis com rigor empírico, clareza analítica e implicações concretas para a política pública. Ao reunir renda, informalidade, pobreza, proteção social e desenho institucional, a Cátedra Affonso Celso Pastore nasce com o objetivo de transformar evidências em políticas públicas melhores, preservando o compromisso com eficiência, responsabilidade pública e redução de vulnerabilidades."},{"jcr:title":"Marcelo Orticelli, Claudio Haddad, Sergio Firpo, Sérgio Lazzarini, Cristine Pinto e Guilherme Martins","fileName":"Lançamento cátedra Affonso Celso Pastore (2).jpg","alt":"Marcelo Orticelli, Claudio Haddad, Sergio Firpo, Sérgio Lazzarini, Cristine Pinto e Guilherme Martins"}]