[{"jcr:title":"Quando a tecnologia encontra a mesa do brasileiro","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:engenharia","cq:tags_1":"tipos-de-conteudo:pesquisa-na-graduação","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:marketing-e-vendas"},{"richText":"Estudante do Insper usa inteligência artificial para investigar por que comunidades de baixa renda enfrentam barreiras no acesso a alimentos saudáveis","authorDate":"25/02/2026 11h24","madeBy":"Por","tag":"tipos-de-conteudo:pesquisa-na-graduação","title":"Quando a tecnologia encontra a mesa do brasileiro","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"A aluna Camila Junqueira de Almeida Ferreira Lopes, da graduação em  [Engenharia Mecatrônica](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/graduacao/engenharia/engenharia-mecatronica)  do Insper, decidiu expandir os limites tradicionais de sua área de formação ao investigar um tema central para a saúde pública brasileira: o acesso desigual a alimentos frescos e saudáveis. O  [estudo](https://repositorio-api.insper.edu.br/server/api/core/bitstreams/6d27803c-1f12-4989-9970-d977aeb47785/content) , intitulado “Fatores inibidores do acesso de alimentos frescos por comunidades”, foi desenvolvido no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica ( [PIBIC](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/pesquisa-na-graduacao/pibic) ), com orientação da professora Maura Ferreira e coorientação dos professores André Duarte e Giuliana Isabella. Camila iniciou a pesquisa quando estava no quinto semestre da graduação, finalizou no sétimo e agora está ingressando no oitavo semestre. Trata-se de uma pesquisa interdisciplinar, que cruza os campos de Comportamento do Consumidor e Operações para compreender como hábitos alimentares, logística de acesso e barreiras socioeconômicas se entrelaçam no cotidiano de comunidades de baixa renda. O estudo partiu de um cenário preocupante. Dados recentes mostram o crescimento do consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil, especialmente nos grandes centros urbanos. Esse movimento se intensificou após a pandemia, quando os salários ficaram estagnados e os preços dos alimentos in natura subiram, enquanto produtos industrializados se tornaram mais baratos. “Muitas pessoas acabaram substituindo refeições completas por alimentos que não são tão bons”, explica Camila. Diante disso, o trabalho buscou entender como essas transformações afetam consumidores de baixa renda e quais barreiras dificultam uma alimentação mais saudável. Para responder a essas questões, o estudo analisou entrevistas e diários alimentares de moradores de três comunidades da Grande São Paulo — Anchieta (Grajaú), Paraisópolis e União Vila Nova. A análise dos dados contou com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, usadas para organizar e interpretar grandes volumes de informações qualitativas. O que revelam os dados Um dos principais achados da pesquisa foi a desconstrução de um estereótipo comum na literatura sobre comportamento do consumidor. “Existe muito esforço das pessoas para manter uma boa alimentação, apesar das dificuldades. Não é por falta de vontade”, afirma Camila. Segundo ela, embora o consumo de alimentos processados esteja presente, ele não decorre apenas de preferência, mas de obstáculos concretos. Essas barreiras vão além do preço. A distância até mercados com boa oferta, a baixa qualidade e variedade dos produtos disponíveis nas proximidades, além da incompatibilidade de horários e meios de pagamento, são fatores que limitam o acesso a alimentos frescos. Ainda assim, os moradores desenvolvem estratégias para driblar essas dificuldades, como comprar no fim da feira, trocar marcas, buscar promoções ou recorrer a doações comunitárias. A professora Maura Ferreira, orientadora do projeto, destaca que uma das principais contribuições do trabalho foi a compreensão aprofundada dos hábitos de consumo de pessoas de baixa renda, bem como das múltiplas barreiras — financeiras, logísticas e de tempo — que dificultam a adesão a uma dieta mais saudável. Para ela, o estudo marca um ponto de partida relevante para pesquisas futuras: “O trabalho desenvolvido pela Camila é o primeiro estágio de uma pesquisa que visa compreender barreiras de acesso a alimentos mais saudáveis pela população mais carente e como atuar para minimizar tais barreiras”, afirma. Apesar de não atuar diretamente nas áreas de nutrição ou ciências sociais, Camila conseguiu integrar sua formação em engenharia ao projeto. “Não usei cálculo ou física, mas apliquei conceitos de engenharia de dados, estruturação de processos e análise computacional”, explica. O uso de APIs e modelos de inteligência artificial para classificar e interpretar trechos dos relatos foi um dos diferenciais do trabalho — e também uma oportunidade de aprendizado fora do currículo tradicional da Mecatrônica. Em paralelo à iniciação científica, Camila também se destacou em outro projeto de inovação. Em 2025, foi vencedora de uma das categorias do  [Prêmio Women in Action](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/gestao-e-negocios/premio-women-in-action-reconhece-mulheres-que-promovem-inovacao-e-impacto-social) , com o projeto Hubot, um robô interativo desenvolvido para o Hub de Inovação e Empreendedorismo Paulo Cunha do Insper. Segundo ela, além de automatizar processos, o projeto pode ajudar a atrair mais visitantes para a escola e, consequentemente, chamar mais atenção de empresas e dar maior visibilidade à inovação. Para Camila, a iniciação científica teve impacto direto em sua formação profissional. “Você aprende a construir uma metodologia, a lidar com dados complexos e a interpretar nuances que não são óbvias”, diz. Hoje estagiária na área tech da consultoria Falconi, ela vê conexões claras entre a pesquisa acadêmica e o mercado. “Trabalhamos com análise de dados e buscamos gerar impacto social. A pesquisa me deu uma base sólida para isso.” A experiência também reforçou uma lição importante: não existem soluções únicas para problemas sociais complexos. “Cada comunidade tem particularidades muito grandes. Para pensar em políticas públicas ou propostas sociais, é fundamental entender essas diferenças e encontrar pontos em comum sem generalizar”, destaca. Aos 21 anos, Camila acredita que a iniciação científica vai ser decisiva para ajudá-la a construir um caminho próprio. “É uma oportunidade de responder perguntas que você mesmo se faz e de criar algo que outras pessoas reconheçam como valioso”, afirma. Para quem ainda está em dúvida se deve participar do PIBIC, ela é direta: “Com certeza vale a pena. É uma chance de sair do roteiro-padrão da faculdade e entender quem você quer ser como profissional”.  "}]