[{"jcr:title":"Câmara temática do CGI.br amplia debate sobre soberania digital","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:tecnologia","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:engenharia","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:ciência-da-computação","cq:tags_3":"docentes:"},{"richText":"Coordenado pelo professor Rodolfo Avelino, grupo reúne representantes de quatro setores para discutir inteligência artificial, infraestrutura e autonomia tecnológica","authorDate":"23/07/2026 10h22","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:tecnologia","title":"Câmara temática do CGI.br amplia debate sobre soberania digital","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O avanço da inteligência artificial, a expansão dos data centers e a concentração da infraestrutura digital em poucas empresas globais colocaram a soberania tecnológica no centro do debate público. Para aprofundar essa discussão sob diferentes perspectivas, o Comitê Gestor da Internet no Brasil ( [CGI.br](https://cgi.br/) ) instalou, em fevereiro, a Câmara de Tecnologias Emergentes, Soberania e Inovação, coordenada por  [Rodolfo Avelino](https://www.insper.edu.br/pt/docentes/rodolfo-da-silva-avelino) , professor dos cursos de Engenharia e Ciência da Computação do Insper e conselheiro do comitê. A Câmara reúne 16 integrantes externos ao CGI.br, distribuídos de forma equilibrada entre os quatro segmentos que compõem o modelo multissetorial de governança da internet no país: governo, setor empresarial, comunidade científica e tecnológica e organizações da sociedade civil. Cada grupo conta com quatro representantes. A proposta é ampliar o repertório das discussões realizadas pelo plenário do CGI.br, formado por 21 conselheiros. “As câmaras têm o objetivo de trazer outros olhares e perspectivas, para que os debates não fiquem restritos apenas aos 21 conselheiros”, afirma Avelino. Além do grupo dedicado às tecnologias emergentes, soberania e inovação, o CGI.br mantém outras três câmaras consultivas. Elas tratam de conectividade e inclusão digital; conteúdos e bens culturais, incluindo temas como produção cultural, jornalismo e propriedade intelectual; e segurança da internet e cibersegurança. A nova Câmara é resultado da reformulação de uma iniciativa anterior, voltada principalmente à inovação e à capacidade técnica, mas que não chegou a entrar em funcionamento. Após assumir seu mandato como conselheiro, em 2023, Avelino apresentou uma proposta de revisão do nome, do escopo e dos objetivos do grupo e se colocou à disposição para coordená-lo. O novo desenho foi aprovado no fim de 2025, e as primeiras reuniões ocorreram neste ano. Em busca de uma definição brasileira Uma das primeiras tarefas estabelecidas pelos integrantes é compreender o que significa soberania digital no contexto brasileiro. O conceito, segundo Avelino, pode assumir sentidos distintos conforme o setor envolvido. Para representantes governamentais, por exemplo, pode estar mais associado às relações jurídicas entre o Estado e as empresas fornecedoras de serviços digitais. Na perspectiva de organizações sociais e da academia, tende a envolver a capacidade do país de dominar tecnologias, infraestruturas e dados considerados estratégicos. O setor empresarial, por sua vez, acrescenta questões relacionadas à competitividade e à inserção internacional. “O grupo decidiu que precisava entender o que é soberania digital no Brasil, porque cada setor tem uma perspectiva diferente”, diz Avelino. O objetivo é verificar se será possível construir uma compreensão compartilhada entre os quatro segmentos ou se o país deverá trabalhar com diferentes dimensões de soberania aplicadas ao ambiente digital. Um workshop previsto para setembro deverá reunir especialistas de fora da Câmara para apresentar diferentes interpretações e experiências sobre o tema. A expectativa é que as discussões resultem, até o fim do ano, em uma publicação técnica que organize as principais perspectivas e ofereça subsídios às decisões do plenário do CGI.br. Criado em 1995, o comitê é responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e ao desenvolvimento da internet no Brasil. Seu modelo multissetorial procura evitar que as decisões fiquem concentradas exclusivamente no governo ou em empresas privadas, incorporando representantes da academia e da sociedade civil. Infraestrutura, dados e inteligência artificial Entre os assuntos já discutidos pela Câmara estão a infraestrutura de computação em nuvem, a expansão dos data centers e seus impactos energéticos e ambientais. O Brasil tem atraído projetos dessa natureza, especialmente diante do crescimento da demanda de processamento associada à inteligência artificial. Para o grupo, porém, esse movimento precisa ser analisado não apenas sob a ótica dos investimentos, mas também da segurança, da sustentabilidade e da autonomia nacional. Avelino chama a atenção para a concentração da infraestrutura mundial da internet e dos modelos de inteligência artificial em um número reduzido de grandes companhias estrangeiras. Essa dependência alcança empresas, universidades e órgãos públicos, que utilizam as mesmas plataformas para armazenar informações, desenvolver pesquisas e oferecer serviços. “Estamos caminhando para uma concentração muito grande em poucos players mundiais”, afirma. Além de controlarem parte importante da infraestrutura de armazenamento e tráfego de dados, algumas dessas empresas também ocupam posições dominantes no desenvolvimento e na oferta de sistemas de inteligência artificial. Na avaliação do professor, o país precisa discutir sua capacidade de manter infraestrutura própria e determinar onde serão processadas informações sensíveis. “A gente vem discutindo a soberania nessa perspectiva de ter autonomia da infraestrutura e, sobretudo, dos dados.” A questão é especialmente relevante em áreas como saúde, educação e segurança pública, que lidam com informações estratégicas sobre a população e o funcionamento do Estado. A busca por soberania digital não significa, necessariamente, deixar de contratar fornecedores internacionais, mas reduzir dependências excessivas, fortalecer competências nacionais e ampliar as possibilidades de escolha do poder público, das empresas e das instituições de pesquisa. Conexões com o Insper A atuação de Avelino no CGI.br também se conecta às suas atividades acadêmicas no Insper. Discussões sobre governança da internet, regulação, cibersegurança, infraestrutura e tecnologias emergentes são levadas para a sala de aula, permitindo que os alunos compreendam não apenas o funcionamento das tecnologias, mas também os interesses e as decisões que orientam sua evolução. O trabalho no comitê amplia ainda o contato com governos, universidades, empresas e organizações da sociedade civil, abrindo possibilidades para pesquisas, debates e parcerias institucionais. Segundo Avelino, essas articulações permitem aproximar os estudantes de discussões que estão sendo realizadas no Brasil e em fóruns internacionais sobre os rumos da internet. Uma das iniciativas beneficiadas por essa aproximação é o Digital Policy Leadership Program ( [DPLP](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/gestao-e-negocios/encontro-celebra-a-parceria-entre-o-insper-e-a-universidade-de-st-gallen) ), mantido pelo Insper em parceria com a Universidade de St. Gallen, na Suíça, com apoio da Fundação Lemann. O programa reúne estudantes das duas instituições em atividades de pesquisa, mentoria, networking e intercâmbio voltadas às políticas digitais e à formação de lideranças. Por meio da articulação de Avelino com o CGI.br, participantes da iniciativa já visitaram o comitê e conheceram o modelo multissetorial brasileiro, a infraestrutura que sustenta o domínio “.br” e projetos nacionais relacionados à governança e à segurança da internet. Avelino adiantou também que uma nova parceria internacional deverá ser anunciada em breve. Ele mantém conversas com o governo de Moçambique para desenvolver uma iniciativa que poderá envolver atividades de pesquisa e a participação de alunos. As negociações surgiram igualmente a partir de contatos e articulações realizados pelo professor no âmbito do CGI.br. Discussões técnicas em Viena Nesta semana, Avelino se encontra em Viena, na Áustria, participando, como representante ligado ao CGI.br, de uma reunião da Internet Engineering Task Force ( [IETF](https://www.ietf.org/meeting/126/) ). O evento não está relacionado diretamente à instalação da Câmara, mas integra sua atuação nas discussões técnicas e internacionais sobre a evolução da internet. Fundada em 1986, a IETF é uma das principais organizações responsáveis pelo desenvolvimento de padrões técnicos para a internet. Embora não controle nem fiscalize a rede, produz documentos que influenciam a maneira como ela é projetada, utilizada e administrada. Entre esses materiais estão padrões de protocolos, recomendações de boas práticas e documentos informativos sobre o funcionamento da infraestrutura digital.  "}]