[{"jcr:title":"Professor da área de Operações do Insper pesquisa a influência das instituições na incerteza, riscos, e resiliência das cadeias de suprimentos","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-estudos-em-neg-cios","cq:tags_2":"docentes:"},{"richText":"Kenyth Freitas chegou à escola com uma agenda voltada a conectar desafios brasileiros a debates globais em gestão de operações","authorDate":"12/06/2026 12h35","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios","title":"Professor da área de Operações do Insper pesquisa a influência das instituições na incerteza, riscos e resiliência das cadeias de suprimentos","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O professor assistente Kenyth Freitas ingressou no Insper em janeiro de 2026, na área de Operações, com uma agenda de pesquisa construída em torno de um diagnóstico preciso: o Brasil apresenta fenômenos capazes de ampliar os debates consolidados na literatura internacional. “Temos fenômenos muito interessantes no país. A questão de segurança pública, que aparece em algumas das minhas pesquisas, é um dado bem novo, e conseguimos, mesmo dentro de literaturas muito bem estabelecidas, trazer uma nova visão que pesquisadores desses países centrais muitas vezes não conseguem.” Kenyth nasceu em Viçosa, Minas Gerais. Fez graduação em Ciências Econômicas e o mestrado em Administração na Universidade Federal de Minas Gerais. O doutorado foi concluído em 2021 na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas. A tese —  Navigating Together Through Seas of Uncertainties: An Extended Inter-organizational View of Supply Chains  — teve como orientador Ely Paiva e como coorientadora Barbara Flynn, professora da Universidade de Indiana. A decisão de seguir a carreira acadêmica foi se consolidando durante o doutorado. No mestrado, o horizonte ainda era o mercado. Mas, ao começar a trabalhar nos artigos desenvolvidos nesse período, algo mudou. “Eu gostei do jogo — gostei de desenvolver essa pesquisa, de enviar artigos e de melhorar o texto. É quase como um xadrez mental com os revisores”, diz. Após o doutorado, atuou como professor no Ibmec Rio de Janeiro entre 2022 e 2025. Três eixos de pesquisa A agenda de Kenyth se organiza atualmente em torno de três grandes eixos. O primeiro é incerteza, risco e resiliência na cadeia de suprimentos — tema que envolve a forma como as empresas criam estratégias para operar em ambientes extremos e institucionalmente frágeis. Segundo o professor, um dos exemplos mais ilustrativos é o roubo de carga no Brasil. No auge do problema, em 2017, o país registrava entre 20 mil e 25 mil casos por ano. Uma única empresa — a fabricante de cigarros Souza Cruz, hoje parte do grupo British American Tobacco — chegava a contabilizar 4 mil ou 5 mil roubos anuais, um número superior ao total registrado no Reino Unido inteiro. Ainda assim, mantinha um nível de serviço ao consumidor superior a 99%. “Isso é incrível. A empresa aprendeu a lidar com o ambiente. E parte da minha pesquisa é entender como, nesses ambientes extremos, as empresas conseguem lidar com eles e prosperar de alguma forma.” O segundo eixo investiga o impacto das instituições sobre a sustentabilidade. Uma de suas pesquisas analisou como empresas brasileiras listadas em bolsa, submetidas a critérios ESG e a incentivos legais para diversidade, acabam criando sistemas mais simbólicos do que efetivos de inclusão — pressionadas por normas culturais que atuam em sentido oposto. Na orientação de mestrado da Viviane Ferreira, outra pesquisa examinou as rotas aéreas brasileiras: durante a pandemia, o regulador permitiu rotas mais curtas em razão da redução do número de voos; ao tentar reverter a medida após a crise, as companhias aéreas passaram a defender as rotas curtas como uma iniciativa ambiental, já que reduziam as emissões de carbono e economizavam combustível. O argumento foi incorporado pelo regulador. “A sustentabilidade acabou sendo um elo de legitimidade de todo esse sistema. Ela legitimou uma mudança que era muito mais econômica do lado das empresas, mas, como teve um impacto ambiental positivo, foi mais fácil o convencimento.” O terceiro eixo é o de políticas industriais e de capacidades produtivas. Kenyth participa do projeto Demonstradores 2.0 — conduzido em parceria por ITA, FGV e UFABC, no âmbito do programa governamental Mover, sucessor do Inovar-Auto e do Rota 2030. O projeto, que vai até 2027, tem como objeto as ferramentarias brasileiras, empresas que produzem o maquinário utilizado nas linhas de montagem das montadoras. O objetivo é torná-las mais competitivas, ajudando-as a migrar de um modelo de produção verticalizado para outro mais horizontal e especializado. Kenyth também integra o Comitê Técnico de Manufatura Avançada da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva. Seus artigos têm sido publicados em periódicos como o  International Journal of Operations & Production Management , o  International Journal of Production Economics  e o  Supply Chain Management: An International Journal. Atividades no Insper No Insper, Kenyth ministra atualmente duas disciplinas: Estratégia de Operações e da Cadeia de Suprimentos, no  [Mestrado Profissional em Administração](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mestrado/administracao) , e Gestão de Operações Digitais, no  [Programa Avançado em Transformação Digital](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/programas-avancados/programa-avancado-em-transformacao-digital) . Embora ainda esteja no início da experiência, ele diz ter encontrado na instituição um ambiente dinâmico, com colegas comprometidos e abertura a novas propostas. “Em outras escolas, eu teria dificuldade em colocar minhas ideias em prática tão cedo. Aqui eu vejo um ambiente aberto que abraça essas ideias novas em potencial”, afirma. Quanto aos planos, Kenyth é direto: quer tornar-se um pesquisador mais engajado com a comunidade internacional e espera contribuir para que o Brasil ocupe um espaço maior na comunidade de operações e de cadeia de suprimentos. Para ele, o país dispõe de muitos elementos para isso: um agronegócio de escala mundial, a Amazônia como laboratório de sustentabilidade e problemas estruturais que abrem janelas analíticas inexistentes nos países centrais. “A ideia é tentar fazer com que o Brasil se torne uma referência lá fora também. Temos condições de oferecer à literatura mundial uma contribuição original.”"}]