[{"jcr:title":"Novo professor do Insper pesquisa como as pessoas se relacionam com o trabalho","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios","cq:tags_1":"docentes:","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/diversidade"},{"richText":"Jared Scruggs construiu sua trajetória entre os Estados Unidos e o Brasil e também se dedica a estudos sobre diversidade e inclusão nas organizações","authorDate":"22/09/2026 11h56","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios","title":"Novo professor do Insper pesquisa como as pessoas se relacionam com o trabalho","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"A relação de Jared Scruggs com o Brasil começou muito antes de sua chegada ao Insper. Nascido na Carolina do Norte, no sudeste dos Estados Unidos, ele conheceu o país ainda durante a graduação, em 2013, quando passou uma temporada no Rio de Janeiro. Mais de uma década depois, retorna para iniciar uma nova etapa da carreira acadêmica como Professor Assistente do Insper. O caminho entre esses dois momentos passou por experiências no mercado corporativo, um doutorado na Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, e um pós-doutorado na Goizueta Business School, da Emory University, em Atlanta. Ao longo desse percurso, Jared consolidou uma agenda de pesquisa concentrada sobretudo em duas frentes: o que leva trabalhadores a contestar o lugar que o trabalho ocupa em suas vidas, e questões ligadas à diversidade e à inclusão. Na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Jared graduou-se em Psicologia e Neurociência e também se especializou em português — língua que fala fluentemente. Seu interesse inicial estava particularmente voltado à psicologia social, área dedicada a compreender como as pessoas pensam, sentem e se comportam em relação umas às outras. A aproximação com o estudo das organizações viria depois, a partir da própria experiência profissional. Após a graduação, ele trabalhou por cerca de dois anos em uma empresa especializada em folha de pagamento internacional. O cotidiano corporativo fez surgir perguntas que acabariam direcionando sua carreira. “Presenciei várias situações no trabalho que me fizeram pensar que seria interessante utilizar a psicologia para entender melhor, principalmente, as frustrações que esses trabalhadores enfrentavam”, diz Jared. Foi essa curiosidade que o levou ao doutorado em Management na Wharton School. “Percebi que só na carreira acadêmica poderia investigar certas questões de forma realmente profunda: por que as pessoas se relacionam dessa maneira e, especialmente, por que desenvolvem determinadas relações com o trabalho.” Quando a relação azeda e o trabalho deixa de fazer sentido Em sua tese de doutorado, Jared investigou justamente essa dimensão mais profunda e, por vezes, existencial da relação com o trabalho — pesquisa que ganhou o William H. Newman Award de melhor tese da Academy of Management. Seu interesse está em compreender o que acontece quando determinadas injustiças levam uma pessoa não apenas a rejeitar determinada função ou empresa, mas a questionar o próprio lugar que o trabalho, de forma geral, ocupa em sua vida. Essa rejeição pode produzir consequências aparentemente contraditórias. De um lado, segundo o pesquisador, pode estar associada à exaustão e ao burnout. De outro, pode estimular trabalhadores a reivindicar melhores condições, como remuneração digna, direito ao descanso e maior participação nas decisões que os afetam. “Quando as pessoas começam a questionar o trabalho, elas também podem se tornar mais ativas na busca por seus direitos. Se a empresa responde a essas demandas, isso pode contribuir para a construção de um ambiente mais sustentável no longo prazo”, afirma. Jared acredita que esse tipo de questionamento ganhou força nos últimos anos, especialmente a partir da pandemia de covid-19. Como exemplo, cita o crescimento do fórum r/antiwork, na plataforma Reddit, utilizado como uma das fontes de dados de sua tese. Segundo ele, o grupo tinha cerca de 13 mil participantes antes de 2019 e hoje reúne quase 3 milhões. Mais importante que o crescimento de um movimento específico, porém, é o fenômeno social que ele ajuda a revelar. Para investigar este fenômeno, a pesquisa combinou análise computacional de centenas de milhares de publicações do fórum ao longo de mais de uma década com pesquisas de painel que acompanharam trabalhadores por dois anos. “A pandemia levou muitas pessoas a perguntar: o que tudo isso significa para mim? Para onde minha carreira está indo? E, mais do que isso, para onde minha vida está indo?”, diz. Para Jared, a convivência mais intensa entre trabalho, casa e vida pessoal estimulou reflexões sobre quanto tempo as pessoas desejam dedicar à carreira e o que consideram uma vida satisfatória. Sua segunda frente de pesquisa envolve diversidade e inclusão nas organizações. O tema, observa, vive um momento particularmente importante, diante de mudanças políticas e institucionais que têm levado empresas e governos de alguns países a rever iniciativas adotadas nos últimos anos. “Esses movimentos maiores afetam a psicologia das pessoas, a relação que elas têm com o trabalho e também questões de identidade. Por isso, como pesquisadores, precisamos continuar conectados a essas transformações”, afirma. Uma relação antiga com o Brasil O interesse de Jared pela língua portuguesa começou ainda antes da universidade. Depois de estudar espanhol no ensino médio e perceber que tinha facilidade para aprender idiomas, ele entrou em contato com o português e decidiu se aprofundar na língua, que acabou se tornando sua segunda área de concentração na graduação. Esse percurso abriu a possibilidade de uma primeira experiência brasileira: em 2013, depois de receber um prêmio acadêmico ligado ao estudo de português, ele utilizou os recursos para realizar um estágio no Rio de Janeiro. No Brasil, trabalhou em uma iniciativa que promovia atividades com crianças e adolescentes de organizações sociais em temas como diversidade e inclusão, responsabilidade social, direitos humanos e empreendedorismo. Foi uma experiência breve, mas que ajudou a despertar interesses que mais tarde apareceriam também em sua pesquisa. “Desde então, mantenho uma relação contínua com o Brasil”, diz Jared. Ao longo dos anos, ele voltou ao país diversas vezes e aprofundou o domínio do português. Também encontrou afinidades culturais inesperadas entre o Brasil e a região onde cresceu nos Estados Unidos. “Apesar das diferenças, me identifiquei muito com o calor das pessoas. Isso me lembrava minha criação no sudeste dos Estados Unidos, onde as pessoas também tendem a ser abertas e calorosas.” Contratado pelo Insper em agosto como professor de dedicação exclusiva, Jared está dedicando os primeiros meses na escola principalmente ao avanço de seus projetos de pesquisa. Também começa a se aproximar de alunos interessados em desenvolver pesquisas sob sua orientação. Na docência, a previsão é que passe a ministrar disciplinas a partir de 2027, tanto na graduação quanto na pós-graduação. Entre os cursos planejados está uma disciplina sobre cultura nas organizações, voltada a compreender como valores, normas e características culturais influenciam o comportamento das pessoas dentro das empresas. Outra frente em discussão envolve estratégia comportamental e temas relacionados ao comportamento humano nas organizações.  Para Jared, a chegada ao Insper permite reunir dimensões de uma trajetória construída ao longo de mais de uma década. “O Insper me ofereceu o que eu buscava: uma trilha de pesquisa séria, apoiada pela instituição e com a exigência de publicação internacional, em um país onde surgem perguntas urgentes sobre trabalho, dignidade e voz dos trabalhadores”, afirma. “É um lugar onde essas pesquisas se tornam especialmente interessantes e onde vejo uma nova área de investigação que pode florescer com o tempo.”"}]