[{"jcr:title":"O seu negócio gera valor econômico?","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:ceneg-opina","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:economia/finanças-corporativas","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios","cq:tags_3":"centro-de-conhecimento:centro-de-estudos-em-neg-cios"},{"richText":"Calcular corretamente o custo de capital, principalmente o custo do capital próprio, é essencial para responder a essa pergunta","authorDate":"29/08/2025 15h26","author":"Eduardo Pozzi*","madeBy":"Por","tag":"tipos-de-conteudo:ceneg-opina","title":"O seu negócio gera valor econômico?","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Em  [finanças corporativas](https://www.mckinsey.com/capabilities/strategy-and-corporate-finance/our-insights/creating-value-an-interactive-tutorial) , há uma lógica simples: a empresa só cria valor quando o retorno sobre o capital investido (ou ROIC) supera o custo médio ponderado desse capital (WACC), que representa a taxa de retorno ajustada ao risco exigida por quem forneceu os recursos à empresa, geralmente proprietários e credores. Esse conceito, que Alfred Marshall já discutia há mais de um século, ganhou força nos anos 1980 com o termo EVA (Economic Value Added [[1]](applewebdata://D5C11F8A-0D4A-494E-825F-A8D5DB1B0CFD#_ftn1) ). Na prática, o ROIC (do inglês Return on Invested Capital) mostra o quanto de lucro a empresa gera, em média, para cada real que recebeu de proprietários e credores. Trata-se de um cálculo simples, feito a partir das demonstrações financeiras. Por outro lado, o WACC (do inglês Weighted Average Cost of Capital) exige mais cuidado pois depende de escolhas metodológicas, como a proporção entre dívida e capital próprio e a forma de medir o custo da dívida e o custo do capital próprio. Ao longo da última década, fechar essa equação de criação de valor tem sido um desafio recorrente para as empresas listadas na  [Bolsa do Brasil](https://www.b3.com.br/pt_br/institucional)  (B3). Um levantamento da Fipe, publicado no Valor Econômico em 2023, revelou que, em média, o WACC superou o ROIC de forma consistente nesse período. Isso significa que muitas companhias operaram por anos destruindo valor econômico em vez de criá-lo. [ [1] ](applewebdata://D5C11F8A-0D4A-494E-825F-A8D5DB1B0CFD#_ftnref1)   Marca registrada da Stern Stewart, é definida da seguinte forma: EVA = (ROIC – WACC) x Capital Investido"},{"fileName":"Quadro ROIC e WACC_custo de capital.png"},{"text":"p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin-top: 0.0cm; margin-right: 0.0cm; margin-bottom: 8.0pt; margin-left: 0.0cm; line-height: 115.0%; font-size: 12.0pt; font-family: Aptos , sans-serif; } a:link, span.MsoHyperlink { color: rgb(70,120,134); text-decoration: underline; } a:visited, span.MsoHyperlinkFollowed { color: rgb(150,96,125); text-decoration: underline; } p.MsoListParagraph, li.MsoListParagraph, div.MsoListParagraph { margin-top: 0.0cm; margin-right: 0.0cm; margin-bottom: 8.0pt; margin-left: 36.0pt; line-height: 115.0%; font-size: 12.0pt; font-family: Aptos , sans-serif; } p.MsoListParagraphCxSpFirst, li.MsoListParagraphCxSpFirst, div.MsoListParagraphCxSpFirst { margin-top: 0.0cm; margin-right: 0.0cm; margin-bottom: 0.0cm; margin-left: 36.0pt; line-height: 115.0%; font-size: 12.0pt; font-family: Aptos , sans-serif; } p.MsoListParagraphCxSpMiddle, li.MsoListParagraphCxSpMiddle, div.MsoListParagraphCxSpMiddle { margin-top: 0.0cm; margin-right: 0.0cm; margin-bottom: 0.0cm; margin-left: 36.0pt; line-height: 115.0%; font-size: 12.0pt; font-family: Aptos , sans-serif; } p.MsoListParagraphCxSpLast, li.MsoListParagraphCxSpLast, div.MsoListParagraphCxSpLast { margin-top: 0.0cm; margin-right: 0.0cm; margin-bottom: 8.0pt; margin-left: 36.0pt; line-height: 115.0%; font-size: 12.0pt; font-family: Aptos , sans-serif; } *.MsoChpDefault { font-family: Aptos , sans-serif; } *.MsoPapDefault { margin-bottom: 8.0pt; line-height: 115.0%; } div.WordSection1 { page: WordSection1; } * { } * { } * { } * { } * { } * { } * { } * { } * { } * { } Essa dificuldade não é por acaso. O custo de capital no Brasil tem sido historicamente elevado devido a uma combinação perversa de fatores: juros básicos persistentemente altos, risco-país elevado, insegurança jurídica, complexidade regulatória e um histórico de instabilidade macroeconômica. Discutir cada um desses pontos não é o objetivo desta coluna; o foco aqui é ressaltar a importância de estimar adequadamente o WACC.   Você sabe o seu custo de capital? Embora o estudo da Fipe tenha mostrado dados históricos, na prática o WACC serve para orientar decisões futuras, sendo fator central na análise de novos investimentos. Funciona como taxa de desconto em métodos como Valor Presente Líquido (VPA) e EVA. Ou seja, é uma régua usada para saber se um projeto realmente cria valor para a empresa hoje. Em 2012, Michael Jacobs e Anil Shivdasani lançaram uma pergunta (provocativa) em artigo publicado na Harvard Business Review:  [Você sabe o seu custo de capital? Provavelmente não, se a sua empresa for como a maioria](https://hbr.org/2012/07/do-you-know-your-cost-of-capital) . O artigo reportou os achados de uma pesquisa da  [Association for Financial Professionals](https://www.financialprofessionals.org/)  (AFP) que entrevistou mais de 300 executivos de finanças. As evidências mostraram que muitos executivos financeiros calculavam de forma incorreta seu custo de capital (WACC) devido a premissas inconsistentes. Na pesquisa da AFP, houve consenso apenas em um ponto: o uso do CAPM (do inglês Capital Asset Pricing Model) para estimar o custo do capital próprio. Fora isso, as divergências foram grandes. Os executivos discordavam sobre a proporção ideal entre dívida e capital próprio, sobre como calcular o custo da dívida após impostos e, principalmente, sobre os parâmetros do CAPM — como taxa livre de risco, beta e prêmio de risco de mercado. Essas diferenças não são apenas detalhes técnicos e podem distorcer completamente as decisões de investimento. Uma variação de apenas 1 ponto percentual no WACC, causada por premissas equivocadas, pode fazer bons projetos serem rejeitados e projetos ruins serem aprovados. Por isso, é fundamental que as premissas do cálculo do WACC sejam as mais consistentes e realistas quanto possível. O custo do capital próprio: o maior dos problemas Entre as variáveis que compõem o WACC, talvez a mais desafiadora seja a estimativa do custo do capital próprio. Nas empresas de capital aberto, mesmo com divergências nas premissas do CAPM, como taxa livre de risco, beta e prêmio de risco de mercado, o tema é acompanhado de perto por instituições financeiras, analistas e consultorias. Já nas empresas de capital fechado, especialmente pequenas e médias, o cenário é outro. Como o CAPM depende de informações de mercado, como o beta calculado a partir de ações negociadas na bolsa, o modelo não se aplica diretamente. Por isso, o custo do capital próprio muitas vezes é negligenciado, e a ênfase recai quase exclusivamente sobre o custo da dívida, que é facilmente identificado nos contratos de empréstimos e financiamentos ou em referências de mercado, como as  [Curvas de Crédito](https://www.anbima.com.br/pt_br/informar/sistema-curvas-de-credito.htm)  disponíveis no website da Anbima. Mas, afinal, quanto os proprietários deveriam exigir como retorno pelo capital que investiram? Se você não tem clareza quanto a essa resposta, reflita: ·      Sua empresa reconhece que o capital dos proprietários exige uma remuneração maior que o capital dos credores? ·      Como você estima o prêmio pelo risco que compensa o proprietário por assumir mais risco que o credor? ·      Você sabe como adaptar o CAPM ou usar métodos alternativos (como equivalentes a certeza) para empresas de capital fechado? Ignorar o custo do capital próprio ou subestimá-lo não é um detalhe técnico, mas um erro estratégico com potencial de comprometer toda a lógica de criação de valor. Em um país como o Brasil, onde o capital é escasso e caro, a disciplina na alocação de recursos é vital. Conhecer o custo de capital e utilizá-lo corretamente não é um exercício acadêmico, mas uma questão de sobrevivência e perenidade. Afinal, se você não sabe ou estima incorretamente o seu custo de capital, como saber se o seu negócio realmente cria valor?"},{"jcr:title":"*Eduardo Pozzi é doutor em Administração pela FEA/USP, professor e líder da Trilha de Finanças dos Programas de Educação para Executivos do Insper","fileName":"Eduardo Pozzi_horizontal.png","alt":"*Doutor em Administração pela FEA/USP, é professor e líder da Trilha de Finanças dos Programas de Educação para Executivos do Insper"}]