[{"jcr:title":"Alunos do Insper apresentam propostas de melhorias para o Plano Rio Grande","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"Trabalho aplicado do Master em Gestão Pública propõe Teoria da Mudança para estruturar entregas e verificar a eficácia das iniciativas","authorDate":"23/07/2025 11h44","author":"Michele Loureiro","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"Alunos do Insper apresentam propostas de melhorias para o Plano Rio Grande","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O impacto das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2023 e 2024 ainda ecoa na região Sul e evidenciou a urgência de novas abordagens na gestão de crises climáticas no Brasil. A criação do Plano Rio Grande, do governo estadual, foi um passo importante para lidar com a tragédia e, nesse contexto, alunos do Master em Gestão Pública ( [MGP](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mba/master-em-gestao-publica) ) do Insper realizaram um trabalho aplicado para verificar a eficácia das iniciativas.   Em suma, o plano propõe uma transição escalonada entre as fases de emergência, reconstrução e transformação resiliente, com base em ciência, governança participativa e uso estratégico de recursos. O Plano Rio Grande vai além do objetivo de recuperar a infraestrutura danificada e foca também em impulsionar o crescimento econômico e preparar o estado para enfrentar eventos climáticos futuros.   O estudo dirigido por Laura Muller Machado, coordenadora dos programas de pós-graduação em gestão pública no Insper, foi apresentado no início de julho no auditório do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), em Porto Alegre. “O trabalho de campo do Master em Gestão Pública é uma etapa importante para os alunos aplicarem os conhecimentos adquiridos no curso em um problema real brasileiro. Neste caso, a aplicação foi na reconstrução do estado do Rio Grande do Sul”, diz a professora Laura.   Um grupo de seis alunos do Insper se reuniu com gestores de diferentes secretarias do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, incluindo a Reconstrução Gaúcha, para compreender a governança e o avanço dos projetos que compõem a carteira do Plano Rio Grande.    A proposta de integração entre ações imediatas e estruturantes, promovendo um ciclo virtuoso de desenvolvimento sustentável e adaptativo, é um dos pontos fortes da estrutura do plano. No entanto, colocar isso em prática é o desafio. Os alunos notaram que embora os projetos que compõem o plano sejam, em sua maioria, bem concebidos e acompanhados pelas áreas setoriais, os dados e informações se encontram dispersos, sem articulação clara entre si.    “Além disso, não há indicadores estratégicos definidos para o plano como um todo, o que limita seu potencial de monitoramento, dificulta a gestão dos aprendizados institucionais e reduz a capacidade de comunicação efetiva com a sociedade”, diz Otilia Carla dos Santos, aluna do Master em Gestão Pública do Insper e advogada especialista em licitações e gestão de contratos.     Os avanços do Plano Rio Grande e propostas de melhorias   Como proposta de aprimoramento, o grupo de trabalho do Insper apresentou ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul a sugestão de adoção de uma Teoria da Mudança como ferramenta para estruturar o Plano Rio Grande de forma lógica e integrada.   A proposta visa conectar insumos, atividades, produtos, resultados e impactos, possibilitando uma gestão mais estratégica e orientada por evidências. Essa abordagem contribui para fortalecer a articulação entre os diversos projetos e setores, subsidiar a definição de indicadores, qualificar o monitoramento e ampliar a transparência na comunicação com a sociedade, promovendo maior engajamento dos atores envolvidos na reconstrução e adaptação do estado.     Sugestões de melhorias para o Plano Rio Grande   O grupo do Insper deixou algumas sugestões para viabilizar a implementação da solução proposta. A primeira consiste em reforçar a equipe técnica e fortalecer a liderança institucional responsável pelo monitoramento do Plano Rio Grande, garantindo coordenação efetiva, continuidade das ações e integração entre os diversos órgãos e setores envolvidos.   Além disso, há um indicativo para a seleção de projetos estratégicos para aplicação da Teoria da Mudança, com base em critérios como eixos temáticos, áreas finalísticas, abrangência territorial ou potencial de impacto, de forma a representar adequadamente as diferentes dimensões do plano.   Promover oficinas participativas por área finalística, reunindo gestores, técnicos e demais atores relevantes para a construção colaborativa das Teorias da Mudança, com definição clara de objetivos, resultados esperados e caminhos causais também é uma das propostas.   Por fim, estabelecer, de forma pactuada com as áreas finalísticas, os indicadores estratégicos e o fluxo de monitoramento, assegurando clareza metodológica, alinhamento institucional e condições operacionais para o acompanhamento sistemático dos resultados.     Ações com lógica de transformação estrutural   Segundo os alunos, a essência do trabalho está em propor uma mudança de paradigma na forma como políticas públicas complexas, como o Plano Rio Grande, são planejadas, monitoradas e avaliadas. O estudo parte do entendimento de que a reconstrução de um território afetado por eventos extremos deve ser orientada não apenas por ações emergenciais, mas por uma lógica de transformação estrutural e sustentável.   A proposta de aplicação da Teoria da Mudança representa mais do que uma ferramenta metodológica: é uma estratégia para gerar clareza sobre os objetivos, fortalecer a articulação entre os atores envolvidos, ampliar a participação social e orientar a tomada de decisões com base em evidências.   Outro ponto central apontado pelo trabalho aplicado é o reconhecimento da importância da capacidade institucional para a gestão por resultados, o que inclui o fortalecimento das lideranças, a definição de indicadores pactuados com as áreas finalísticas e a promoção de uma cultura de monitoramento e aprendizado contínuo.   Por fim, o trabalho destaca que a construção coletiva de modelos lógicos, por meio de oficinas e diálogo intersetorial, é essencial para alinhar expectativas, viabilizar a rastreabilidade das ações e garantir que os investimentos contribuam, de fato, para um futuro mais resiliente, justo e orientado ao interesse público.   Apesar de a reconstrução avançar em ritmo gradual, o trabalho realizado reforça a importância de ações coordenadas, planejadas e orientadas para o futuro. “Concluir este estudo representa mais do que o encerramento de uma etapa acadêmica; é também uma forma de contribuir, mesmo que de maneira modesta, para a construção de um Rio Grande do Sul mais resiliente”, afirma Otilia.   Para José Luciano, aluno do MGP e secretário-executivo na Secretaria de Representação de Sergipe em Brasília, a experiência do trabalho em campo é o ponto alto do curso do Insper. “Viver a prática da gestão pública é um grande desafio, com muitas variáveis que interferem no funcionamento dessa engrenagem complexa”, diz.    Segundo ele, ter contribuído com sugestões de melhorias do Plano Rio Grande ajudou a expandir as habilidades de liderança e negociação. “Nos fez entender ainda mais sobre a importância de olhar para evidências mesmo em situações que exigem respostas mais imediatas do poder público”, afirma.  "}]