[{"jcr:title":"Pesquisa investiga como mudanças políticas afetam contratos de PPP de longo prazo","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_2":"formato-de-programa:doutorado","cq:tags_3":"tipos-de-conteudo:insper-conhecimento","cq:tags_4":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/pesquisa"},{"richText":"Aluno do Doutorado Profissional em Administração (DPA) do Insper, Bruno Freitas leva a conferências internacionais pesquisas sobre política, competição e governança em PPPs","authorDate":"15/09/2026 12h56","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios","title":"Pesquisa investiga como mudanças políticas afetam contratos de PPP de longo prazo","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Contratos de parceria público-privada podem durar décadas. Governos, muito menos. Durante a vigência de uma PPP, prefeitos e governadores se sucedem, partidos chegam e deixam o poder e prioridades políticas podem mudar. O que acontece com esses contratos quando uma nova administração tem orientação ideológica diferente daquela que estava no poder quando eles foram celebrados? Essa é a questão central de uma das pesquisas desenvolvidas por Bruno Freitas, aluno do  [Doutorado Profissional em Administração (DPA)](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/doutorado/doutorado-profissional-em-administracao)  do Insper. Em agosto, ele levou o trabalho à Conferência Anual do European Group for Public Administration (EGPA), realizada na Sapienza Università di Roma, na Itália. O estudo, intitulado “Politics after Contracting: How Ideological Discontinuity Shapes PPP Renegotiation in Brazilian Municipalities”, investiga se mudanças na orientação ideológica dos governos aumentam a probabilidade de renegociação de contratos de PPP e, sobretudo, se podem influenciar o conteúdo dessas alterações. Desenvolvida sob orientação do professor Sérgio Lazzarini, a pesquisa ainda está em andamento. “É uma pergunta bem simples: o que acontece com um contrato concebido para durar décadas quando o governo responsável por ele muda?”, diz Bruno. “Quero investigar se uma mudança de orientação ideológica aumenta a possibilidade de o contrato ser renegociado e, principalmente, se afeta o conteúdo dessa renegociação.” O interesse pelo tema surgiu da própria experiência profissional do doutorando, que atua como gerente de projetos na Radar PPP, uma consultoria especializada em PPPs e concessões. Antes disso, Bruno acumulou mais de uma década de experiência na administração pública municipal, trajetória que também contribuiu para aproximar problemas observados na prática de questões de pesquisa.  “Vários problemas que encontro profissionalmente poderiam gerar perguntas de pesquisa interessantes. É uma tentativa de aproximar essas duas dimensões, o meu trabalho e a pesquisa acadêmica”, afirma. Da experiência profissional à tese Bruno está concluindo o segundo dos quatro anos previstos para o DPA e pretende estruturar sua tese no formato de três artigos. O estudo apresentado em Roma deverá ser o primeiro. Outro trabalho, levado em abril à 83ª Conferência Anual da Midwest Political Science Association (MPSA), em Chicago, poderá dar origem ao segundo ou ao terceiro artigo. Os dois pertencem a uma mesma agenda de investigação sobre PPPs. O trabalho apresentado em Chicago analisa como características institucionais de projetos de iluminação pública podem afetar a entrada de empresas e a competição nas licitações. Já a pesquisa discutida em Roma olha para o que ocorre depois que uma PPP é assinada e passa a atravessar diferentes governos. “São dois trabalhos diferentes, mas dentro do mesmo guarda-chuva”, resume Bruno. As ideias para ambos surgiram de disciplinas cursadas no doutorado do Insper. O projeto apresentado na EGPA parte de uma característica fundamental das PPPs: são contratos que podem vigorar por períodos muito superiores aos mandatos de governantes. Uma PPP pode chegar a 35 anos, atravessando sucessivas administrações. Bruno está agora ampliando a base da pesquisa. Um primeiro piloto, com poucos contratos, ajudou a testar a viabilidade da pesquisa e serviu de base para as discussões em Roma. A base de referência reúne cerca de 800 contratos de diferentes setores e níveis de governo. Para este estudo, serão selecionados os contratos subnacionais que atendam aos critérios necessários ao desenho empírico, de setores diversos, de rodovias e saneamento a escolas, hospitais e florestas. Renegociar não significa necessariamente um problema Na EGPA, Bruno apresentou o estudo em dois grupos, um mais próximo de políticas públicas e outro dedicado ao desempenho do setor público. O primeiro enfatizou implementação de políticas e mudanças de governo; o segundo, desempenho dos contratos, governança e consequências para a prestação dos serviços. “A mesma pergunta de pesquisa conversa com literaturas diferentes”, diz Bruno. “Isso me permitiu enxergar pontos que eu poderia desenvolver melhor em cada uma delas.” Um dos comentários recebidos em Roma levou o doutorando a aprofundar uma distinção importante. Contratos concebidos para durar décadas são inevitavelmente incompletos: não é possível prever, na assinatura, tudo o que poderá ocorrer ao longo dos anos. Por isso, alterações podem ser legítimas e até necessárias. “A renegociação, por si só, não é um problema. Ela pode ser necessária, porque estamos falando de contratos muito longos e incompletos”, afirma Bruno. “O problema é tentar direcionar alguns contratos por vias ideológicas. Vai ser importante fazer essa distinção no trabalho.” As discussões também levantaram questões sobre possíveis diferenças entre PPPs de escolas, rodovias ou saneamento e sobre os efeitos das renegociações para usuários e prestadores dos serviços. “Foi muito útil apresentar um trabalho que ainda estava em construção, porque recebi perguntas sobre as quais estou refletindo agora e que posso incorporar à pesquisa”, afirma. Contratos mais preparados para atravessar governos Bruno espera que o estudo ajude a compreender melhor como mudanças de governo podem afetar contratos de longo prazo e a identificar quais de seus componentes ficam mais sujeitos a pressões por revisão, como cláusulas de desempenho e tarifas. “Se conseguirmos entender melhor onde e em que circunstâncias essas mudanças aparecem, esse conhecimento pode contribuir, no futuro, para o desenho de contratos mais preparados para atravessar diferentes administrações”, diz. A viagem à Itália ainda proporcionou uma experiência fora do ambiente acadêmico. Após o encerramento da EGPA, cerca de 300 participantes participaram de uma audiência privada com o Papa Leão XIV no Vaticano, organizada para integrantes da conferência. Segundo Bruno, o encontro dialogou com os temas discutidos nos dias anteriores. O Papa falou sobre a importância da administração e das políticas públicas para a busca do bem comum e a melhoria das condições de vida da população. “Foi uma experiência extraordinária”, afirma Bruno. “Poder participar de um encontro com o Papa já seria incrível, mas foi ainda mais marcante porque a mensagem estava justamente ligada às questões que havíamos discutido na conferência.”"}]