[{"jcr:title":"Desafios e oportunidades para o Brasil nas soluções baseadas na natureza","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:ceneg-opina","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-estudos-em-neg-cios","cq:tags_2":"centro-de-conhecimento:centro-de-finan-as-e-macroeconomia","cq:tags_3":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade"},{"richText":"Como o país pode liderar a agenda climática global aliando conservação ambiental, inclusão social e desenvolvimento econômico sustentável","authorDate":"30/05/2025 16h00","author":"Andrea M. A. F. Minardi*","madeBy":"Por","tag":"tipos-de-conteudo:ceneg-opina","title":"Desafios e oportunidades para o Brasil nas soluções baseadas na natureza","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O risco das mudanças climáticas é um dos maiores desafios da humanidade. Para limitar o aumento da temperatura a 2 °C, o Acordo de Paris definiu metas de neutralidade de carbono até 2050, combinando redução de emissões e compensações. Segundo estimativas da  [Iniciativa Brasileira para o Mercado Voluntário de Carbono](https://brvcm.org/) , projeto coordenado pela McKinsey, cerca de 35% da mitigação necessária pode vir de soluções baseadas na natureza, conhecidas como NBS (da sigla em inglês  nature-based solutions ), que incluem conservação de florestas, reflorestamento, agricultura de baixo carbono e restauração de áreas úmidas. Além de serem mais baratas para remover ou evitar emissões, essas soluções também oferecem benefícios adicionais como proteção da biodiversidade e segurança hídrica.   O Brasil está particularmente bem posicionado. Segundo a Embrapa, mais de 66% do território nacional ainda está preservado, enquanto apenas cerca de 30% tem sido utilizado para agropecuária. O país abriga a maior extensão de florestas tropicais do mundo, possui enorme diversidade biológica e é rico em recursos hídricos. O estudo da McKinsey avalia que o Brasil poderia capturar até 15% do mercado global de NBS, o que representaria US$ 7,5 bilhões em receitas num mercado projetado em US$ 50 bilhões. O potencial de geração de créditos de carbono no país varia entre 1,2 e 1,9 GtCO₂e por ano, 80% advindos da restauração de florestas e pastagens. Com preços entre US$ 25 e US$ 35 por tonelada, o valor anual gerado pode atingir US$ 26 bilhões, com impacto direto na geração de até 880 mil empregos, a maioria em comunidades locais.   Entre as principais NBS estão os projetos florestais do tipo Redd+, voltados à conservação de florestas nativas e à prevenção de emissões associadas ao desmatamento. Bons projetos alinham conservação ambiental com inclusão social, gerando oportunidades econômicas locais e sendo implementados com base em critérios como adicionalidade, permanência e monitoramento por satélite, drones e visitas de campo. Empresas como Biofílica Ambipar, Pachama e Carbonext têm se destacado nesse segmento, usando tecnologia, engajamento comunitário e mecanismos robustos de verificação.   Na mesma linha, projetos de restauração de áreas degradadas, sobretudo pastagens na Amazônia e Mata Atlântica, também ganham relevância. Eles promovem o sequestro de carbono, a recuperação ecológica e a inclusão socioeconômica. As atividades incluem diagnóstico da área, plantio de espécies nativas, manutenção, monitoramento e avaliação final. Empresas como Mombak e Re.green têm liderado esses esforços, atuando em propriedades privadas adquiridas ou sob parceria. Os custos por hectare, sem incluir a aquisição de terra, variam entre R$ 15 mil e R$ 35 mil, com duração típica de 5 a 7 anos.   A agricultura de baixo carbono é outra frente estratégica. Técnicas como sistemas integrados (ILPF), plantio direto, fixação biológica de nitrogênio (FBN) e recuperação de pastagens degradadas ajudam a reduzir emissões e aumentar a produtividade. O tratamento de dejetos animais, por exemplo, reduz metano e possibilita a produção de biogás. Já os sistemas agroflorestais (SAFs) conciliam produção e conservação, oferecendo alternativa viável para pequenos e médios produtores.   Porém, para que estas iniciativas ganhem tração, o financiamento é um dos maiores desafios. Projetos de restauração e reflorestamento têm altos custos iniciais e retornos de longo prazo. Por isso, modelos como  blended finance , que combinam capital concessional (DFIs, fundações, bancos de desenvolvimento) com capital privado, têm sido usados para viabilizar projetos, além de créditos de carbono.   Embora muitas das NBS tenham sido impulsionadas por iniciativas privadas, sua escalabilidade depende da criação de um ambiente regulatório claro, transparente e estável. A atuação de empresas como Mombak, Re.green e Biofílica revela o dinamismo do setor privado, mas também evidencia seus limites. Os projetos, embora promissores,  [enfrentam dificuldades operacionais e jurídicas](https://globalesg.com.br/noticia/746/re-green-enfrenta-negativa-em-projeto-de-carbono#:~:text=A%20recusa%20do%20projeto%20baseou%2Dse%20em%20v%C3%A1rias,cen%C3%A1rios%20de%20linha%20de%20base%20e%20adicionalidade.&text=GREEN%20baseou%2Dse%20em%20v%C3%A1rias%20falhas%20cr%C3%ADticas%2C%20incluindo,imprecisa%20da%20data%20de%20in%C3%ADcio%20do%20projeto.) , como incertezas sobre a titularidade de terras, insegurança quanto à validação de créditos e a ausência de políticas públicas de fomento que ampliem a escala. Tais desafios não inviabilizam os projetos, mas limitam sua velocidade de implementação, alcance territorial e capacidade de gerar benefícios sociais ainda mais amplos.   É nesse contexto que ganham força as parcerias público-privadas. Governos podem contribuir com mapeamentos territoriais, infraestrutura, incentivos fiscais e instrumentos financeiros, enquanto o setor privado traz tecnologia, agilidade e capacidade de atrair investimentos. Experiências recentes mostram que esse modelo pode acelerar a restauração ambiental com impacto social. Um exemplo disso é o programa do BNDES em parceria com a Petrobras, que destina R$ 450 milhões para recuperar 15 mil hectares com o plantio de 25 milhões de árvores. O projeto combina recursos públicos e privados e está estruturado com base na compra antecipada dos créditos de carbono que serão gerados, o que dá previsibilidade aos investidores e amplia o alcance do projeto. Além disso, casos como o da Mombak, que captou US$ 30 milhões em rodada Série A, e da Re.green, que vendeu antecipadamente 6,5 milhões de créditos à Microsoft, mostram que há apetite de investidores para projetos de boa qualidade.   Com políticas públicas robustas, escala territorial e conhecimento técnico, o Brasil tem uma oportunidade estratégica de liderar a agenda climática global por meio das NBS — conciliando conservação ambiental, desenvolvimento rural e geração de receitas sustentáveis.  "},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"fileName":"Andrea Minardi_1000x1000.jpg","alt":"Lucas Borges"},{"text":"  *Andrea Minardi é   Senior Research Fellow no Insper e doutora em Administração pela FGV-SP."}]