[{"jcr:title":"As experiências que validam a formação de líderes na gestão pública do Brasil","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"centro-de-conhecimento:núcleo-de-pessoas-no-setor-público"},{"richText":"O evento Fortalecendo Lideranças Públicas, realizado pelo CGPP do Insper, também marcou o lançamento de um caderno sobre aprendizados e boas práticas em governos brasileiros","authorDate":"15/12/2025 19h06","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"As experiências que validam a formação de líderes na gestão pública do Brasil","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Parcerias entre governos, academia e terceiro setor têm o potencial de aprimorar a gestão pública no Brasil, como demonstrou o  [evento](https://www.youtube.com/live/RSBlq_mygFM)  Fortalecendo Lideranças Públicas: Experiências e Boas Práticas em Governos, realizado no dia 26 de novembro, pelo  [Centro de Gestão e Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas)  (CGPP) do Insper e pelo seu Núcleo de Pessoas no Setor Público. Na ocasião, foi lançado o caderno “Fortalecendo lideranças públicas: aprendizados e boas práticas em governos brasileiros”, que relata as experiências de diferentes governos que buscam formar lideranças públicas e está disponível  [neste link](https://repositorio.insper.edu.br/entities/publication/992c56a8-dcda-4f37-b576-bc4817b91a31) . Em suas boas-vindas, a coordenadora executiva do CGPP, Vivian Satiro, colocou a escola à disposição das pessoas que buscam evidências sobre o tema. Ela dividiu a abertura institucional do encontro com Cristina Castellan, diretora de lideranças da Fundação Lemann. “Acreditamos que, se o Brasil for capaz de aumentar o número de pessoas muito talentosas que realmente dedica suas vidas para atacar os nossos maiores problemas, vamos chegar lá”, disse Cristina. Uma dessas parcerias é a Vamos, que reúne a Fundação Lemann, o Instituto Humanize e a República.org. Gláucia Macedo, gerente programática do Humanize, falou sobre o começo da aliança, em 2017, e o foco nos territórios e no advocacy, com a participação do setor público e do terceiro setor. “É importante que se criem referenciais e que façamos uma adaptação dos referenciais internacionais para a nossa realidade”, afirmou Gláucia. Além de apresentar a produção do CGPP e comentar trechos do Caderno, o professor Gustavo Tavares, coordenador acadêmico do Núcleo de Pessoas no Setor Público, destacou a importância da liderança pública. O trabalho do núcleo identificou cinco competências indispensáveis: motivação para liderar, capacidades intrapessoais, integridade de valores e habilidades interpessoais e cognitivas. “Se você é um decisor, tem que ser capaz de compreender cenários e tomar decisões que vão afetar grandemente a sua organização”, disse Gustavo. “Quando falamos de integridade, falamos desse ethos público e também de valores da democracia, da transparência e da participação. Infelizmente, o Brasil é um país com um nível de corrupção alto e essa integridade importa muito para garantir que realmente haja um clima ético na organização.” A Proposta da Política Nacional de Lideranças em Governos, por exemplo, é uma iniciativa do Movimento Pessoas à Frente (MPaF), representado no evento por sua diretora executiva, Jessika Moreira. Ela ressaltou a importância de montar uma rede de pessoas diversas, com posições plurais, que construa propostas que possam avançar como lei e entregar valor público. “A gente teve uma grande janela de oportunidade este ano com a discussão de reforma administrativa no executivo”, disse Jessika. “Lideranças bem preparadas, aptas e diversas são sim a garantia de melhores serviços e políticas públicas para a população.” Segundo uma pesquisa do Datafolha apresentada pela diretora do MPaF, 82% dos brasileiros acreditam que pessoas bem preparadas em cargos de governo melhoram as suas vidas, entre outros indicadores a favor da formação. “É muito desafiador falar sobre essa agenda porque não temos certeza do perfil das pessoas que ocupam esses cargos públicos”, afirmou Jessika. “Em síntese, o que propomos é um salto na qualidade como o Brasil seleciona, desenvolve, avalia e acompanha as suas lideranças em governo. Essa deve ser uma política de estado para garantir coerência, continuidade e capacidade na ação governamental.” As competências do gestor Na primeira sessão de apresentações, Amanda Miranda, coordenadora da frente de desempenho e desenvolvimento do Transforma Minas, narrou a trajetória do programa de atração, seleção, desenvolvimento e acompanhamento de profissionais para a administração pública do governo mineiro. Em 527 processos seletivos, 477 lideranças foram selecionadas, o que corresponde a um aproveitamento de 90%. No programa, são trabalhadas sete competências: orientação para resultados; resiliência; influência e engajamento de pessoas; liderança; visão sistêmica; comportamento inovador; e comunicação e compartilhamento de informações. “A gente entende que essas são as competências que os líderes em Minas precisam ter e desenvolver”, afirmou Amanda. A experiência seguinte foi o Qualifica RS, apresentado por Ana Carolina dal Ben, subsecretária de gestão e desenvolvimento de pessoas do governo do Rio Grande do Sul. Em moldes semelhantes ao Transforma Minas, atrai e seleciona pessoas para cargos de liderança no executivo gaúcho. “Em 2023, através de uma lei, fizemos a reformulação de todo o nosso quadro de cargos e funções”, disse Ana. “Isso foi um avanço importante para conseguir atrair líderes com perfil adequado para o governo do estado. As secretarias eram muito diferentes entre si, o que gerava falta de transparência quanto à quantidade de cargos a que cada uma tinha direito e também à estrutura remuneratória das lideranças.” Desde 2019, 100 posições foram selecionadas por intermédio do Qualifica RS. Fernanda Moura Feitosa, diretora do Departamento de Recursos Humanos da Secretaria de Educação de Sergipe, contou como o estado instituiu um modelo para a escolha de dirigentes educacionais, com base em competências e critérios objetivos de avaliação. A institucionalização foi fundamental.  “Acho que todo mundo concorda sobre essa parte do patrocínio político”, afirmou Fernanda. “Precisamos do líder do poder executivo, do nosso secretário, botando o projetinho debaixo do braço. Tínhamos dados sobre o que vínhamos executando nos centros de excelência. Em 2022, conseguimos que fosse aprovado na assembleia um projeto de lei institucionalizando o processo seletivo de diretor de regional de educação e de diretor de escola.” Segundo Fernanda, os impactos positivos foram o fortalecimento da legitimidade e capacidade técnica das lideranças públicas, a elevação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a redução da distorção idade-série, as melhorias em frequência escolar, os avanços na alfabetização, a profissionalização da gestão regional, o crescimento da motivação dos gestores e a maior valorização do papel dos diretores. Mediadora da primeira sessão, Flávia Schmidt, diretora de conhecimento, dados e pesquisa da Fundação Lemann, exaltou o evento, a publicação do Caderno e a construção de uma rede de disseminação de conhecimento como parte de uma agenda para mudar o Brasil. “Acreditamos que é desafiador formar lideranças bem selecionadas, bem recrutadas e comprometidas no setor público”, disse Flavia. “Mas é recompensador e é o que faz a diferença para mudar o ponteiro da forma como o nosso país está, para termos, de fato, cenários e contextos muito diferentes de futuro.” Desafios permanentes A segunda sessão de apresentações começou com Maristela Carvalho, coordenadora do LideraGOV na Escola Nacional de Administração Pública (Enap), promovido também pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. O programa do governo federal é voltado para servidores públicos da média burocracia — de quem não ocupa cargo até ocupante de coordenação. “O processo do curso cria o ambiente para os servidores florescerem para a liderança pública”, afirmou Maristela. “A sala de aula é um lugar muito importante para nivelar conhecimento e instigar habilidades, mas precisa ser complementada com outras atividades. Temos oficinas práticas e colaborativas, mentorias individuais, mentorias coletivas, entregas de trabalho que estão bastante situados com o desenvolvimento de uma liderança pública e encontros com a chefia.” Entre os principais resultados da iniciativa, que completou cinco anos em novembro, Maristela relatou o resgate do propósito público entre os participantes. Nesse período, 239 alunos terminaram o programa, representando 75 órgãos ligados ao governo federal. Os desafios continuam, segundo Maristela: manter a inovação do programa e o alinhamento estratégico de país; crescer com qualidade; medir o impacto e valor público da iniciativa; melhorar a representatividade étnico-racial e de gênero; e fortalecer, com governança, a cultura de rede. No LiderAção, programa do governo de Goiás, parte do sucesso é creditada à sequência de acesso às trilhas formativas. Larissa Neves Costa, gerente de desenvolvimento profissional na Escola de Governo do Estado de Goiás, contou que as primeiras turmas reuniram 30 titulares da alta gestão, para que essas pessoas apoiassem as próximas etapas do programa. O segundo recorte contemplou superintendentes, subsecretários, chefes de gabinete e correlatos. Em outros dois momentos, foram atendidos os gerentes e aqueles que são denominados de “líderes do amanhã” — 60 servidores que não ocupam cargo de liderança, mas que têm o desejo de se preparar para oportunidades futuras. A iniciativa goiana deslanchou em 2023, quando entrou na lista de projetos prioritários do governo do estado, apesar de ser fomentada desde 2019. “O LiderAção é um programa pensado, desenvolvido e cocriado por várias pessoas e instituições”, disse Larissa. “A abordagem foi personalizada e focada nas necessidades de cada grupo, nas competências que eram requeridas para o exercício de determinado cargo, nas principais dores dos ocupantes daquele cargo e no que as chefias esperavam dos ocupantes.” Uma ação em nível municipal, o Líderes Cariocas foi apresentado por Rafaela Bastos, presidente do Instituto Fundação João Goulart, responsável pelo programa da prefeitura do Rio de Janeiro. “O Líderes Cariocas quer que cada liderança pública seja o exemplo de servidor público, porque a imagem do servidor público é muito demonizada e isso impacta também na implementação de estratégias de lideranças públicas”, afirmou Rafaela. Os trabalhos estão estruturados em formação, desenvolvimento, capacitação, criação de ferramentas, criação de metodologias, parcerias estratégicas, premiação, eventos, reconhecimento e publicações. Desde 2012, foram formados 513 líderes. Rafaela complementou: “Estamos desenvolvendo uma massa crítica de 16.000 gestores que podem vir a ser o time ou os pares dessa liderança. Tudo o que fazemos na política é monitorado com dados e evidências. As pessoas, em geral, não têm orgulho da burocracia, mas têm muito orgulho da política pública. Então é por isso que tudo o que fazemos precisamos entregar como um produto à sociedade. Não existe política pública desperdiçada, não existe capital intelectual desperdiçado. Quanto melhor a gestão pública, melhor a nossa vida”. Encerrando a sessão, a mediadora Gláucia Macedo, do Instituto Humanize, lembrou que, de todas as experiências mostradas no evento, a mais longeva é a de um município — o Líderes Cariocas —, capaz de se manter e qualificar a despeito das trocas de governo nos últimos 13 anos. Gláucia deixou a mensagem de que ninguém precisa começar política pública do zero, nem sozinho. “Todo mundo aqui são pessoas que estão nos governos”, disse a gerente do Humanize. “Incentivem os outros a começar. Procurem as organizações, os bancos de informação, o Insper. Tem muita lição aprendida.” Juliana Carvalho, coordenadora executiva do Núcleo de Pessoas no Setor Público, concluiu que nenhuma política pública consegue ser efetivada sem uma liderança eficaz. “Os exemplos mostraram como conseguimos fazer coisas boas, sobretudo em parceria com outras organizações que também têm expertise nisso”, afirmou Juliana. “O nosso caderno ‘Fortalecendo lideranças públicas’ é fruto das nossas pesquisas e liderança no setor público. A ideia é ter um debate robusto sobre o tema e pensar quais são os próximos passos do desenvolvimento de políticas de liderança no Brasil.”"}]