[{"jcr:title":"Alunos do MPP desenvolvem planos de avaliação de impacto para organizações da sociedade civil","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"centro-de-conhecimento:insper-metrics","cq:tags_3":"programas:pós-graduação"},{"richText":"Disciplina conectou estudantes a desafios reais de monitoramento e avaliação em parceria com quatro instituições e gerou aprendizados que já se desdobram em pesquisa e aplicação prática","authorDate":"10/04/2026 18h50","madeBy":"Por","tag":"programas:pós-graduação","title":"Alunos do MPP desenvolvem planos de avaliação de impacto para organizações da sociedade civil","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Alunos do  [Mestrado Profissional em Políticas Públicas (MPP)](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mestrado/politicas-publicas)  do Insper apresentaram, em março deste ano, os trabalhos desenvolvidos na disciplina de  Medição de Impacto Social e Monitoramento , voltados à elaboração de planos de avaliação para quatro organizações da sociedade civil:  Instituto Rodrigo Mendes ,  Instituto Suel Abujamra ,  Instituto Arapyaú e  Aventura de Construir . Ao longo do quarto trimestre de 2025, os estudantes se reuniram com representantes das instituições parceiras para conhecer seus projetos e programas e, a partir desse diálogo, construir propostas iniciais de avaliação. Nessa primeira etapa, realizada em grupos, os alunos mapearam as iniciativas, definiram a população-alvo, realizaram benchmarking e revisão de literatura e formularam a Teoria da Mudança. Na fase seguinte, desenvolvida individualmente, cada estudante propôs métricas de mensuração de impacto e uma estratégia empírica de avaliação, com base nas ferramentas de econometria aprendidas ao longo do curso. Os trabalhos também incorporaram abordagens qualitativas complementares, voltadas a dimensões que os métodos quantitativos, isoladamente, não conseguem captar por completo. Os melhores projetos elaborados para cada organização parceira foram selecionados para apresentação durante o evento, diante de representantes das próprias instituições. As discussões reuniram alunos, lideranças das organizações e a professora  Carolina Melo , responsável pela disciplina, em conversas voltadas ao aprimoramento dos planos e à adaptação das propostas aos desafios concretos do campo. Segundo Carolina, a iniciativa teve relevância tanto acadêmica quanto extensionista. “Para as organizações parceiras, a experiência representou acesso a conhecimento qualificado e a planos estruturados de avaliação de impacto”, afirma. Ela também destaca o valor formativo da experiência, que permitiu aos estudantes aplicar o conteúdo aprendido em sala a problemas reais. Da teoria à prática Entre os alunos, um dos principais ganhos foi a possibilidade de aproximar teoria e prática. As mestrandas  Julia Marques Silva  e  Eloah de Jesus Fassarella , que trabalharam com o Instituto Arapyaú, se debruçaram sobre o mesmo programa da organização voltado a produtores familiares de cacau no sul da Bahia. Na etapa individual, porém, cada uma desenvolveu um recorte próprio de avaliação. Julia concentrou seu trabalho em investigar se o pacote formado por acesso a crédito e assistência técnica se traduz em aumento da renda efetivamente recebida pelos produtores, com atenção especial ao valor que de fato chega às famílias. Em seu relato, ela destacou que a disciplina permitiu levar instrumentos analíticos a um problema concreto, com todas as suas limitações e complexidades. “O maior aprendizado foi conseguir quebrar uma redoma de vidro da pesquisa e tirar aquilo que vemos na teoria para enxergar isso claramente na aplicação de um problema real”, diz Julia, que atua como assistente de pesquisa no Núcleo de Política Educacional e Inclusão Produtiva do Insper. Julia ressalta que um dos maiores desafios esteve na disponibilidade, atualização e confiabilidade dos dados, aspecto central para qualquer desenho de avaliação de impacto. Segundo ela, a busca por bases que permitissem acompanhar os mesmos produtores ao longo do tempo evidenciou, na prática, dificuldades que muitas vezes aparecem apenas de forma abstrata nas discussões metodológicas. A aluna aponta ainda que o exercício de construir a teoria da mudança ajudou a iluminar os detalhes do problema e a enxergar com mais precisão os pontos críticos da intervenção. A experiência de Eloah reforça esse movimento de aproximação entre rigor acadêmico e realidade institucional. Também dedicada ao mesmo programa do Arapyaú, ela direcionou seu trabalho individual para a avaliação da adicionalidade do crédito oferecido a produtores que já recebiam assistência técnica, buscando medir em que medida esse apoio extra impacta resultados como eficiência produtiva, produtividade e geração de renda. Para desenvolver a proposta, Eloah articulou um plano de avaliação com métodos mistos, combinando estratégias quantitativas e qualitativas. Ao comentar o aprendizado do processo, Eloah destaca que a disciplina expôs os estudantes a uma situação próxima de um trabalho de consultoria, no qual ouvir a organização é tão importante quanto preservar o rigor analítico. “Não podemos sobrepor o que a instituição está dizendo ao que aprendemos, mas também não podemos deixar o rigor de fora”, sintetiza Eloah, que é economista e atua como coordenadora de métodos de pesquisa, monitoramento e avaliação na consultoria de dados Open Social. Ela também chama atenção para o valor da articulação entre métodos quantitativos e qualitativos, ressaltando que a análise qualitativa é fundamental para explicar os mecanismos por trás dos resultados identificados pelos dados. Outro desdobramento direto da disciplina veio com o aluno  Leonardo Melendez , que transformará em dissertação o trabalho desenvolvido para o Instituto Suel Abujamra. A pesquisa irá avaliar um programa de saúde oftalmológica realizado em escolas da rede municipal de São Paulo, ligado ao esforço Juntos pela Visão e inserido no guarda-chuva do Avança Saúde. Segundo Leonardo, a escolha desse programa se deu tanto pela viabilidade da avaliação quanto pelo potencial de impacto de uma iniciativa simples, baseada em atendimento oftalmológico nas escolas e entrega gratuita de óculos aos estudantes que necessitam deles. Para o aluno, justamente por ser uma política de desenho relativamente simples e de baixo custo, o programa de atendimento oftalmológico pode gerar evidências especialmente relevantes para o debate público. “É um programa bastante simples e de baixo custo”, diz. “Programas mais concretos, mais próximos do chão da política pública, como esse, me atraem bastante.” Leonardo, que é economista e atua como assistente de pesquisa no Insper, acrescenta que um dos principais desafios da disciplina foi compreender as nuances do programa e compatibilizar o rigor acadêmico com as condições concretas de implementação, já que “o desenho ideal que gostaríamos de ter para um projeto de avaliação nem sempre é possível”. Em sua dissertação, ele pretende ainda investigar em quais grupos o programa produz mais efeito e simular seu potencial de expansão para outros municípios brasileiros. A disciplina também impactou trajetórias profissionais que já vinham de outras áreas. É o caso de  Thiago Henrique Moreira Goe s, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que cursou a disciplina durante o pós-doutorado e trabalhou em um projeto ligado ao Instituto Rodrigo Mendes. Seu grupo se debruçou sobre o Projeto Alavancas, iniciativa voltada ao fortalecimento da política pública de educação inclusiva em dez municípios brasileiros. Com formação em administração, trajetória em finanças e experiência em gestão, Thiago relata que mergulhar no campo da educação inclusiva representou um deslocamento importante em relação à sua formação anterior. Na avaliação dele, o desafio inicial esteve em compreender uma literatura muito distinta daquela com que estava acostumado a trabalhar. “Fazer um projeto voltado para a área da educação foi bastante inspirador, mas a dificuldade inicial foi compreender essa literatura”, afirma. Thiago acrescenta que o principal legado da disciplina foi ampliar sua visão sobre o papel da avaliação em políticas públicas. “Por que avaliar e como avaliar uma política pública: esse foi, para mim, o grande impacto da disciplina.” Segundo ele, esse aprendizado já começou a ser levado para sua atuação na universidade, especialmente na reflexão sobre formas de monitorar melhor projetos de extensão, seus objetivos, públicos atendidos, recursos mobilizados e resultados alcançados. Contribuições para as organizações A experiência também foi valorizada pelas instituições parceiras. Para  Silvia Caironi , coordenadora-geral da Aventura de Construir, o processo representou uma troca qualificada entre universidade e sociedade civil. “Foi uma experiência enriquecedora, tanto para a organização quanto para os alunos. Apresentar os projetos da Aventura de Construir permitiu traduzir, na prática, os desafios e as potencialidades do nosso trabalho no território, aproximando a teoria da realidade vivida pelas organizações da sociedade civil”, afirma. Silvia também destacou ganhos concretos para a organização, como o aperfeiçoamento dos indicadores e do acompanhamento dos resultados. Segundo ela, o trabalho dos alunos ajudou a enxergar com mais precisão tanto os desafios quanto as oportunidades de evolução, fortalecendo a avaliação como ferramenta estratégica de gestão. “De forma geral, essas contribuições nos ajudam a avançar na construção de um modelo de avaliação de impacto mais estratégico, preciso e conectado aos resultados que buscamos gerar nos territórios em que atuamos”, diz. Avaliação semelhante foi feita por  Vinicius Ahmar , diretor programático do Instituto Arapyaú. Segundo ele, os trabalhos dialogaram diretamente com os desafios enfrentados pela organização em iniciativas voltadas à ampliação do acesso a crédito e assistência técnica de qualidade para agricultores historicamente desassistidos. “Os alunos demonstraram uma boa compreensão dos problemas que tentamos resolver e apresentaram caminhos para monitorar e avaliar os resultados e impactos de nossas ações”, afirma. Para Vinicius, uma avaliação bem desenhada contribui não apenas para a prestação de contas, mas também para o aprendizado institucional e a tomada de decisão. Esse tipo de evidência, observa, pode inclusive apoiar a replicação de estratégias em outros territórios e informar políticas públicas. “Buscar ter respostas com base em evidências fortalece nossa capacidade de dialogar com investidores, parceiros e atores do poder público e do setor privado. A contribuição dos alunos do Insper foi nos oferecer, com independência e rigor acadêmico, um olhar externo sobre como estruturar essa avaliação — e esse tipo de aproximação entre universidade e prática tem valor real para organizações como a nossa e enriquece a formação dos alunos com desafios concretos.” No caso do Instituto Suel Abujamra,  Victor Fazio , gerente de operações da organização, reforça a importância do diálogo entre prática e produção acadêmica. Segundo ele, estudos como os desenvolvidos pelos alunos ajudam a ampliar a capacidade das instituições de mensurar o impacto social gerado pelos atendimentos oftalmológicos, pela doação de óculos e por outras frentes de atuação. “Quanto mais embasamento técnico tivermos, mais importantes se tornam os projetos”, diz. Victor também destacou o potencial da pesquisa que terá continuidade na dissertação de Leonardo Melendez. Na avaliação dele, a produção de evidências sobre efeitos em áreas correlatas, como a educação, pode fortalecer a mobilização em torno de iniciativas desse tipo e ampliar sua relevância no debate público. Segundo ele, estruturar dados e indicadores sobre os resultados da saúde oftalmológica contribui para demonstrar que essa dimensão deveria ocupar um espaço mais central na atenção básica, além de reforçar a importância de políticas e parcerias públicas voltadas ao tema. Formação com impacto real Como líder do projeto de extensão vinculado ao Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG), Carolina Melo agradeceu a participação dos representantes das organizações parceiras, em especial Vinicius Ahmar (Arapyaú), Silvia Caironi (Aventura de Construir), Luísa Moretti (Instituto Rodrigo Mendes) e Carlos Henrique Pegurier e Victor Fazio (Instituto Suel Abujamra), pelo tempo dedicado e pelo compartilhamento de conhecimento prático com a turma. A professora também ressaltou a dedicação dos alunos e a qualidade dos trabalhos apresentados. “Foi um enorme prazer compartilhar a sala de aula com os alunos, aprender com cada um e acompanhar o desenvolvimento desses trabalhos. Tenho certeza de que eles gerarão um impacto muito positivo no nosso país ao longo de suas carreiras”, conclui."}]